És um apreciador de relógios de luxo? Deves conhecer a coleção de Cristiano Ronaldo ao detalhe, mas sabes distinguir um relógio verdadeiro de uma falsificação? Pode ser difícil porque "os falsificadores estão a ficar mais inteligentes", explica Maarten van Brakel, especialista em relógios da Catawiki, em comunicado.
Segundo o especialista, "alguns dos relógios que vemos vêm completos com caixa, papéis e até históricos de serviço detalhados". Felizmente, "uma inspeção mais atenta revela muitas vezes falhas subtis - do tipo que só um especialista consegue detetar, desde números de série clonados a acabamentos de movimento inconsistentes", acrescenta.
Para conseguires distinguir melhor, Maarten van Brakel revelou alguns dos truques mais comuns utilizados pelos falsificadores, mas, ao mesmo tempo, lembra que idealmente deves "utilizar mercados de confiança, evitar vendedores privados ou não verificados" e fazer compras apenas em plataformas com boa reputação.
Números de série clonados e gravações alteradas
Brakel explica que "os relógios topo de gama são constituídos por dois componentes principais: a caixa (o invólucro exterior) e o movimento (o mecanismo interno)". Geralmente, ambos têm "números de série ou de referência únicos que devem corresponder ao modelo, ao ano de produção e às especificações da marca".
Infelizmente, "nos relógios falsificados, estes números são frequentemente copiados de peças genuínas, mas gravados em caixas diferentes ou emparelhados com movimentos incorretos". Por isso, "à primeira vista, o resultado pode parecer convincente, mas falhas subtis na profundidade da gravação, no tipo de letra, na colocação ou no formato do número de série denunciam-no frequentemente".
Ponteiros desalinhados e marcações não detalhadas
Normalmente, "o mostrador, ou face do relógio, é onde muitas contrafações falham". "Inclui o logótipo da marca, os marcadores de horas, os sub-mostradores e a janela da data, enquanto os ponteiros são as peças móveis que indicam as horas, os minutos e os segundos.
"Nas contrafações, estes pormenores nunca estão corretos. As fontes estão muitas vezes ligeiramente desfasadas em tamanho ou espaçamento, os logótipos desalinhados e a luminescência aplicada de forma desigual”, explica van Brakel.
"Alguns sub-mostradores são apenas decorativos e não funcionam de todo. Os próprios ponteiros podem ter a forma ou o comprimento incorreto, ou ter um acabamento não natural. Estas falhas podem ser subtis e muitas vezes passam despercebidas a olhos não treinados”, acrescenta.
Documentos falsificados e certificados falsos
Hoje em dia, "os cartões de garantia, folhetos e registos de assistência são cada vez mais falsificados, com design profissional".
Por exemplo, "alguns falsificadores reproduzem documentos descontinuados utilizando tipos de letra gerados por Inteligência Artificial (IA), enquanto outros juntam papéis não autênticos com caixas autênticas compradas no mercado secundário, criando um conjunto convincente".
"Os sinais reveladores incluem logótipos descentrados, papel de baixa qualidade, sangramento de tinta ou conteúdo desatualizado que não corresponde ao modelo do relógio ou ao ano de lançamento. Mesmo os selos em relevo e os hologramas podem ser sinais de um modelo falsificado."
Os movimentos
"Nos relógios de luxo genuínos, o movimento é muitas vezes mecânico e tem um acabamento de grande beleza, com marcas específicas da marca gravadas." Geralmente, "os falsificadores tentam imitar este nível de pormenor, mas muitas vezes não conseguem". Então, "em vez de acabamentos decorativos reais, as falsificações utilizam padrões impressos ou gravados".
Para além disso, "os rotores podem parecer corretos, mas não funcionam corretamente, os parafusos são muitas vezes da cor errada ou estão mal alinhados e a arquitetura geral não corresponde ao modelo que diz ser". São falhas "subtis e requerem um olho treinado para as detetar".
