O amor tem uma nova app | Imagem Reprodução do filme Me Before You
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Afinal, o chip do amor é real ou não?

Sim, estás a ler bem. Um microchip implantado no corpo para seguir a tua cara-metade está a causar polémica nas redes sociais. Explicamos tudo.

Fevereiro é um mês muito associado ao amor. Por causa do Dia de São Valentim, é possível que já tenhas estado a pensar nos presentes que vais oferecer à tua cara-metade este ano, ou numa forma diferente de surpreendê-la com uma experiência especial, uma atividade a dois ou algo simbólico que celebre a relação. 

Mas, precisamente no mês em que tanto se fala de relações e de amor, surge um novo dispositivo que provocou uma grande revolta na internet e gerou uma enorme controvérsia. O chamado RelationChip foi apresentado como um suposto sistema composto por dois microchips subcutâneos ligados a uma aplicação móvel.

Segundo a marca, os chips, do tamanho de um grão de arroz, seriam implantados no antebraço e permitiriam ao casal aceder a funcionalidades como localização em tempo real, sincronização automática de passwords e indicação de contactos por perto. Na prática, prometiam uma monitorização constante e mútua da vida entre parceiros.

 

A proposta é apresentada como uma nova forma de transparência total dentro da relação. No entanto, a reação pública foi tudo menos consensual, levando várias caras conhecidas a manifestaram-se contra o dispositivo nas redes sociais. A cantora Irma reagiu dizendo: “Estou chocada. O que é isto? Parece Black Mirror.” Também Ana Markl partilhou a sua posição de forma clara, defendendo que “a devassa não é uma declaração de amor” e que “a perda da individualidade não é uma prova de confiança”, acrescentando ainda: “Se confiam, não controlem. Se não confiam, não namorem. Não se deixem chipar.” Inês Castel-Branco, Catarina Raminhos, David Brás e outros influenciadores juntaram-se à discussão, demonstrando igualmente o seu descontentamento e questionando os limites entre amor, controlo e vigilância.

 

A polémica cresceu. Muitos internautas levantaram suspeitas: seria este produto real? Uma jogada de marketing? Uma experiência social?

Entretanto, confirmou-se: o RelationChip nunca foi um produto destinado a ser comercializado. Tratou-se, afinal, de uma campanha de sensibilização da APAV, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

O objetivo era claro: provocar desconforto e gerar debate sobre o controlo nas relações, a vigilância disfarçada de cuidado e as várias formas de violência no namoro que, muitas vezes, se normalizam em nome do amor. Ao lançar a ideia de um “chip do amor” precisamente na semana do Dia de São Valentim, a campanha procurou expor até que ponto certas dinâmicas de controlo podem parecer aceitáveis (ou até românticas) quando, na verdade, representam sinais de alerta.

No mês em que se celebra o amor, talvez valha a pena fazer uma pausa e refletir sobre aquilo que uma relação saudável realmente exige. Se a confiança existe, precisa de monitorização? Se há respeito, precisa de vigilância? E se, para nos sentirmos seguros, sentimos necessidade de controlar o outro… estaremos mesmo a falar de amor?

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