Com a onda de calor, a nova bactéria pode chegar às praias portuguesas?
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Rafaela Simões
- 1 jul, 11:15
Há uma bactéria a aparecer nas praias da Europa e a alarmar os banhistas. Será que Portugal deve preocupar-se?
Quantas destas praias vais visitar este verão?
Portugal tem praias lindíssimas e estas são algumas das nossas favoritas
As praias são, para muitos, o destino de eleição durante o verão. No entanto, há um fator invisível que, por vezes, pode obrigar ao encerramento temporário de algumas zonas balneares: as bactérias. Embora a maioria seja inofensiva e faça parte do equilíbrio natural dos ecossistemas aquáticos, determinadas espécies podem representar um risco para a saúde pública quando encontram as condições ideais para se multiplicarem. É precisamente isso que está a acontecer em algumas regiões da Europa, onde o aumento da temperatura do mar está a favorecer a proliferação da bactéria Vibrio.
Com as ondas de calor cada vez mais frequentes e a temperatura da superfície do mar a atingir valores recorde, os especialistas acompanham com atenção a evolução desta bactéria, que tem vindo a ganhar terreno sobretudo nas águas costeiras do norte da Europa.
Mas... o que é a bactéria Vibrio?
As bactérias do género Vibrio vivem naturalmente em águas costeiras onde se misturam água do mar e água doce. Desenvolvem-se melhor em águas temperadas ou quentes e com níveis moderados de salinidade, tornando-se mais frequentes durante os meses de verão.
Embora existam várias espécies, apenas algumas são capazes de provocar doença. As estirpes Vibrio cholerae O1 e O139 são responsáveis pela cólera, mas a maioria das infeções associadas ao género Vibrio não tem essa gravidade.
Ainda assim, estas bactérias podem causar infeções gastrointestinais após o consumo de marisco cru ou mal cozinhado, especialmente ostras, ou infeções na pele quando entram no organismo através de cortes, arranhões ou outras feridas expostas à água contaminada.
Quais são os sintomas?
Os sintomas dependem da forma como ocorre a infeção.
Quando o contacto acontece durante um mergulho ou banho de mar, a bactéria pode provocar infeções cutâneas e nos ouvidos, manifestando-se através de vermelhidão, dor, inchaço e inflamação na zona afetada.
Na maioria dos casos, estas infeções são ligeiras. No entanto, se não forem tratadas, algumas podem evoluir para complicações graves, incluindo infeções da corrente sanguínea, sepsis ou fasceíte necrosante. Uma das espécies mais conhecidas, Vibrio vulnificus, ganhou a designação popular de "bactéria devoradora de carne" devido à rapidez com que pode destruir tecidos em situações raras, sobretudo em pessoas com o sistema imunitário enfraquecido ou doenças crónicas do fígado, como é referido na Visão Saúde.
Portugal pode ser afetado?
As infeções por Vibrio têm aumentado em alguns países europeus e a justificação surge através de um alerta da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA): as alterações climáticas e o aumento da temperatura das águas poderão favorecer uma maior presença destas bactérias nos produtos do mar a nível global.
Contudo, para já, Portugal não está entre as zonas europeias onde se verificam maiores concentrações de Vibrio. As áreas de maior risco continuam a localizar-se nas águas de transição entre o mar Báltico e o mar do Norte, no mar Negro e em zonas costeiras próximas de grandes desembocaduras de rios.
Embora não exista motivo para alarme nas praias portuguesas, as recomendações mantêm-se: evitar entrar no mar com feridas abertas ou cortes recentes, sobretudo em águas salobras, e consumir apenas peixe e marisco devidamente cozinhados.
Como acompanhar a evolução da bactéria?
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) disponibiliza um mapa interativo que acompanha diariamente a presença e o risco de proliferação da bactéria Vibrio nas águas europeias, incluindo uma previsão para os cinco dias seguintes.
Esta ferramenta permite acompanhar a evolução da situação praticamente em tempo real e perceber quais são as regiões onde as condições ambientais favorecem o desenvolvimento da bactéria.
Enquanto não houver alertas em contrário, visita as praias que deixamos na galeria de imagens.
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