O verão é sinónimo de festas e excessos — mas, no século XIX, esses excessos tinham outra dimensão: iam de cocaína a ópio, passando pelas salas privadas da Rainha Vitória, trisavó da Rainha Isabel II. À frente do vasto Império Britânico, a monarca governava um sistema que lucrava biliões com drogas — sem medo da lei ou da concorrência. Já para não dizer que o consumo pessoal era hoje digno de espanto.
Apesar da imagem que vulgarmente temos de uma senhora conservadora, a soberana chegou ao trono aos 18 anos, casou-se três anos mais tarde com o Príncipe Alberto, e, em pleno século XIX, começou por ser uma jovem consumidora regular de várias substâncias hoje ilegais. A Time avança com um resumo curioso deste universo de drogas no Império Britânico, depois de muitos historiadores terem discorrido sobre o tema. Ficamos, assim, a saber que drogas faziam parte da parafernália da rainha. E não só.
O gosto pessoal por... um pouco de tudo
Desde Laudanum, que é nada mais nada menos do que ópio misturado com álcool. Algo comum à época, tantas vezes receitado para as crianças, principalmente quando os dentes começavam a nascer.
Já a cocaína era preferencialmente consumida em vinho ou em pastilhas elásticas e a Rainha gostava de ter sempre uma pastilha destas à mão para dores e um boost de confiança.
Também não faltava canábis, consumida em forma líquida, curiosamente era prescrito por médicos para aliviar os sintomas menstruais.
E, por fim, clorofórmio, que a monarca usava durante os partos, Tendo chegado a elogiar a experiência inebriante.
A História que conhecemos: o negócio do ópio
No século XIX, a Grã-Bretanha queria vender produtos para a China, mas tinha pouca coisa que interessasse aos chineses. A solução encontrada foi exportar ópio cultivado na Índia. O comércio tornou-se tão rentável que chegou a representar cerca de 20% da receita do Império Britânico. Quando o governo chinês tentou proibir a entrada da droga, o Reino Unido reagiu com força militar. Esse conflito ficou conhecido como Primeira Guerra do Ópio (1839–1842), que terminou com a derrota da China, a assinatura de tratados injustos e a cedência de Hong Kong aos britânicos.
A herança de uma “rainha traficante”
Este episódio expôs uma das maiores contradições do Império Britânico. Enquanto a China era inundada de ópio viciante — com milhões a sofrerem as consequências — a rainha Vitória não escondia o consumo privado de substâncias como a cocaína. Um contraste que mostra como o poder colonial ditava regras diferentes para dentro e para fora de portas.
Questões legais à parte, percebemos que nem Escobar, o “rei da cocaína”, nem Griselda Blanco, à frente do maior império de droga de Miami, nem mesmo o infame mexicano "El Chapo" chegaram aos calcanhares da desta monarca.
