Quem percorre a Avenida Marginal que liga Lisboa a Cascais, com o Tejo em pano de fundo, pode não dar por ele. Mas a Casa do Fiscal, já em Paço de Arcos, um pequeno casebre há vários anos em ruínas, é agora um restaurante onde Miguel Laffan, um nome conhecido da gastronomia portuguesa, tem ambições de servir uma cozinha digna de estrela Michelin.
A aposta é da Wellow, um grupo empresarial português ligado a negócios nas áreas dos recursos humanos, outsourcing, energia e telecomunicações, que faz com este projeto a sua estreia numa nova indústria: a da restauração.
Miguel Laffan, natural de Cascais, até há pouco tempo estava à frente do restaurante do hotel Torre de Palma, no Alentejo, e tinha planos de se distanciar do fine dining. Mas depressa deu por si a acompanhar as obras de remodelação do Intemporal – como se chama o novo restaurante em que uma janela panorâmica sobre o Tejo faz as delícias de quem se senta na sala superior com apenas 14 lugares no andar superior (há um pequeno balcão no piso térreo com vista para a cozinha) – , depois de Paula Arez, a arquiteta responsável pelo projeto de reabilitação, ter sugerido o seu nome aos responsáveis do grupo.
Aqui, a oferta gastronómica é verdadeiramente sazonal. Miguel Laffan decidiu que são as estações que ditam o que chega ao prato, obrigando-o a um exercício de criatividade a cada quatro meses.
O menu de degustação de inverno é composto por cinco momentos que fazem alusão à passagem do tempo. Começa-se com um Prelúdio, segue-se a Passagem, Permanência, Demora e Eternidade. Os três snacks asiáticos (yakitori com gamba violeta, pão naan e molho holandês, uma sopa tom yam com coco, lima kaffir e galanga servida em shot e um bolinho de pato cozido a vapor) remetem para o trabalho de Miguel Laffan no passado e correspondem ao primeiro momento.
Segue-se uma Passagem em que se prova sashimi de lírio dos Açores, lima caviar e dashi, uma tempura de lula com shiso e caviar e chegamos finalmente à Permanência em que é servido um pão de massa mãe fumado em alecrim, manteiga do Pico e azeite de Trás-os-Montes.
A Demora leva-nos a vários territórios: o primeiro, um salmonete com berbigão e açorda de coentros e caldeirada de lula; o segundo prato é um caril Sorrak com coco, quiabo e balchão, de inspiração goesa, servido num prato feito pela mãe do chef. Continua-se a viagem com uns sabores do bosque em que os cogumelos, a papada e trufa e a gema fumada nos levam para a natureza e termina-se com uma presa de porco preto com batata e aioli.
A Eternidade é assegurada com três momentos pensados pela chef pasteleira Letícia Silva: um yuzo com baunilha e poejo, um chocolate negro, malagueta e amendoim. Para terminar há uma seleção queijos da Beira Baixa acompanhados por marmelo e amêndoa.
Atualmente, o menu de degustação tem o custo de €80 (devido a um preço de lançamento especial), excluindo as harmonizações de vinho (€45 - vinhos nacionais ou €90 - com referências internacionais) a cargo do sommelier Luís Feitarinha, que teve passagem por restaurantes como o Kabuki ou Alma.
Morada: Rua Vista Alegre, Paço de Arcos
Horário: Ter-sáb 12h30-15h e 19h30-23h
Tlf.: 968 432 288
Preço médio: €120 (menu de degustação sem harmonização de vinhos)
