Síndrome do olho seco | Fotografia: Unsplash
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A síndrome de olho seco afeta cada vez mais pessoas, mas há um novo tratamento que foge às terapias tradicionais

A síndrome de olho seco afeta cada vez mais pessoas e continua a desafiar a oftalmologia. Falámos com o Professor Doutor Eugénio Leite sobre uma das mais recentes inovações nesta área.

A sensação de areia nos olhos, ardor persistente, visão turva ou sensibilidade à luz são queixas cada vez mais comuns. São sintomas da chamada síndrome de olho seco, uma das condições oculares mais frequentes da atualidade, associada não só ao envelhecimento, mas também ao uso intensivo de ecrãs.

Tradicionalmente, o tratamento passa sobretudo por colírios lubrificantes, pomadas ou medidas de higiene das pálpebras, mas, nos últimos anos, novas abordagens tecnológicas têm procurado ir mais longe. Uma delas chama-se Rexon-Eye, um tratamento inovador que está a despertar curiosidade no mundo da oftalmologia.

Mas como funciona exatamente este tratamento na prática clínica? Que resultados têm sido observados nos pacientes? E que papel pode vir a desempenhar no futuro da oftalmologia?

É sobre estas questões que conversamos com o Professor Doutor Eugénio Leite, médico oftalmologista e diretor das Clínicas Leite, que explica de que forma esta tecnologia está a mudar a abordagem ao tratamento da doença do olho seco e que expectativas pode trazer para os doentes.

O que é exatamente o Rexon-Eye?

O Rexon-Eye é um tratamento novo e inovador para a doença do olho seco (Dry Eye Disease) que se diferencia de muitas terapias tradicionais por focar na estimulação biológica e regeneração das estruturas que mantêm o filme lacrimal, em vez de apenas aliviar sintomas.

Envolve um dispositivo médico não invasivo, que usa uma tecnologia patenteada conhecida como Ressonância Molecular Quântica (Quantum Molecular Resonance – QMR). Esta tecnologia aplica campos elétricos de baixa potência e alta frequência sobre os olhos fechados, através de um acessório semelhante a uma máscara com elétrodos incorporados.

Em que é que este tratamento é diferente dos que já existem para o olho seco?

Ao contrário de muitas terapias clássicas para olho seco, que muitas vezes se limitam a aliviar os sintomas ou a “gerir” o problema, o Rexon-Eye age mais profundamente sobre as causas subjacentes, através da estimulação biológica:

1. Estimula a regeneração e função glandular

Enquanto colírios lubrificantes, pomadas ou dispositivos térmicos (por exemplo, compressas quentes ou sistemas de expressão das glândulas) visam sobretudo melhorar a humidade ou descongestionar glândulas, o Rexon-Eye procura estimular as células para regenerarem e funcionarem melhor.

2. Potencial anti-inflamatório e efeitos duradouros

Estudos sugerem que a tecnologia tem efeitos anti-inflamatórios e de melhoria prolongada dos sintomas, em alguns casos com benefícios relatados até meses após o tratamento, embora a necessidade de tratamentos de manutenção possa variar no tempo, tratamento de reforço.

Como funciona este tratamento na prática? O que é que o doente sente durante a sessão?

Durante a sessão, que normalmente dura cerca de 20 minutos, os campos elétricos estimulam as células e tecidos da superfície ocular e adjacentes, com efeitos que incluem:

– Estimulação do metabolismo celular

– Promoção da regeneração natural das glândulas produtoras de lágrima e lípidos

– Ação anti-inflamatória local

– Melhoria da estabilidade do filme lacrimal e qualidade das lágrimas produzidas

O tratamento é não invasivo e não doloroso

Ao contrário de alguns tratamentos que exigem calor intenso, injeções ou técnicas mecânicas, o Rexon-Eye é descrito como confortável, não invasivo e sem necessidade de anestesia, com muitos pacientes a relatar apenas uma leve sensação de aquecimento.

Que tipo de pessoas podem beneficiar mais do Rexon-Eye?

Trata os vários tipos de olho seco, logo abrange todo o tipo de pessoa com Síndrome de Olho Seco.

Os outros tratamentos focam apenas um tipo (por exemplo, evaporativo vs. deficiência aquosa). O Rexon-Eye é usado para ambas as formas – tanto evaporativa (como na disfunção das glândulas de Meibómio) quanto aquosa – através da sua ação regenerativa.

Quantas sessões são normalmente necessárias e quanto tempo duram os resultados?

O tratamento costuma ser aplicado em várias sessões sequenciais (por exemplo, quatro sessões semanais), com muitos pacientes a perceber melhorias algumas semanas após o ciclo completo. Cada sessão dura normalmente cerca de 20 minutos.

Em média, os efeitos podem manter-se, entre 5 a 6 meses, podendo em alguns casos prolongar-se até 9 a 12 meses.

Este tipo de tecnologia não “cura” definitivamente o olho seco, porque estamos perante uma doença crónica e multifatorial.

O que faz é:

– Melhorar a função glandular

– Reduzir inflamação local

– Estimular mecanismos regenerativos

Este tratamento pode substituir as lágrimas artificiais e outros medicamentos, ou é apenas um complemento?

Em termos práticos, o tratamento com Rexon-Eye é uma alternativa de efeito prolongado dentro de um plano global de tratamento do olho seco, especialmente em casos em que os sintomas não são bem controlados com terapias convencionais.

Refira-se que mesmo com Rexon-Eye, alguns pacientes podem ter de continuar a usar lágrimas artificiais, pelo menos durante um período inicial ou intermitente, especialmente enquanto a melhora biológica se desenvolve.

Por princípio a utilização Rexon-Eye recomenda-se como parte de um plano integrado de tratamento, que pode incluir:

– Lágrimas artificiais e lubrificantes para controlo sintomático, na fase inicial

– Anti-inflamatórios tópicos ou outros medicamentos prescritos (conforme a causa subjacente); na fase inicial

– Higiene das pálpebras, em casos de disfunção das glândulas de Meibómio

O Rexon-Eye é particularmente útil quando os sintomas não respondem suficientemente às terapias tradicionais e quando se pretende estimular uma melhoria mais duradoura da fisiologia lacrimal.

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