Há restaurantes que se escondem em estradas secundárias, entre paisagens agrícolas ou no meio de vinhas antigas. São lugares que exigem intenção para serem encontrados e que, muitas vezes, recompensam essa procura com experiências difíceis de replicar noutro sítio.
A poucos quilómetros de Lisboa, na região de Bucelas, existe um desses casos raros. Em pleno território vinícola, encontra-se o restaurante Chão do Prado, um espaço que parece suspenso entre o passado agrícola da região e uma nova forma de receber quem por ali passa.
Bucelas, conhecida como Capital do Arinto, é uma das pequenas regiões demarcadas de Portugal com produção DOC, marcada por vinhos de perfil fresco e caráter muito próprio, como aquele que nasce mesmo ao lado do Chão do Prado e que se serve à mesa.
O restaurante preserva ainda a antiga adega da quinta, onde outrora se pisavam as uvas, detalhe que não é apenas decorativo: funciona como ligação direta a uma memória rural que continua viva nas paredes de pedra, nos equipamentos antigos e na atmosfera que se sente ao entrar.
Memórias essas que foram preservadas por Soraia e João quando, recém-chegados de Cabo Verde, aceitaram o desafio de reabrir em 20213 o restaurante que já tinha funcionado na propriedade. Não tinham grande experiência na restauração, mas tinham vontade de construir algo próprio, por isso, foram testando caminhos até encontrarem uma identidade. A lógica era simples: perceber o que fazia as pessoas regressar. E, é claro, a comida é a razão principal.
A cozinha do Chão do Prado não procura complicações desnecessárias, trabalha ingredientes frescos e receitas de base tradicional, sendo o resultado uma carta curta, mas com pratos que se tornaram referência.
O mais emblemático é a Fatiota de Coelho, um coelho desossado grelhado no churrasco, servido com batata e um molho da casa que lhe confere identidade própria. É um prato que se tornou assinatura do restaurante e que continua a ser o mais procurado.
Já o Rosbife aposta na simplicidade bem feita, tratando-se de um naco de vazia rapidamente selado em azeite quente, fatiado e servido com batata frita e esparregado. Já o Bacalhau à Chão do Prado representa a ligação à tradição portuguesa, combinando lombo de bacalhau lascado com cebola, nabiças, grão e uma cobertura de broa que vai ao forno. E, atenção, fãs de Cozido à Portuguesa: é servido todas as quintas-feiras.
A completar os pratos e os vinhos da região, o Chão do Prado oferece uma paisagem ímpar que conquista quem passa. Comer aqui é fazê-lo com o olhar constantemente preso às vinhas que descem a encosta e a experiência prolonga-se entre três espaços distintos: a antiga adega, uma sala intermédia com vista sobre a vinha e uma esplanada aberta ao clima.
Independentemente do espaço escolhido, a sensação é a mesma: a de estar num lugar que não tenta competir com a cidade, mas sim oferecer uma pausa clara do seu ritmo.
