Esta prisão está abandonada desde 1999, mas Aurora fez dela a sua casa: "Aqui sou feliz"
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Inês Teixeira
- 19 ago, 17:46
Uma antiga prisão abandonada desde 1999 tornou-se a casa de mais de 200 pessoas. Aurora vive lá há dois anos e garante: “Aqui sou feliz.”
Aurora vive numa prisão abandonada em Espanha
John e Jerry Carroll estão juntos há 80 anos e continuam a viver de forma independente na sua própria casa
Já ouvimos histórias de famílias que transformaram contentores em casas, de casais que trocaram quatro paredes por uma carrinha e até de pessoas que construíram pequenas cabanas para terem um lugar ao qual podem chamar lar. Mas, desta vez, cruzámo-nos com uma história que nos deixou particularmente impressionados pelo sítio inusitado escolhido para viver: uma antiga prisão.
A história foi contada por Aurora numa reportagem do criador de conteúdos espanhol Diego Revuelta, conhecido pelos vídeos no YouTube em que dá a conhecer histórias reais e estilos de vida pouco comuns. Desta vez, entrou numa antiga prisão em Palma, abandonada desde 1999, que, ao longo dos últimos anos, se transformou num verdadeiro refúgio improvisado para quem não tem outro lugar onde ficar.
Segundo é explicado no vídeo, mais de 200 pessoas vivem atualmente no interior do edifício. O espaço encontra-se bastante degradado, com problemas estruturais, condições de insalubridade e os moradores convivem diariamente com lixo, ratos, conflitos, mas também com o receio de um eventual colapso de algumas zonas, enquanto esperam por soluções por parte das autoridades.
É neste cenário que Aurora vive há cerca de dois anos.
Durante a visita, abre as portas daquele espaço a que chama casa e mostra como conseguiu transformar a antiga despensa da cozinha da prisão no seu quarto. Tem uma cama, televisão, espaço para guardar a roupa e até pintou as paredes numa tentativa de tornar o espaço mais confortável e pessoal.
Há também uma cozinha partilhada, com uma mesa onde fazem as refeições, uma zona improvisada para tomar banho, onde não faltam produtos de higiene, e uma casa de banho onde chegam a ter de tapar alguns buracos para impedir a entrada de ratos. As proteções e fechaduras espalhadas pelo espaço servem ainda para tentar evitar roubos.
Apesar das condições, Aurora descreve uma rotina semelhante à de qualquer outra pessoa. Levanta-se por volta das oito da manhã, toma o pequeno-almoço, faz a cama, lava a loiça e começa a pensar no que irá preparar para comer nesse dia.
No espaço onde vive acabou mesmo por assumir uma espécie de papel de responsável. "Sou a chefe daqui", brinca. Explica que, quando alguém chega sem casa e sem possibilidades económicas, pode procurar um espaço vazio para dormir e garante que, na zona que gere, não cobra nada a quem precisa.
Uma realidade que, segundo conta, não se repete em toda a antiga prisão. Existem outras zonas onde alguns dos ocupantes chegam a pedir cerca de 200 euros por um espaço para dormir.
Mas a história de Aurora não começa naquele edifício...
Durante a conversa, revela que passou quatro anos numa prisão no Equador por tráfico de droga. Segundo o seu relato, depois de se separar e numa altura em que precisava de dinheiro, recebeu uma proposta para fazer uma viagem em troca de cerca de 20 mil euros.
Aurora conta que o combinado seria transportar um quilo de droga, mas, quando recebeu a mala que deveria levar consigo, percebeu que estava demasiado pesada. No aeroporto, o conteúdo acabou por ser detetado no scanner e, segundo relata, transportava afinal cerca de 26 quilos de cocaína.
Foi detida antes de conseguir embarcar.
Aurora afirma ter sido inicialmente condenada a 26 anos de prisão, mas conta que, com a ajuda da família, a pena acabou por ser reduzida. Cumpriu cerca de quatro anos antes de recuperar a liberdade.
"Sobrevivi na prisão porque sou forte", afirma, admitindo que falar atualmente sobre aquilo que viveu é também uma forma de conseguir ultrapassar o passado.
Hoje, apesar de viver novamente entre os muros de uma prisão, a realidade é completamente diferente. Desta vez, é ela quem decide quando entra, quando sai e como vive.
E talvez seja precisamente por isso que, quando Diego Revuelta lhe pergunta como se sente naquele lugar improvável a que passou a chamar casa, Aurora não hesita: "Aqui faço o que quero. Aqui sou feliz."
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