Poucos espaços em Portugal carregam uma história tão densa (e, diga-se de passagem, saborosa) como os Pastéis de Belém. A loja instalada em 1837 do número 84 a 92 da Rua de Belém nasceu na sequência da dissolução das ordens religiosas, quando a receita original, criada no Mosteiro dos Jerónimos, começou a ser comercializada ao público. Desde então, atravessou gerações, resistiu a mudanças sociais e turísticas e tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos da capital. Hoje, quase dois séculos depois, prepara-se para entrar num novo capítulo.
A loja mudou num espaço de 3 meses a pensar nos próximos 100 anos e a grande reabertura aconteceu a 30 de março. Trata-se de projeto levado a cabo pelo estúdio português Viterbo Interior Design, liderado por Gracinha Viterbo, que já tinha tomado conta da nova loja dos Pastéis de Belém, algumas portas ao lado do estabelecimento original, que se tornou conhecido como o Balcão Histórico – concebido para evitar as grandes filas da loja do século XIX.
Mas o que muda na nova loja? A intervenção foi pensada ao detalhe, de modo a modernizar a imagem da casa emblemática, mas sem comprometer aquilo que o tornou intemporal: a sua identidade. Resta saber como modernizar um ícone sem o descaracterizar?
"Os detalhes são discretos, mas espelham aquilo que [se mantém] desde 1837. A história, o tempo e o tudo o que se passou aqui e faz parte da história de Portugal", refere Gracinha Viterbo numa publicação de Instagram.
Ora os espaços interiores foram reorganizados para maior fluidez de circulação; houve melhoria da iluminação, valorizando materiais e detalhes históricos; e atualização dos materiais e acabamentos, mantendo uma linguagem fiel ao património.
Mais do que uma simples remodelação, este projecto representa uma reinterpretação de um dos maiores ícones gastronómicos do país. Desta forma, os Pastéis de Belém mostram que tradição não é sinónimo de estagnação.
Mostramos na galeria de imagens esta nova casa e no vídeo todo o making of do projeto.
