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Preenchimentos faciais: fazer “porque toda a gente faz” é o primeiro erro

Estás a pensar fazer frente aos sinais da idade? Descobre como conseguir resultados naturais que te façam sentir bem.

No que diz respeito ao mundo da beleza, é comum procurarem-se tratamentos estéticos que atenuem os sinais da idade. É uma forma de combater a perda de volume, colagénio e elasticidade e de ganhar uma pele não mais jovem, mas mais saudável. 

Isto porque os "melhores resultados não são os que se notam, mas os que se sentem" e, acima de tudo, importa que qualquer preenchimento facial tenha um resultado natural. Porque a idade continua a avançar e o objetivo não é detê-la, mas sim aceitar da melhor forma aquilo que nos traz. E se para isso tivermos de recorrer a alguma ajuda, porque não?

Quando falamos de preenchimentos faciais, é apenas preciso saber quando fazer um, quando retocar e quando desfazer preenchimentos antigos, uma tendência que se tem tornado comum. Todas as respostas são dadas pela Dr.ª Ana Silva Guerra, especialista em Cirurgia Plástica e Medicina Estética e diretora da Clínica Ana Silva Guerra, em Lisboa.

Dr.ª Ana Silva Guerra, especialista em Cirurgia Plástica e Medicina Estética e diretora da Clínica Ana Silva Guerra | Fotografia: D.R.

Quais são os sinais mais comuns de que pode estar na altura de considerar um preenchimento facial pela primeira vez?

Muitas pessoas não procuram “preenchimento” propriamente dito, mas sim a solução para algo que começaram a notar: a perda de frescura, o olhar mais cansado, o sulco nasogeniano mais marcado, a perda de suporte labial ou o contorno mandibular menos definido. São pequenas alterações estruturais que resultam da perda de volume, colagénio e elasticidade.

O preenchimento facial, quando bem indicado, não muda o rosto, reestrutura, suporta e equilibra, ajudando a manter a naturalidade. Para que as pessoas percebam, o primeiro preenchimento que faço num rosto é semelhante a um alicerce, não é nas maças do rosto, não é nas olheiras. É junto ao esqueleto ósseo da face para compensar o suporte ósseo que se vai perdendo com o processo do envelhecimento. É impercetível, não há evidencia que apliquei o ácido hialurónico, mas o rosto fica mais leve e descansado.

Existe uma idade ideal para começar a fazer preenchimentos faciais, ou depende das características individuais de cada paciente?

Não existe uma idade “ideal” para iniciar preenchimentos, existem momentos e necessidades específicas. Algumas pessoas, aos 28 anos, já evidenciam perda de volume malar ou sulcos mais marcados, muitas vezes por predisposição genética ou emagrecimento acentuado. Outras mantêm uma boa estrutura facial até aos 40, sem necessidade de intervenção.

Somos o reflexo da nossa genética, do meio ambiente e dos nossos hábitos. Oscilações de peso significativas, terapêuticas com impacto na qualidade da pele (como os corticoides), exposição solar excessiva ou consumo de tabaco são fatores que aceleram o envelhecimento. Nestes casos, os primeiros sinais podem surgir mais cedo e a necessidade de intervenção também.

O mais importante é avaliar a indicação, e não a idade. Fazer um preenchimento “porque toda a gente faz” é o primeiro passo para decisões pouco conscientes.

Que fatores deve uma pessoa ponderar antes de decidir avançar com um preenchimento facial?

Antes de avançar com um preenchimento facial, é fundamental ter expectativas realistas: o objetivo não é transformar o rosto, mas sim potenciar a sua estrutura natural, respeitando a identidade facial de cada pessoa. Para isso, é essencial confiar o procedimento a profissionais médicos especializados, com conhecimento anatómico rigoroso e um sentido estético apurado, capazes de avaliar com precisão o que deve, ou não, ser feito.

A qualidade do ácido hialurónico utilizado também é determinante: não serve ser apenas eficaz, mas sobretudo seguro, previsível nos seus resultados e reversível caso seja necessário. Tudo isto faz parte de um protocolo de segurança que deve estar sempre presente em qualquer abordagem ética e consciente à medicina estética.

Mas acima de tudo é fundamental perguntar: “Estou a fazer isto por mim? Ou para responder a uma expectativa externa?”

Na sua experiência, quais são os erros mais frequentes cometidos por quem recorre a este tipo de procedimento estético?

Um dos erros mais frequentes é tentar corrigir flacidez com volume – e isso é, desde logo, um equívoco. A flacidez não se combate com volume. Esta estratégia, infelizmente comum, acaba por desfigurar o rosto: altera proporções, distorce contornos e leva ao aspeto artificial que associamos ao chamado filler face. Outro erro recorrente é acumular preenchimentos ao longo dos anos, sem uma avaliação crítica do rosto em cada fase, sem permitir que os tecidos reabsorvam o material ou que a expressão natural se restabeleça. O resultado são rostos saturados, pesados, onde a intenção estética perde-se pela ausência de moderação e visão global.

Há ainda quem recorra a profissionais não médicos, o que aumenta exponencialmente o risco de complicações e resultados artificiais.

Quais são os principais riscos associados ao excesso de preenchimento e como podem ser evitados?

Os riscos associados ao excesso de preenchimento incluem, em primeiro lugar, a perda da naturalidade facial. É cada vez mais comum vermos rostos com contornos exagerados, maçãs do rosto desproporcionadas, lábios demasiado volumosos e um preenchimento excessivo na transição entre a pálpebra inferior e o terço médio da face, o que confere um aspeto artificial e padronizado. Os rostos ficam “todos iguais”. Para além disso, há frequentemente um desequilíbrio nas proporções e na simetria, que torna o rosto visualmente mais “pesado”. Em casos mais graves, o risco deixa de ser apenas estético: a injeção inadvertida de ácido hialurónico num vaso sanguíneo, ou a sua compressão, pode originar complicações sérias como isquemia ou mesmo necrose tecidular, exigindo diagnóstico rápido e atuação médica especializada. Por isso, mais do que nunca, é essencial abordar os preenchimentos com critério, conhecimento da anatomia e bom senso.

A prevenção está numa palavra-chave: moderação. Uma abordagem global, integrada e consciente – muitas vezes com menos produto – é mais eficaz e esteticamente duradoura. “Menos é mais!”

Há uma tendência crescente para desfazer preenchimentos antigos. A que se deve esta mudança e o que nos diz sobre a evolução da estética facial?

Estamos a assistir a uma verdadeira viragem na abordagem estética: depois de anos marcados pelo overfilling, em que o volume era entendido como a única e universal resposta ao envelhecimento, muitos pacientes procuram agora reverter os excessos acumulados, recuperar os traços da sua identidade e reencontrar a naturalidade do seu rosto. Esta mudança reflete uma maturidade estética crescente. Menos dramatismo, mais sofisticação. Menos pressa e mais consciência.

Os pacientes estão cada vez mais informados e procuram abordagens que respeitem a identidade do rosto, com intervenções subtis, progressivas e seguras. A estética deixa de ser sinónimo de transformação e passa a ser um processo de cuidado, equilíbrio e reconexão com a própria imagem.

Hoje, os melhores resultados não são os que se notam, mas os que se sentem. São discretos, subtis, integrados. O elogio mais valorizado passou a ser: “Estás com ótimo aspeto”, porque o verdadeiro sucesso na medicina estética está em realçar, não transformar.

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