Praia do Garrão
Praia do Garrão

Estas praias algarvias sofrem mudança com um investimento de 14,5 milhões de euros

Em Loulé, a corrida contra a erosão nas praias está em marcha e não é a única intervenção no concelho.

A erosão costeira é um dos fenómenos naturais que mais tem marcado o litoral português nas últimas décadas. Entre a força das tempestades de inverno, a subida do nível do mar e a intervenção humana ao longo da linha de costa, muitas praias têm vindo a perder areia de forma acelerada. No Algarve, onde o turismo depende fortemente da qualidade das praias, esta realidade tornou-se particularmente evidente e urgente de contrariar.

É por isso que está em curso no concelho de Loulé uma das mais significativas operações recentes de reposição dunar e enchimento artificial de areia em Portugal, que resulta de um investimento na ordem dos 14,5 milhões de euros.

Está prevista a reposição de cerca de 1,4 milhões de metros cúbicos de areia ao longo de 7 quilómetros de costa, devolvendo até 30 metros de areal em cinco praias particularmente afetadas: Trafal, Vale do Lobo, Garrão, Quarteira e Forte Novo. Até ao momento, três destas zonas – Trafal, Vale do Lobo e Garrão – já estão concluídas, restando cerca de 600 mil metros cúbicos de areia para finalizar a intervenção nas restantes praias. 

Segundo as previsões, a obra deverá estar concluída em meados de maio, garantindo praias prontas para o arranque da época balnear, a 1 de junho.

A bordo de uma draga holandesa de tecnologia avançada, a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, acompanhou de perto os trabalhos que, afirma, terão impacto ambiental, económico e social. "Esta é uma obra essencial para defender estas praias da erosão, protegendo as habitações, os estabelecimentos e toda a zona envolvente”, disse no local. A ministra destacou ainda que estas intervenções são vitais para preservar um dos principais motores económicos da região, o turismo, e garantir o acesso contínuo a espaços naturais que são património coletivo.

Contudo, há um alerta claro: as alterações climáticas estão a encurtar o ciclo de vida destas soluções. Se anteriormente este tipo de intervenção podia durar mais tempo, os recentes invernos rigorosos reduziram o intervalo necessário entre reposições para cerca de uma década. Ainda assim, a injeção de areia continua a ser considerada a solução mais eficaz, uma vez que o sedimento permanece integrado no sistema natural, mesmo quando redistribuído pelo mar.

Mas o plano para o litoral de Loulé não se esgota aqui. Está prevista a remoção de dois pontões e o prolongamento de outros dois, além de intervenções urgentes de consolidação de arribas em toda a costa algarvia, algumas das quais deverão avançar antes mesmo do verão.

E há mais promessas: durante a visita, a ministra anunciou também o arranque dos trabalhos da futura dessalinizadora, que vem resolver o problema das secas extremas cada vez mais frequentes.

"A evolução da quantidade de chuva no Algarve vai diminuir entre 15 e 25% nos próximos anos, num cenário até 2050. As secas extremas serão cada vez mais frequentes. Além de todos os projetos e medidas na luta contra a seca, como fim de linha existe um projeto que é a dessalinizadora, a maior segurança de abastecimento de água que o Algarve tem. Será usada em casos extremos”, notou.

O novo areal de Loulé não é apenas areia, é uma resposta concreta a um problema crescente e um sinal de que o futuro do litoral português dependerá cada vez mais de intervenções estratégicas e sustentadas.

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