Quem tem sinais no corpo já deve ter ouvido vários conselhos de amigos, família e especialistas sobre a importância de estar atento a possíveis mudanças, mas pouco sabem quais devem ser os motivos de alerta.
Tendo isto em conta, a VERSA falou com Marta Ribeiro Teixeira, dermatologista na Clínica Espregueira no Porto, sobre o assunto e, sim, fez todas as perguntas que precisam de respostas sobre sinais, manchas e o que deve chamar a atenção.
Nem todos os sinais na pele são perigosos... Que tipos de sinais são considerados normais?
A maioria dos sinais é benigna. Sinais comuns tendem a ser simétricos, de cor uniforme, com bordos regulares, de coloração homogénea e estáveis ao longo do tempo.
Que alterações num sinal devem ser motivo de preocupação?
Mudanças na simetria, nos bordos, na cor, no tamanho (crescimento) ou no relevo, sobretudo quando estas alterações são rápidas e ocorrem no espaço de semanas ou poucos meses. Nesse caso os sinais devem ser avaliados.
A regra geral é: um sinal que fica diferente merece atenção. Além disso devemos valorizar alterações como uma crosta ou ferida que não curam, um sinal que sangra ou que começa a dar dor ou prurido.
Um sinal que muda de cor, tamanho ou forma é sempre um alerta?
Nem sempre significa que será uma lesão potencialmente perigosa, mas será sempre um sinal de alerta para que seja avaliado por dermatologia. Muitas lesões benignas podem também sofrer alterações e deixar os pacientes preocupados. Contudo, em caso de alteração de uma lesão prévia, esta deve sempre ser avaliada por um profissional habilitado, ou seja, um dermatologista.
O aparecimento súbito de muitos sinais pode indicar algum problema?
Na maioria dos casos é benigno, sobretudo em contextos hormonais como uma gravidez ou após exposição solar. Ainda assim, quando esta situação surge, o paciente deverá ser avaliado.
Sinais que sangram, fazem comichão ou doem: o que podem significar?
Podem resultar de traumatismo local, inflamação ou pele seca (maioria dos casos), mas também poderá indicar alterações mais relevantes. Se os sintomas persistirem, é importante procurar avaliação médica.
Manchas novas na pele, especialmente em adultos, devem ser avaliadas por um médico?
Sim. Qualquer mancha nova na idade adulta, sobretudo se cresce ou muda, deve ser observada para excluir lesões potencialmente malignas. O número de cancros de pele tem vindo a aumentar consideravelmente os últimos anos e estima-se que continue a aumentar de forma preocupante.
O sol influencia o aparecimento ou a transformação dos sinais?
Sim. A radiação solar estimula o aparecimento de novos sinais e pode contribuir para alterações em sinais já existentes, reforçando a importância da proteção solar durante todo o ano.
Quando devemos marcar consulta com um dermatologista?
Sempre que exista dúvida, alteração em num sinal preexistente, aparecimento de um sinal novo e diferente dos restantes sinais (regra do patinho feio) e sinais associados a sintomas como os descritos, nomeadamente prurido, dor, vermelhidão ou sangramento. Contudo, a vigilância regular é fundamental para um diagnóstico precoce do cancro de pele.
De uma forma geral, o rastreio dos sinais no dermatologista deve ser feito uma vez por ano. No entanto, em pessoas com muitos sinais, história pessoal ou familiar de cancro da pele, pele clara, exposição solar intensa, uso de solário ou queimaduras solares frequentes podem necessitar de avaliações mais regulares, conforme indicação do dermatologista. Entre consultas, é importante a auto-avaliação regular da pele, procurando sinais novos ou alterações nos existentes.
