Caminhar na praia com mais de 60 anos? O que dizem os especialistas pode surpreender
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Rafaela Simões
- 6 jul, 11:01
Fazer uma caminhada na praia pode ser tão revitalizante, quanto prejudicial. Eis como fazer caminhadas na praia sem danos para o corpo.
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Com as temperaturas elevadas que têm marcado os últimos dias em Portugal e em grande parte da Europa, a praia tornou-se o refúgio preferido de milhares de pessoas. Entre mergulhos para aliviar o calor e longos momentos de descanso à sombra do chapéu de sol, há um hábito que se repete verão após verão: caminhar junto ao mar.
À primeira vista, trata-se de uma atividade simples, gratuita e acessível a praticamente todas as idades. Mas será que caminhar na praia é sempre benéfico? A resposta dos especialistas é clara: sim, desde que seja feito da forma correta.
Passear à beira-mar pode ser uma excelente forma de manter o corpo ativo durante as férias, sobretudo para quem pretende fazer exercício sem recorrer a treinos intensos.
Além do efeito relaxante proporcionado pelo som das ondas e pela paisagem, caminhar na praia estimula a circulação sanguínea, ajuda a reduzir a sensação de pernas e pés inchados e contribui para fortalecer a musculatura dos membros inferiores. A areia funciona ainda como um esfoliante natural, enquanto caminhar com a água pelos tornozelos aumenta a resistência do movimento sem provocar um impacto excessivo nas articulações.
E há uma faixa etária em que as caminhadas são mais vantajosas.
"O ideal para as pessoas com mais de 60 anos ou que sofram de dores nas costas é caminhar na areia molhada, junto à linha de água", afirma o ortopedista José Nebot no Lecturas.
E sim, sempre pela areia molhada. Isto porque na areia seca o pé perde estabilidade e obriga os músculos e as articulações a fazer um esforço adicional para manter o equilíbrio. O resultado é um maior desgaste dos tornozelos, joelhos, ancas e zona lombar.
Além disso, caminhar sobre areia seca exige um recrutamento muscular bastante superior ao que muitos imaginam. Se o corpo não estiver habituado, o cansaço instala-se mais rapidamente e podem surgir dores musculares nos dias seguintes.
Assim sendo, para a maioria das pessoas, a areia molhada junto à linha de água oferece melhores condições para caminhar. Por ser mais firme, proporciona uma passada mais estável e reduz significativamente o esforço exigido às articulações.
Mas... e nos dias de calor?
Num verão marcado por temperaturas excecionalmente elevadas, caminhar nas horas de maior exposição solar não é boa ideia, uma vez que aumenta o risco de desidratação, exaustão pelo calor e até de golpe de calor, sobretudo entre idosos.
Por isso, o melhor é reservar os passeios para o início da manhã ou para o final da tarde, evitando o período entre o final da manhã e o meio da tarde, quando a radiação ultravioleta e a temperatura da areia atingem os valores mais elevados.
Também os pés merecem proteção. O dorso do pé está frequentemente exposto ao sol e a planta pode sofrer queimaduras ao contactar com areia demasiado quente, lesões particularmente incómodas durante as férias e que podem demorar vários dias a cicatrizar.
Mais vale caminhar melhor do que caminhar mais
A ideia de percorrer quilómetros pela praia pode parecer tentadora, mas os especialistas defendem que a qualidade da caminhada é mais importante do que a distância percorrida.
Assim, devemos escolher areia firme, evitar zonas inclinadas, adaptar a duração ao nível de condição física, manter uma boa hidratação e respeitar os sinais do corpo são medidas suficientes para transformar um simples passeio à beira-mar numa atividade saudável.
Queres ideias de praias para caminhar? Deixamos várias na galeria de imagens.
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