Feito no Zambujal
Feito no Zambujal | Fotografia: Instagram @feito_no_zambujal
Gourmet

Ljubomir Stanisic já lá esteve no restaurante onde a mesa se põe como em casa

É tudo mesmo Feito no Zambujal e isso nota-se à mesa. Conhece o projeto e a história dos irmãos que trocaram uma vida profissional mais convencional pela criação de porco preto.

É tudo mesmo Feito no Zambujal

Do Pica no Chão ao Arroz de Garoupa, conhece o restaurante 10 de julho

Há restaurantes onde se vai comer. E depois há aqueles lugares nos quais se entra como quem chega a casa de alguém. No Zambujal, no concelho de Alcoutim, distrito de Faro, o Feito no Zambujal pertence claramente à segunda categoria.

A história deste espaço começa com dois irmãos, Rui e Manuel Jerónimo, e com uma decisão pouco provável: deixar para trás uma vida profissional mais convencional para regressar às raízes familiares e dedicarem-se à agropecuária. No caso de Rui, a mudança foi especialmente radical, porque depois de 14 anos na banca, decidiu, aos 38 anos, trocar a cidade de Faro pelo campo e o escritório pela criação de porco preto.

Mas esta não foi uma decisão tomada de um dia para o outro. Durante cerca de dois anos, estudou o negócio, desenhou instalações, fez contas e pensou como transformar uma ligação familiar à terra numa atividade profissional.

Em 2013, os irmãos avançaram então com o projeto agroindustrial no monte que tinha pertencido aos avós e, mais tarde, aos pais. E o nome escolhido para a empresa não podia ser mais direto: Feito no Zambujal. Isto porque os irmãos Jerónimo controlam praticamente todo o ciclo de produção do porco alentejano, com uma missão em mente: criar bem para comer melhor.

Dessa produção resultam chouriços, paios, presuntos, barrigas e outras peças de charcutaria que têm os seus segredos para estarem entre os melhores.

Nos enchidos, por exemplo, entram tripa suína natural, sal de Castro Marim, alho e massa de pimentos produzida na própria horta. O fumeiro recorre a esteva e azinho, enquanto o tempo de cura varia consoante o produto. Um paio pode passar meses entre frio e fumo; um presunto pode permanecer na cave entre 24 e 30 meses.

É esta relação entre território, matéria-prima e tempo que ajuda a explicar a reputação que a Feito no Zambujal foi construindo muito para além de Alcoutim. Os seus produtos chegaram a lojas especializadas em Lisboa e Tavira e a cozinhas de restaurantes nos quais a charcutaria passou a ser uma espécie de cartão de visita do projeto.

Mas no Zambujal há uma maneira ainda mais interessante de conhecer o que fazem os irmãos Jerónimo: sentarmo-nos à mesa.

Um restaurante dentro de uma história familiar

O conceito do espaço não é o de um restaurante convencional, aberto indiscriminadamente ao público e pensado para receber dezenas de clientes em permanência. É antes uma extensão natural daquilo que já acontece na exploração: produzir, cozinhar e receber.

A visita começa, muitas vezes, por conhecer o lugar onde tudo acontece. A sala de corte, as zonas de produção, o fumeiro, a salgadeira e a cave onde os presuntos passam longos meses a curar fazem parte da experiência. Depois, a viagem termina à mesa do Feito no Zambujal, numa sala de provas contígua à cozinha.

O porco preto é protagonista, mas não está sozinho: entram os produtos sazonais da horta e aquilo que o território oferece. O resultado é uma cozinha de raiz portuguesa e algarvia, assente na matéria-prima.

Para visitar e comer no Feito no Zambujal, é necessária reserva, até porque as refeições são destinadas a grupos de, no mínimo, oito pessoas.

É, portanto, uma experiência mais próxima de uma mesa de família do que de uma ida casual a um restaurante.

Quando Ljubomir Stanisic chegou pela estrada fora

A história do Feito no Zambujal ganhou ainda maior visibilidade quando recebeu Ljubomir Stanisic.

Em 2022, o Chef percorreu Portugal ao lado do músico Paulo Furtado, conhecido como The Legendary Tigerman, e do especialista em vinhos Nuno Faria, no programa Pela Estrada Fora, disponibilizado na Opto, a plataforma de streaming da SIC, e o encontro com os irmãos Jerónimo parece ter sido particularmente marcante.

Ljubomir destacou o Feito no Zambujal no programa e chegou mesmo a dizer que, na sua opinião, faziam provavelmente alguns dos melhores presuntos de Portugal.

A visita serviu também para mostrar todo o trabalho que existe antes da comida chegar à mesa e que é muito marcado pelo tempo. Tempo para os animais crescerem. Tempo para a carne ser transformada. Tempo para o fumo fazer o seu trabalho. Tempo para um presunto curar durante dois anos ou mais. E, finalmente, tempo para comer.

Se não tiveres pressa, passa ainda na galeria de imagens para conheceres este conceito familiar.

Feito no Zambujal
Localização: R. de Zambujal, 8970-392 Vaqueiros
Reservas: 968 460 094
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