Controlar o peso | Fotografia: Unsplash
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Medicamentos para a obesidade chegam a mais portugueses? "O acesso equitativo representa mais do que um avanço terapêutico"

Medicamentos para a obesidade: quando chegam a todos? Um artigo educativo assinado pela Prof. Paula Freitas, endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM).

Professora Paula Freitas, endocrinologista, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) 

Em Portugal, mais de metade da população adulta vive com excesso de peso ou obesidade – uma realidade que se tornou um dos maiores desafios de saúde pública do nosso tempo. Enquanto endocrinologista, testemunho diariamente que “acertar o peso” é muito mais do que um número na balança: é recuperar saúde, anos de vida e bem-estar. 

A dimensão do problema 

A obesidade é hoje reconhecida como uma verdadeira pandemia do século XXI. As projeções indicam que, em 2030, cerca de 60% da população adulta mundial poderá ter excesso de peso ou obesidade. 

Na Europa, o excesso de peso está associado a mais de um milhão de mortes por ano, figurando entre as principais causas de morte evitável. Em Portugal, as estimativas mais recentes revelam um cenário particularmente preocupante: cerca de 68% da população vive com excesso de peso ou obesidade, e quase 30% apresenta obesidade. 

Estes números mostram que, no nosso país, a exceção já não são as pessoas com excesso de peso — são as que conseguem manter um peso saudável. Esta realidade tem um impacto profundo, não apenas na saúde, mas também na economia, contribuindo para o empobrecimento das pessoas afetadas e, em última análise, do próprio país. 

Medicamentos para a obesidade: quando chegam a todos? 

Os medicamentos para tratar a doença obesidade – e não apenas para emagrecer – comparticipados chegam a todos? Ainda não – e, na verdade, pouco se sabe sobre quando e como chegarão. Continuamos sem informação sobre a percentagem de comparticipação nem sobre os critérios que definirão quem poderá beneficiar: serão apenas os doentes com obesidade mais grave, com complicações associadas, ou também aqueles com excesso de peso e risco cardiometabólico (IMC > 27 kg/m²)? Esperamos que a decisão final seja abrangente e equitativa, permitindo que mais pessoas tenham acesso a terapêuticas eficazes que melhorem a saúde e a produtividade. O que se pretende é tratar a doença, e não apenas emagrecer as pessoas. Um país saudável é, afinal, um país mais justo e mais próspero. 

Tenho esperança 

A obesidade é uma doença complexa, crónica e multifatorial — mas é também uma doença tratável. Vivemos um momento de viragem, em que a ciência e a medicina oferecem soluções cada vez mais eficazes e seguras. O acesso equitativo aos medicamentos representa mais do que um avanço terapêutico: é um compromisso com a saúde, a dignidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas. 

Que Portugal saiba transformar este desafio em oportunidade — oportunidade para cuidar melhor, incluir mais e tratar com justiça. Porque tratar a obesidade é cuidar de pessoas, devolver esperança e construir um futuro onde todos possam viver com mais saúde e menos estigma. 

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