O perigo da toma de doses elevadas de medicamentos | Fotografia: Pexels
O perigo da toma de doses elevadas de medicamentos | Fotografia: Pexels
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O que se passa com o paracetamol e os jovens? Médico explica riscos e impactos a curto prazo

Os jovens andam a tomar doses inadequadas de paracetamol. Os riscos? Em casos extremos, pode mesmo levar à morte. A opinião de um médico pediatra.

Primeiro nos Estados Unidos da América, depois na Europa e possivelmente em breve em Portugal: os jovens andam a tomar doses excessivas de paracetamol, tudo devido a um desafio que circula nas redes sociais que consiste em tomar o máximo de comprimidos do medicamento para comparar a capacidade de resistência. O objetivo? Ver quem aguenta mais tempo sem ir ao hospital.

Parece surreal o que está a acontecer, mas a verdade é que o paracetamol, conhecido medicamento para tratar dor leve a moderada e febre, está a ser tomado por muitos jovens como se tratasse de uma droga. Há quem consuma 10 gramas de uma só vez, ou seja, 20 comprimidos de 500 miligramas cada.

No entanto, o impacto, não é imediato.

"A partir do momento em que a dose foi demasiada, nas primeiras 24 horas pode nem haver sintomas ou pode haver umas náuseas, vómito, indisposição. Depois, nos dias seguintes, parece que está tudo mais ou menos estável. Pode haver um leve desconforto na parte superior do abdômen, onde fica o fígado, mas é quase como um estadio intermédio em que o fígado já se está a destruir, mas nós não temos sintomas. Depois de três dias, é que vêm então todos os sintomas, vómitos, coloração amarelada da pele (icterícia) por falência multiorgânica, porque o rim falha, o fígado falha, depois o coração e a pessoa fica em coma", começa por explicar o médico pediatra Manuel Magalhães à VERSA. 

Mas qual é o verdadeiro risco da toma excessiva de paracetamol? "Os riscos são a hepatite aguda tóxica fulminante. O que quer isto dizer? Que basta às vezes uma dose não muito alta, como quatro comprimidos de 1 grama, pode ser o suficiente para desencadear uma hepatite e depois é uma cadeia para destruir o fígado todo", alerta Manuel Magalhães. 

Com o novo desafio, é natural que os pais fiquem preocupados, e no caso de o jovem ter tomado uma quantidade considerável de paracetamol, deve ser encaminhado o mais rápido possível para o hospital a tempo de remediar a situação. "Existem antídotos que ajudam a prevenir a lesão hepática para tentar prevenir esta hepatite fulminante. Porque, uma vez instalada esta hepatite, que se instala após as 24 horas, depois é difícil reverter e só se consegue salvar a vida da pessoa transplantando o fígado e aqui não é fácil arranjar um transplante". 

E, sim, em casos extremos, a toma desenfreada de paracetamol pode mesmo matar. "O paracetamol, que é um medicamento de venda livre, não sujeito a receita médica, parece que é muito inócuo, mas em doses excessivas mata".

Perante este desafio, será então o fim do acesso ao medicamento sem receita médica? Segundo o médico, não faz sentido. 

"Acho que não devemos limitar o acesso ao medicamento, devemos é informar. O que temos de limitar são as redes sociais nos adolescentes e crianças. Não podem ter acesso às redes sociais, pelo menos até aos 16 anos. E, obviamente, aí o adulto é que tem de ter responsabilidade", considera o médico. "Por isso é que os países europeus, e Portugal felizmente vai avançar para isso também, estão a proibir o uso das redes sociais até aos 16 anos. Porque vê-se muita coisa, tenta-se influenciar negativamente os jovens e isto é prejudicial".  

No entanto, é de frisar, continua a ser seguro tomar paracetamol, desde que nas doses recomendadas. "A dose habitual de paracetamol é de 10-15mg por Kg de peso por dose. E pode ser dada uma dose em intervalos de 4h se necessário (habitualmente intervalos de 6h ou 8h), desde que não exceda os 90mg/Kg/peso diários", esclarece o pediatra.

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