José e a companheira vivem em Ibiza, numa carrinha
José e a companheira vivem em Ibiza, numa carrinha | Fotografia: Diego Revuelta

José trabalha para milionários, mas vive numa carrinha com a esposa porque não consegue pagar uma renda

José trabalha rodeado de luxo e de milionários (até Lamine Yamal entra nesta história), mas a realidade quando sai do trabalho é muito diferente.

Não é surpresa para ninguém que a crise da habitação se tornou um dos maiores problemas da atualidade, não só em Portugal, mas um pouco por todo o mundo. Comprar ou arrendar casa está cada vez mais difícil e, perante esta realidade, há quem encontre soluções que, há poucos anos, pareciam impensáveis. Já conhecemos a família que construiu uma moradia com contentores, a jovem que viveu com padres para conseguir poupar, a mãe solteira que aprendeu a construir a própria casa através de vídeos na internet e até quem tenha escolhido viver numa cabana para fugir às rendas.

Hoje partilhamos a história de José e da companheira, um casal que conhecemos através de uma reportagem do criador de conteúdos Diego Revuelta, conhecido por mostrar histórias reais e estilos de vida pouco convencionais.

José vive em Ibiza há dez anos. Mudou-se para a ilha porque sabia que era um dos locais onde poderia ganhar mais dinheiro e concretizar o sonho de trabalhar no mar. Hoje é capitão de iates de luxo e conduz embarcações que, segundo o próprio, podem valer cerca de seis milhões de euros. Ao longo dos anos, já transportou empresários, jogadores de futebol, cantores e outras figuras conhecidas. Aliás, as fotografias que circularam do aniversário de Lamine Yamal foram tiradas num dos barcos onde trabalha, embarcações essas que podem custar, por dia, mais de 5.000 euros para quem aluga.

À primeira vista, parece um emprego de sonho, numa das ilhas mais exclusivas e bonitas da Europa.

Apesar de ganhar um bom salário, José garante que viver em Ibiza é extremamente caro. A alimentação, os serviços e, sobretudo, a habitação atingiram valores que considera incomportáveis. Segundo explica, uma pequena casa pode facilmente ultrapassar os 2.100 euros por mês, mesmo dividida entre duas pessoas. Durante a época alta, encontrar um alojamento por menos de 2.500 ou 3.000 euros é praticamente impossível.

Foi por isso que, há cerca de seis anos, tomou uma decisão radical: viver numa carrinha com a mulher durante a época alta.

A carrinha, comprada por cerca de quatro mil euros, e que anteriormente pertencia aos pais, foi transformada pelo casal numa pequena casa sobre rodas. O espaço tem pouco mais de dois metros quadrados habitáveis. A cama ocupa praticamente todo o interior e, por baixo, existem pequenas zonas de arrumação onde guardam roupa e os bens essenciais.

O maior desafio acaba por ser a falta de espaço e a gestão das tarefas mais básicas, como tomar banho ou cozinhar. No início admitiram sentir algum receio por dormirem na rua, mas, com o tempo, habituaram-se a esta rotina e hoje encaram-na como um sacrifício temporário que lhes permite poupar milhares de euros todos os verões.

A companheira de José, de 40 anos, trabalha exatamente na mesma área e é igualmente capitã de embarcações. Entre 1 de abril e 30 de setembro trabalham todos os dias, sem folgas e muitas vezes até altas horas da noite, para aproveitar a época alta do turismo. Durante esses seis meses vivem na carrinha, estacionada perto do local de trabalho, para evitarem gastar grande parte do salário na renda.

O objetivo é claro: comprar uma casa e, finalmente, ter um lugar mais digno para viver.

Depois de anos de trabalho intenso e muitos sacrifícios, o casal espera que este estilo de vida seja apenas uma fase. Até lá, continuam a trocar uma casa por uma carrinha para perseguirem um sonho que, ironicamente, parece cada vez mais difícil de alcançar: ter um lugar que possam chamar de seu.

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