Afinal, um protetor solar fator 50 não protege mais do que o de 30? Dermatologista desfaz os maiores mitos
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Rafaela Simões
- 5 ago, 10:49
O protetor solar com fator 50 não faz milagres, nem as gomas para bronzear protegem a pele. Um dermatologista explica o que realmente é eficaz.
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Quando se fala em proteção solar, há ideias que continuam a persistir como quanto maior o fator de proteção, melhor; e uma boa camada de creme é suficiente para passar horas ao sol sem preocupações. Mas não é bem assim.
Segundo o dermatologista espanhol Jorge Soto ao Diario Vasco, a melhor estratégia para proteger a pele continua a ser surpreendentemente simples.
"A proteção mais importante não são os cremes nem as cápsulas, mas sim a roupa, os chapéus e a procura de sombra", sublinha.
O dermatologista explica que, além da radiação ultravioleta, o sol emite também luz visível e radiação infravermelha, contra as quais permanecer à sombra continua a ser uma das formas mais eficazes de reduzir a exposição.
SPF 30 ou SPF 50: será que existe assim tanta diferença?
Uma das dúvidas mais frequentes prende-se com o fator de proteção solar (SPF). É comum acreditar que um protetor com SPF 50 oferece uma proteção muito superior à de um SPF 30, mas Jorge Soto explica que a diferença prática é menor do que muitos imaginam.
O especialista lembra que o SPF indica quanto tempo pode ser retardado o aparecimento de uma queimadura solar, em comparação com uma pele sem proteção, desde que o produto seja aplicado na quantidade correta. Na prática, um SPF 50 não duplica a proteção oferecida por um SPF 30.
"A diferença em termos de eficácia entre um fotoprotetor SPF 30 e um SPF 50 é reduzido quando ambos são aplicados corretamente", esclarece o dermatologista.
O maior problema, segundo o médico, não está tanto no número que aparece na embalagem, mas na forma como o produto é utilizado. A maioria das pessoas aplica menos protetor do que deveria e esquece-se de o reaplicar ao longo do dia, sobretudo depois de nadar, transpirar ou secar a pele com a toalha.
Gomas para bronzear? Não protegem a pele
Nos últimos anos, multiplicaram-se nas redes sociais produtos que prometem acelerar o bronzeado ou proteger a pele através de suplementos alimentares, como as populares "gomas para bronzear".
Jorge Soto garante que estes produtos não representam, por si só, um risco tóxico, mas deixa um alerta importante.
"O seu efeito é essencialmente estético, uma vez que conferem alguma coloração à pele, mas não substituem os mecanismos naturais de proteção nem evitam os danos provocados pela exposição ao sol", esclarece.
Existem ainda alguns suplementos orais com alguma capacidade fotoprotetora, nomeadamente os que contêm derivados de Polypodium leucotomos. Ainda assim, o especialista sublinha que nunca devem ser encarados como uma alternativa às medidas tradicionais de proteção.
As crianças merecem uma atenção especial
Para o dermatologista, a proteção solar deve começar desde cedo. As queimaduras solares durante a infância podem aumentar significativamente o risco de desenvolver melanoma e outros tipos de cancro da pele ao longo da vida.
"A exposição solar intensa durante a infância provoca um dano particularmente importante e difícil de reparar. Nenhuma criança deveria sofrer queimaduras solares. Deve ser uma prioridade absoluta de saúde pública", conclui o especialista.
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Rafaela Simões
- 5 ago, 10:48
