Lisboa tem pequenas tascas que nos ficam na memória muito depois da última garfada. São lugares com travessas que chegam fumegantes à mesa e onde a conversa ecoa entre copos de vinho da casa.
Um desses segredos bem guardados é o Cantinho de São José, junto à Avenida da Liberdade. À primeira vista, é discreto, com uma porta simples, ambiente acolhedor, mesas próximas umas das outras. Mas basta sentarmo-nos para perceber que ali se cozinha com alma.
À frente do espaço está o proprietário e cozinheiro, António Silva, homem de poucas palavras e muitos tachos. Cresceu entre panelas, aprendeu as bases da cozinha tradicional com a mãe e nunca mais largou o receituário clássico português. No seu restaurante, faz questão de manter os sabores “como antigamente”, sem invenções desnecessárias (e talvez seja esse o segredo do sucesso).
O ex-líbris é o Arroz de Pato, servido em dose generosa, e que custa apenas €11, um valor cada vez mais raro na capital. Mas a ementa não se fica por aqui.
O Bacalhau à Brás, também a €11, apresenta-se cremoso, equilibrado no sal e com a batata palha envolvida no ovo na medida certa. Já a vitela assada, por €12,5, é tenra e suculenta, acompanhada pelas inevitáveis batatas assadas que absorvem o molho como manda a tradição.
Não há empratamentos minimalistas, há, sim, travessas de alumínio bem compostas, doses honestas e preços que convidam a voltar.
Num tempo em que Lisboa tem novos conceitos gastronómicos a cada esquina, espaços como o Cantinho de São José lembram-nos que ainda resistem tascas simples, com comida saborosa e genuína. Tal como mostramos na galeria de imagens.
