Pescador António | Fotografia: Instagram
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Começou aos 12 anos e hoje o Senhor António é o último pescador da Ericeira

António, com 58 anos, é um dos mais antigos pescadores da Ericeira ainda no ativo. Começou com apenas 12 anos e nunca mais largou o mar.

Durante séculos, as aldeias piscatórias portuguesas multiplicavam-se ao ritmo das marés. No entanto, em muitas zonas do país, o número de pescadores diminui ano após ano. A falta de apoios, a instabilidade do rendimento, as exigências legais e as dificuldades de segurança afastam as gerações mais novas de uma vida feita de madrugadas, tempestades e longas horas no mar.

Na vila de Ericeira esta transformação sente-se de forma particularmente evidente. Outrora, era uma comunidade profundamente ligada à pesca, mas o tempo passou e muitos barcos desapareceram, outros ficaram encostados ao cais, e a pesca artesanal tornou-se cada vez mais rara. Entre os que continuam a resistir ao passar dos anos está o senhor António que é, para muitos, um dos últimos pescadores da Ericeira.

António Franco Alberto, conhecido entre os amigos como “Porras”, nasceu em Lisboa, em 1968, mas a sua história está profundamente ligada à Ericeira e às gerações de pescadores que o precederam.

Conta, na AZUL - Ericeira Mag, que começou a frequentar o porto ainda em criança. Tinha 5 ou 6 anos quando levava café ao pai, também pescador, antes de seguir para a escola. Aos 12 anos já era “moço” nas embarcações, aprendendo a arte da pesca como tantos jovens das antigas comunidades marítimas. Aos 14, tinha cédula marítima e já trabalhava oficialmente no mar.

O pai, Francisco Alberto, transmitiu-lhe não apenas o barco, o Toni Fernando, mas também os valores que sempre acompanharam a vida no mar: honestidade, humildade e respeito pelas ondas. E a fé. “Tenho sempre Deus comigo”, é algo dito pelo senhor António, sempre que sai para o mar sem saber o que encontrará.

Se há algumas décadas a Ericeira era dominada pela atividade piscatória, hoje restam poucos profissionais, porque muitos jovens optam por outras carreiras, enquanto os pescadores mais antigos se reformam ou abandonam o ofício.

Por isso mesmo, mais do que um pescador, António tornou-se uma espécie de memória viva da Ericeira. Um testemunho de um tempo em que o mar era o centro da vida da vila. E enquanto o Toni Fernando continuar a sair da rampa rumo ao Atlântico, essa história não termina. 

Mostramos na galeria de imagens uma amostra dos dias de António. 

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