São poucas as pessoas que nunca ouviram falar do Ozempic, o medicamento utilizado, normalmente, no tratamento da diabetes, mas que acabou por se tornar popular nos últimos anos por ajudar a emagrecer. É, sem dúvida, um assunto que divide opiniões, incluindo as de especialistas, especialmente sobre quem o deve tomar e a sua comparticipação.
Entretanto, na passada segunda-feira, 2 de fevereiro, o Infarmed revelou que o Ozempic obteve autorização de comparticipação, mas apenas para o “tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2, insuficientemente controlada, com IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou superior a 30 kg/m2 ou risco elevado de doença cardiovascular", lê-se no Relatório de Avaliação de Financiamento Público.
No mesmo relatório lê-se ainda que esta solução injetável deve ser usada como "adjuvante à dieta e exercício, em adição a outros medicamentos para o tratamento da diabetes, para ser utilizada em 2.ª e 3.ª linhas terapêuticas".
Quem pode, afinal, usufruir desta comparticipação?
José Manuel Boavida, o presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, citado na CNN Portugal, saudou esta decisão e disse: "Esta notícia vem alargar a comparticipação à maior parte das pessoas com diabetes, a todas aquelas que têm obesidade e a todas aquelas que apresentam um risco cardiovascular elevado, o que são praticamente todas as pessoas com diabetes".
O que é o Ozempic?
Trata-se de um medicamento disponível na forma de "solução injetável em caneta pré-cheia" que contém a substância ativa semaglutido um "agonista dos recetores de GLP-1", explica a European Medicines Agency.
O que significa isto? Basicamente, a semaglutido "atua de forma idêntica à GLP-1 — uma hormona produzida no intestino —, aumentando a quantidade de insulina libertada pelo pâncreas em resposta aos alimentos", ajudando a "controlar os níveis de glicose no sangue".
Segundo a mesma entidade, estudos demonstraram que este medicamento pode ser "eficaz na redução dos níveis de glicose no sangue, bem como na redução do risco de complicações de saúde em doentes com diabetes tipo 2".
Já a lista de efeitos secundários mais frequentes inclui problemas do sistema digestivo, "como diarreia, vómitos e náuseas (enjoos)". Também pode levar, em alguns casos, ao "agravamento da retinopatia diabética (lesões na retina, a membrana sensível à luz na parte posterior do olho)".
