Muitos são ainda do tempo em que junto à banheira da casa de banho apenas se tinha um sabonete sólido para lavar o corpo. Com o tempo foram-se mudando os hábitos, em parte por culpa da empresa americana Minnetonka Corporation, que na década de 80 lançou o Softsoap, o primeiro sabonete líquido vendido em doseadores práticos para a casa e estabelecimentos.
No entanto, dificilmente viveríamos hoje sem sabonete líquido. Surgiu como uma proposta mais prática e também mais higiénica de lavagem, ou pelo menos achamos nós. Ainda persistem muitas dúvidas quanto ao que é melhor usar no dia a dia: sabonete sólido ou líquido.
Por um lado, do ponto de vista da sustentabilidade, o sabonete sólido é, sem sombra de dúvidas, o mais amigo do ambiente. Por outro, têm um pH diferente e isso pode ter influência na nossa pele. Para esclarecer todas as dúvidas, a VERSA falou com o dermatologista Luis Uva, diretor clinico da Personal Derma.
Quais são as principais diferenças entre sabonete sólido e líquido em termos de limpeza da pele?
O sabonete sólido tradicional tende a ter um pH mais alcalino e pode ser mais agressivo, removendo mais óleos naturais da pele. O sabonete líquido, por norma, tem um pH mais próximo do da pele e permite fórmulas mais suaves e adaptadas a diferentes necessidades.
Que alternativa é mais indicada para pele sensível ou com tendência a alergias?
Na maioria dos casos, o sabonete líquido é preferível, sobretudo se for hipoalergénico, sem fragrância e com agentes calmantes. O sabonete sólido só é indicado se for do tipo detergente sintético (sem sabão), formulado para peles delicadas. Outra opção a considerar é o óleo de banho, muitas vezes utilizado em bebés: além de ser bastante neutro, pode proporcionar uma hidratação mais intensa, ajudando a preservar a barreira natural da pele sensível.
Qual deles, sabonete sólido ou líquido, contribui mais para a hidratação e proteção da pele?
Os géis líquidos costumam ser mais ricos em ingredientes hidratantes, como glicerina, óleos ou ceramidas, ajudando a manter a barreira cutânea. O sabonete sólido, quando não é detergente sintético, pode retirar mais lípidos naturais e ressecar a pele. Já o óleo de banho pode ser até a opção mais hidratante e neutra, formando uma película protetora que reduz a perda de água da pele – motivo pelo qual é frequentemente recomendado para bebés e peles muito secas ou sensíveis.
O uso de sabonete sólido ou líquido influencia a microbiota natural da pele de forma diferente?
Sim. Produtos muito alcalinos (como muitos sabonetes sólidos) podem alterar o equilíbrio da microbiota cutânea. Os géis líquidos suaves, com pH fisiológico, tendem a preservar melhor as bactérias benéficas da pele.
Qual das duas opções é mais eficaz na prevenção de problemas dermatológicos, como acne ou eczema?
Mais importante do que o formato é a composição. Em casos de acne, eczema ou dermatite atópica, recomenda-se a utilização de detergentes sintéticos, sólido ou em líquido, ou de óleos de banho sem fragrância e com agentes hidratantes. Estas alternativas ajudam a minimizar a irritação e a preservar a barreira cutânea.
Que tipo de sabonetes devemos evitar e em quais apostar?
– Evitar: produtos muito perfumados, com corantes, álcool ou fórmulas muito alcalinas;
– Apostar: fórmulas de detergentes sintéticos (sem sabão), hipoalergénicas, com pH fisiológico e enriquecidas com ingredientes hidratantes (glicerina, óleos vegetais, ceramidas, aveia coloidal).
