Há uma nova polémica no mundo da beleza que está a gerar preocupação nas redes sociais e na internet. Mas será motivo para alarme?
Recentemente, a L'Oréal USA Inc., empresa responsável pela marca de skincare CeraVe, tornou-se alvo de ações judiciais nos Estados Unidos. Segundo a Bloomberg Law, os processos, movidos por consumidores, alegam que as marcas "não divulgaram nem alertaram adequadamente para a presença de benzeno em determinados produtos para o tratamento da acne".
Em causa estão produtos que contêm peróxido de benzoílo, um ingrediente amplamente utilizado no tratamento da acne. As queixas defendem que estes produtos devem ser considerados adulterados ao abrigo da legislação norte-americana, uma vez que podem conter níveis elevados de benzeno resultantes da degradação do próprio ingrediente.
Importa esclarecer que os produtos mencionados nas ações judiciais não são cremes, mas sim os géis de limpeza com peróxido de benzoílo a 4% e 10% da CeraVe.
Mas afinal, o que são o peróxido de benzoílo e o benzeno?
O peróxido de benzoílo é um ingrediente eficaz no combate às bactérias associadas à acne e está presente em diversos produtos vendidos tanto nos Estados Unidos como na União Europeia, incluindo Portugal. No entanto, com o passar do tempo e sob determinadas condições, pode degradar-se.
É durante esse processo de degradação que podem formar-se pequenas quantidades de benzeno, uma substância química classificada como tóxica e cancerígena. Atualmente, a exposição prolongada ao benzeno está associada a um maior risco de leucemia e de outros tipos de cancro.
Apesar disso, vários estudos indicam que os níveis de exposição resultantes destes produtos são geralmente muito baixos. Ainda assim, muitos dermatologistas recomendam algumas precauções simples, como utilizar os produtos dentro do prazo de validade e evitar armazená-los em locais quentes. Alguns especialistas sugerem até a sua conservação no frigorífico para minimizar a eventual formação de benzeno.
Esta polémica, no entanto, não começou agora
Tudo remonta a 5 de março de 2024, quando o laboratório independente Valisure apresentou uma petição à Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA). Na altura, o laboratório "comunicou ter detetado benzeno em vários produtos para o tratamento da acne à base de peróxido de benzoílo", solicitando às autoridades reguladoras que investigassem e recolhessem os produtos afetados", lê-se no OpGov.News.
Mais especificamente, estes testes "revelaram níveis elevados de benzeno quando os produtos com BPO foram incubados a temperaturas de 37°C, 50°C e 70°C. Já nos produtos CeraVe o benzeno foi alegadamente registado "em níveis que variaram entre 5 e mais de 12 partes por milhão — acima do limite condicional da FDA de 2 partes por milhão para este produto químico".
Seguiu-se uma onda de processos judiciais em poucas semanas. Eventualmente, a FDA acabou por realizar os seus próprios testes em março de 2025 e anunciou os resultados, informando que "mais de 90% dos produtos testados continham níveis indetetáveis ou extremamente baixos de benzeno".
Revelou ainda que "apenas um pequeno número apresentou níveis elevados, o que levou a um conjunto limitado de recolhas voluntárias a nível do retalho". Os produtos da CeraVe mencionados na ação judicial mais recente não aparecem nesta lista.
Tendo isto em conta, a FDA classificou "o risco de cancro associado aos níveis de benzeno detetado como muito baixo", acrescentando que "mesmo o uso diário ao longo de décadas contribuiria para um aumento muito reduzido do risco de cancro ao longo da vida de uma pessoa".
