Casa Mortuária de Barrancos

Sim, uma casa mortuária premiada em Portugal foi notícia lá fora

Pode parecer estranho, mas é possível que uma casa mortuária seja destaque lá fora e até receba prémios. Portugal dá o exemplo.

Os cemitérios e as casas mortuárias ocupam, desde sempre, um lugar na vida de todos nós. São espaços de despedida, de memória e de silêncio, mas também podem ser um espaço que celebra a arquitetura e a paisagem. Existe uma localidade portuguesa onde isso acontece, deixando de ser apenas um local de luto.

Falamos da Casa Mortuária de Barrancos, no Baixo Alentejo, uma das mais singulares do país, que foi destaque na publicação brasileira Casa Vogue.

Aqui, a despedida ganha uma nova dimensão, uma vez que a arquitetura se alia à paisagem e à identidade local, numa proposta que é assinada pelo MESA Atelier, que venceu um concurso público promovido pela Câmara Municipal de Barrancos em 2019.

O edifício parte de um princípio claro, “construir com a paisagem”, o que significou respeitar o olival centenário protegido pelo Plano Diretor Municipal e adaptar o edifício ao desnível natural do terreno. O espaço divide-se assim entre a cota alta, que corresponde à praça pública, um espaço aberto que convida à contemplação da paisagem, enquanto a cota baixa conduz ao edifício em si.

 

Num edifício que funde xisto, cal e madeira em linhas que evocam a arquitetura vernacular da região, cada detalhe é alvo de admiração, por fora e também por dentro. No interior, o átrio funciona como coração da casa mortuária e é iluminado por um “poço de luz” que antecipa a entrada nas capelas.  

As duas capelas, voltadas a nascente e a poente, acolhem até 60 pessoas cada e podem unir-se ou separar-se graças a um sistema de portas, permitindo cerimónias distintas ou conjuntas. 

Mais do que um edifício funerário, a Casa Mortuária de Barrancos é uma lição de sustentabilidade, já que os pavimentos exteriores permitem a infiltração da água no solo, foram plantadas novas árvores para reduzir o efeito de ilha de calor e o estacionamento foi pensado de forma a integrar-se discretamente na paisagem.

Por tudo isto, a obra finalizada em 2024 tem sido várias vezes distinguida, mostrando que este tipo de edifícios também pode ser digno das mais elevadas distinções. Já recebeu o Prémio Concreta Under 40, esteve nomeada para o Fad Arquitectura Award 2025 e foi finalista no Forma 2024. Para além disso, venceu o 1º Prémio Concurso Internacional de Arquitectura. 

Mostramos este espaço único na galeria de imagens. 

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