Provoloca pizza , Irmão Zap
Provoloca pizza , Irmão Zap | Fotografia: D.R.
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É irmão da Praia Irmão e chama-se Irmão Zap. Na família, é quem se safa com pizzas

Pode uma pizza contar uma história? E é mesmo preciso pertencer a Nápoles ou Roma para ser boa? As respostas são dadas no Irmão Zap.

É irmão da Praia Irmão e chama-se Irmão Zap (e é fã de pizzas)

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Entre dunas, areia, música, gastronomia e um ambiente pensado para prolongar os dias de verão, a Praia Irmão, na Costa da Caparica, tornou-se um dos espaços mais apetecidos dos últimos meses.

O projeto dos irmãos Nicolas, Romain e Virginie Sainte-Claire Deville envolve uma cozinha de matriz mediterrânica, com uma abordagem assente na simplicidade e na qualidade dos produtos, mas com espaço para influências mais exóticas. A carta inclui também pizzas artesanais, pizzas essas que acabariam por ganhar vida própria e dar origem a um novo conceito: o Irmão Zap.

O que começou por ser uma food truck, passou para um espaço permanente no Mercado de Campo de Ourique, onde abriu a primeira unidade fixa da marca em dezembro de 2025. Agora, o Irmão Zap também está presente no IDB Rooftop, numa parceria com a equipa do Mirari.

Mas o que oferece este irmão rebelde?

Se a Praia Irmão nasceu com os pés na areia, o Irmão Zap quer levar o seu espírito para a cidade. A relação entre os dois conceitos é assumida pela própria equipa, que vê o novo projeto como uma extensão natural daquilo que já fazia na Praia Irmão.

“Zap é a expressão em forma de pizza do espírito Irmão”, explicam à VERSA os irmãos Nicolas e Romain Sainte-Claire Deville.

A escolha da pizza não aconteceu por acaso. Para a equipa, é um dos alimentos mais universais e, sobretudo, um prato associado à partilha. É informal, generoso e feito para estar no centro da mesa — características que encaixam na identidade construída pelo Irmão.

“Se Irmão e Zap fossem irmãos, Irmão seria o mais velho: mais descontraído, um pouco rock and roll, sexy e provocador, com aquela mentalidade de praia, de slow living. Zap é o irmão mais novo. Mais rebelde, mais divertido e mais ligado à música, ao cinema e à cultura da internet.”

A ideia não é transportar literalmente a praia para Lisboa. É, antes, transportar a sua energia. “Zap não procura recriar a praia na cidade. Trata-se de levar essa mesma energia, generosidade e sentido de diversão para o dia a dia... uma pizza de cada vez.”

Uma massa entre Nápoles e Roma

A base do conceito está, naturalmente, na pizza. A massa é preparada com farinha biológica e fermenta durante 48 horas, antes de ser cozida num forno tradicional a lenha. E a que zona de Itália é fiel? Nenhuma.

“Nunca tivemos como objetivo fazer uma pizza puramente romana ou puramente napolitana. A nossa massa situa-se algures entre as duas, reunindo o que mais apreciamos em ambos os estilos: a leveza e o rebordo arejado de uma pizza napolitana, com um pouco mais de estrutura e crocância inspiradas na tradição romana", dizem Nicolas e Romain.

Isso não quer dizer que não respeitem a tradição italiana, só não ficam presos a ela e criam apenas aquilo que também pediriam.

"Isso significa pegar nos clássicos de que genuinamente gostamos e perguntar-nos como os podemos melhorar ainda mais, seja ao acrescentar pesto caseiro, criar o nosso próprio mel picante, introduzir texturas inesperadas ou selecionar cuidadosamente ingredientes premium. Cada receita tem de ser equilibrada, generosa e, acima de tudo, suficientemente deliciosa para nos deixar logo a pensar na próxima fatia".

E, entre todas as combinações, a que tem feito maior sucesso é, sem dúvida, a Diablota.

"Tornou-se uma das nossas pizzas mais vendidas. É inspirada na clássica Diavola, mas demos-lhe o toque Zap ao combinar ricotta cremoso com o nosso mel picante caseiro. É doce, picante, cremosa e incrivelmente viciante", descrevem os irmãos.

A criatividade transforma ainda outras pizzas clássicas, como a Carbonara, que recebe Parmigiano Reggiano crocante para acrescentar textura; a Provolone que se transforma em Provoloca, com presunto italiano de Parma e rúcula fresca; e a Regina ganha uma versão mais sofisticada na Queen Beach.

E a Williwaw? Não é um clássico, mas conta uma história.

Há uma história por detrás de cada pizza

A pizza Williwaw nasce de uma história curiosa.

"Antes de abrirmos a Praia Irmão, passámos algum tempo a navegar pelo mundo a bordo do nosso barco, Williwaw, no âmbito do projeto Sail for Water, sensibilizando para o acesso a água potável. Durante essa viagem, havia um ritual que nunca mudava. Sempre que chegávamos a um novo porto, procurávamos uma pizzaria local e pedíamos exatamente a mesma pizza: quatro queijos com chouriço. Anos mais tarde, ao criar Zap, pareceu óbvio recuperar essa memória. A pizza Williwaw não é apenas mais uma receita. É um lembrete de que algumas das melhores memórias nascem de momentos simples, a viajar devagar e partilhar comida", contam.

Mas este não é caso único.

"Muitas das nossas pizzas incluem pequenas referências ao universo Irmão. A Sauvage, por exemplo, deve o nome à marca de joias e chapéus criada pela mulher de Nico. Outras, como a pizza Irmão Zap, refletem simplesmente os sabores preferidos dos fundadores. Por detrás de cada nome, há uma pessoa, uma memória ou uma história com significado para nós", afirmam os fundadores.

Da pizza à focaccia — e além

Apesar de a pizza estar no centro do conceito, o Zap não quer ser apenas uma pizzaria. A carta pode incluir focaccias, hambúrgueres, wraps e propostas sazonais, sendo as focaccias, aliás, uma das apostas que mais rapidamente conquistaram o público.

Esta versatilidade resulta também da colaboração entre Rawezh Amin, pizzaiolo responsável pelo desenvolvimento das pizzas da Praia Irmão e do Irmão Zap, e Welder Silva, chef executivo da Praia Irmão. A dupla cruza conhecimentos de massas e pizzas com uma cozinha marcada pelos legumes grelhados, carnes e molhos caseiros.

O objetivo é aplicar a mesma lógica a diferentes formatos, reinterpretando pratos familiares sem lhes retirar o carácter reconfortante.

Nos bastidores, há ainda novas ideias em desenvolvimento, incluindo pratos de massa e propostas adaptadas a diferentes públicos, com opções vegetarianas e veganas.

No fundo, a regra é a mesma para tudo o que chega à ementa: “Se não nos entusiasmássemos com a ideia de o comer, não entraria na ementa.”

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