D. Dinis de Bragança, Duque do Porto, pediu Anna Schaffgotsch em casamento
D. Dinis de Bragança, Duque do Porto, pediu Anna Schaffgotsch em casamento | Fotografia: Instagram @casarealpt
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O que poucos sabem sobre a futura nora dos Duques de Bragança leva-nos a uma fortuna esquecida

Acaba de ser anunciado o noivado do filho mais novo dos duques de Bragança. D. Dinis de Brangança escolheu para sua esposa uma jovem com um passado digno de documentários.

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Os Duques de Bragança voltam a estar no centro das atenções com mais um casamento na família. Depois de, em 2023, Maria Francisca de Bragança ter casado com Duarte de Sousa, é agora a vez de D. Dinis de Bragança, o filho mais novo de Duarte Pio de Bragança e Isabel de Herédia, anunciar o noivado com a condessa austríaca Anna Schaffgotsch.

A boa nova foi partilhada no Instagram da Casa Real Portuguesa e, naturalmente, o anúncio despertou curiosidade sobre a jovem austríaca de 24 anos.

Sabe-se que é licenciada em Economia e Ciências Sociais e que está atualmente a estagiar em Lisboa na área da educação, mas muito mais há a dizer sobre a história do seu apelido, Schaffgotsch. Nomeadamente, uma fortuna que até já deu origem a documentários.  

Uma das maiores fortunas da Europa Central

Muito antes da Segunda Guerra Mundial, os Schaffgotsch eram considerados uma das famílias aristocráticas mais poderosas da Europa Central. Instalados na Silésia durante séculos, chegaram a ser apontados como a segunda família mais rica da região e uma das maiores proprietárias privadas da antiga Prússia.

O património era verdadeiramente colossal. A família controlava mais de 27 mil hectares de terras, vastas florestas, minas de carvão e zinco, palácios, estâncias termais e uma biblioteca privada com cerca de 80 mil volumes, além de inúmeras coleções de arte e arquivos históricos.

Ao contrário do que aconteceu com muitas casas nobres europeias, a fortuna dos Schaffgotsch não assentava apenas na posse de terras ou em privilégios aristocráticos, grande parte vinha da indústria.

Um dos momentos decisivos da história da família aconteceu no século XIX, quando Hans Ulrich Schaffgotsch casou-se com Johanna Gryzik, uma das maiores herdeiras da Alta Silésia, que herdou um vasto império mineiro ligado à exploração de carvão e zinco, tornando-se uma das mulheres mais ricas da Europa da época. Depois do casamento, esse património passou para a família Schaffgotsch, transformando-a numa verdadeira potência económica.

Contudo, o fim da Segunda Guerra Mundial alterou radicalmente o destino da família.

Com a redefinição das fronteiras europeias e a passagem da Silésia para administração polaca, praticamente todas as propriedades dos Schaffgotsch foram confiscadas. Palácios, florestas, minas e restantes bens ficaram para trás, enquanto muitos membros da família foram expulsos da região.

Apesar de perder quase todo o património que durante séculos acumulou, a linhagem sobreviveu, estabelecendo-se sobretudo na Áustria e na Alemanha, onde alguns ramos conseguiram preservar propriedades familiares e manter viva a história da casa.

A história dos Schaffgotsch tem servido de base a documentários, exposições e projetos de investigação na Alemanha e na Polónia, que procuram recuperar a memória daquela que foi uma das grandes dinastias esquecidas da aristocracia europeia.

Fora desses países, porém, o nome permanece relativamente desconhecido, razão pela qual poucos associam Anna Schaffgotsch a uma família que, durante décadas, figurou entre as maiores fortunas da Europa.

Mas quem é, afinal, Anna Schaffgotsch?

Nascida em Viena, a 17 de fevereiro de 2002, Anna Schaffgotsch von und zu Kynast und Greiffenstein, Baronesa de Trachenberg, é filha do conde Maximilian e da condessa Marie Schaffgotsch e tem três irmãos.

Licenciou-se em Economia e Ciências Sociais pela Universidade de Economia de Viena, complementou a formação com certificações em Gestão Imobiliária e Gestão na área da Saúde e prepara-se para prosseguir estudos em Educação Comparada na University College London.

Além da formação académica, trabalhou em funções administrativas no Teatro Infantil de Viena, colaborou em projetos europeus ligados à educação e sustentabilidade e participou em iniciativas de voluntariado com crianças e pessoas com deficiência, incluindo na Roménia.

Atualmente encontra-se em Lisboa a realizar um estágio na área da educação.

Com o casamento entre D. Dinis de Bragança e Anna Schaffgotsch, unem-se, assim, duas famílias de antigas casas reinantes europeias e, embora o apelido da futura noiva seja praticamente desconhecido em Portugal, transporta consigo a memória de uma das maiores fortunas aristocráticas da Europa.

Antes que o infante Dinis de Bragança e Anna Schaffgotsch subam ao altar, recorda na galeria de imagens o último casamento real em Portugal entre Maria Francisca de Bragança, a filha mais nova de Duarte Pio de Bragança e Isabel de Herédia, e Duarte de Sousa.

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