"Pagamos 1.600 euros" a quem quiser trabalhar, mesmo assim Marimar luta para manter padaria com 72 anos
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Rafaela Simões
- 31 ago, 10:45
Para uma padaria sobreviver atualmente, é preciso haver quem queira submeter-se aos horários exigentes da produção. Marimar não consegue encontrar trabalhadores para manter o seu pequeno negócio.
Se gostas de pão, não conseguirás resistir ao do Massa Mãe
A história da mulher que mantém uma padaria aberta há mais de 50 anos no Japão
Para muitos pequenos negócios, manter hoje em dia as portas abertas tornou-se um desafio diário. Na VERSA já demos a conhecer a história de María, proprietária do bar-restaurante Donde Leo, em Espanha, um exemplo da luta de quem tenta manter os preços atrativos para os clientes, sem perder dinheiro.
Agora, é a vez de conhecermos Marimar de Miguel, responsável pela padaria Villímar, em Burgos, Espanha, que enfrenta um problema que ameaça o futuro de muitos negócios tradicionais: a falta de trabalhadores.
Marimar gere, juntamente com a filha Carla, a padaria Villímar, um negócio familiar com mais de 72 anos de história, no qual o pão continua a ser produzido de forma tradicional, num forno a lenha.
Mas preservar a tradição não significa estar imune aos problemas dos tempos modernos.
Marimar e Carla procuravam alguém que pudesse trabalhar durante a madrugada de domingo, um horário essencial para garantir que o pão estivesse pronto para os clientes logo pela manhã. No entanto, depois de várias tentativas para encontrar um trabalhador, acabaram por tomar uma decisão que inicialmente queriam evitar: fechar a padaria aos domingos.
"Hoje em dia, a mão de obra cansa-se rapidamente", afirma Marimar em entrevista ao jornal espanhol Magas, reconhecendo as dificuldades em encontrar pessoas dispostas a trabalhar no setor. E nem o dinheiro atrai trabalhadores.
"Pagamos 1.600 euros e ninguém quer madrugar para fazer pão", lamenta Marimar.
Em várias padarias, a produção começa durante a noite ou nas primeiras horas da madrugada. É preciso amassar, preparar, deixar fermentar e controlar cuidadosamente os tempos e as temperaturas antes de colocar o pão no forno.
Não se trata apenas de chegar cedo. É também um trabalho que exige conhecimentos técnicos e experiência.
Encontrar alguém disposto a aprender e a trabalhar nestas condições tornou-se um desafio, por isso, a solução encontrada foi reorganizar o funcionamento do negócio. Menos um dia de atividade, mas a esperança de conseguir manter a padaria aberta durante o resto da semana.
Marimar não pensa desistir
O objetivo continua a ser preservar a qualidade do produto e manter a relação com os clientes que, ao longo dos anos, fizeram parte da história da padaria.
"Sem os clientes não poderíamos viver", recorda.
É precisamente essa ligação à comunidade que ajuda a explicar a resistência de tantos pequenos empresários. Para quem está à frente de um negócio familiar, fechar definitivamente não representa apenas o fim de uma atividade económica. Pode significar o desaparecimento de uma história, neste caso, com mais de 72 anos de atividade.
Se ir até Espanha provar o pão de Marimar for complicado, podes sempre provar em Lisboa aquele que dizem ser o melhor pão de Lisboa, feito com massa mãe por um pequeno negócio.
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