Viajámos até à Áustria para conhecer o mundo encantado da cosmética natural e descobrir os segredos da Ringana
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Margarida Ribeiro
- 26 jun, 10:34
Podíamos ter ido até à Áustria para saber mais sobre Mozart, observar O Beijo de Gustav Klimt ou recriar a nossa cena favorita do Música no Coração, mas fomos para conhecer os segredos de uma marca pioneira na cosmética natural: a Ringana. Contamos-te tudo.
Os bastidores do mundo encantado da cosmética natural: o campus da Ringana
Escolhas VERSA: produtos Ringana
Para muitos, a Áustria significa música clássica, arte ou, quem sabe, wiener schnitzel — um dos pratos mais típicos e conhecidos do país. Já para a VERSA o país acaba por ser sinónimo de cosmética natural graças à Ringana, especialmente desde que fizemos uma visita ao campus da marca instalado em St. Johann in der Haide.
Chegar à sede da Ringana, rodeada de montanhas verdes, deu-nos a sensação de que estávamos a entrar no cenário do Música no Coração, o icónico musical de 1966 que tem as montanhas de Salzburgo — aquelas que Maria, a protagonista, sobe e desce vezes sem conta — como um dos principais cenários.
Foi neste cenário, a cerca de 1h30 da capital do país, Viena, em que a natureza salta à vista que encontrámos um edifício de tamanho considerável, onde são pensados, criados, produzidos, embalados e enviados os produtos da Ringana.
É um edifício de arquitetura moderna, mas foi construído de forma a ficar enquadrado com o local, algo que Ulla Wannemacher, a co-fundadora da marca, realçou durante a tour em que nos mostrou o espaço. Explicou ainda que os edifícios têm painéis solares e energia geotérmica para aquecer e refrescar. Pequenos detalhes que fazem todo o sentido para uma marca tão consciente como a Ringana.
Tudo começou com uma pasta dos dentes...
Em meados de 1996, o filho de Ulla e de Andreas Wilfinger, com quem fundou a Ringana, chegou a casa com uma pasta dos dentes oferecida na escola, numa daquelas ações de consciencialização para os mais novos. Quando leram o rótulo quiseram perceber o que eram todos aqueles ingredientes.
Andreas decidiu ir a uma biblioteca para saber mais, contou-nos no dia em que fomos conhecer o campus da marca. Rapidamente percebeu que as pastas eram feitas com "substâncias tóxicas". Andreas e Ulla ficaram chocados e decidiram escrever uma carta à Greenpeace sobre o assunto. Nunca tiveram resposta.
Como não ficaram satisfeitos decidiram arregaçar as mangas e assim nasceu a Ringana. Começaram pela skincare, neste caso para o rosto, um creme e um sérum. Também na altura adotaram três valores (ou pilares) essenciais que continuam a ser lei para a marca: frescura; excelência; e trendsetting.
Com os anos, a marca cresceu e criaram mais produtos para pele, mas também coisas diferentes, incluindo aqueles que conhecemos hoje em dia, como suplementos e bebidas funcionais.
30 anos depois continuam a crescer e a expandir-se para novos mercados, os mais recentes foram os LATAM, mais especificamente países como México e Perú. E, entretanto, chegaram também aos Estados Unidos.
"Estamos a crescer de uma forma orgânica", explicou o co-fundador. "Quando era mais novo nunca imagina que isto ia acontecer", acrescentou e querem "ter os próximos 10 anos como estes 10 anos que passaram".
Mas, claro, estas três décadas não foram perfeitas. Andreas é o primeiro a admitir que "mudaria muitas coisas". "Talvez não tenha sido boa ideia lançar suplementos para animais de estimação", confessou.
Garante também que a "pensar nos cosméticos tão frescos como alimentos" são "únicos".
E, agora, chega a melhor parte: os bastidores.
O mundo encantado da Ringana... por dentro
Ulla levou-nos a conhecer todo o campus desde o local onde produzem ao armazém de onde enviam os produtos e podemos dizer que nunca vimos nada assim. "Nós somos muito especiais", afirmou a empresária.
Começamos de uma forma pouco ortodoxa: pelo fim. Entrámos no local onde embalam os produtos e os colocam em camiões para serem transportados. É o MaterHub da marca e foi criado depois de 10 anos de testes. Trata-se de um espaço grande em que tecnologia e a mão humana coexistem, literalmente porque todos os produtos são colocados à mão nas embalagens de envio, um verdadeiro exercício. "Não precisamos de um ginásio para os nossos funcionários", afirmou Ulla.
Lá existem oito linhas de shipping e 64 packing stations. Mas, apesar de todo o processo ser fascinante, o que mais nos impressionou foi saber que os produtos só pode ficar neste local seis dias. Têm mesmo de ser enviados antes deste limite para garantir que chegam com qualidade aos clientes. Isto acaba por ser uma consequência — muito positiva por sinal — de usarem apenas materiais naturais.
"Seria mais fácil produzir muito, armazenar durante dois anos e ir enviado, mas esse não é o nosso conceito", explicou a co-fundadora. Por isso, na Ringana, apenas fazem seis a 10 produções por dia. Garantem assim uma alta rotatividade sempre para garantir a frescura dos seus produtos.
Também os materiais são comprados em quantidades pequenas para não comprometer a sua eficácia e, lá está, a qualidade, acrescentou.
Depois conhecemos, finalmente, alguns dos locais onde a magia acontece: a produção. É um processo rigoroso, em todos os sentidos da palavra. É também sempre controlado e, assim, conseguem saber exatamente quem fez e o que aconteceu em cada fase do produto.
Foi aqui que Ulla realçou ainda mais o crescimento da empresa. "Quando começamos tínhamos uma batedeira de 50 litros" e, agora, na área de produção têm duas com capacidade para três mil litros, assim como de 500 litros e de mil litros. "Mostram como a Ringana cresceu e deixam-nos orgulhosos."
Claro, estas batedeiras maiores são usadas para produtos vendidos em tamanhos maiores, como gel de banho e champô. Já outros produtos, como os séruns que estão disponíveis em embalagem de 15 mililitros, acabam por ser feitos de uma forma diferente e em quantidades mais pequenas.
E aqui até o processo de limpeza tem que se lhe diga. Não usam químicos. Limpam tudo com vapor e têm uma lavagem específica para ingredientes ácidos e alcalinos.
Também espreitámos o local onde engarrafam as quatro bebidas funcionais da marca. É outro processo rigoroso, mas, mesmo assim, conseguem fazer 9.600 garrafas por hora.
Para entrar nestas áreas, os funcionários têm de usar um fato específico que cobre completamente o corpo, ao estilo de Walter White na série Breaking Bad, mas aqui o produto final tem mais benefícios. Passam ainda por um air lock, um dispositivo que isola ambientes permitindo a passagem de gases ou líquidos sem deixar que o ar exterior ou que os contaminantes se espalhem. "Temos de estar o mais livre de poluentes possível", reforçou Ulla.
Depois, chegamos ao local onde o produto nasce, onde testes e experiências são feitos para criar um produto da marca. Em muitos casos criam um produto novo de raiz, mas também usam as suas fórmulas como base para a criação de novos cosméticos diferentes ou, simplesmente, melhores.
Percebemos nesta tour que a Ringana é uma verdadeira fábrica de ideias. "Todas as quintas-feiras fazemos uma reunião para novas ideias ou fórmulas", contou a empresária. Têm sempre produtos na linha de produção. "Nunca vamos ter poucas ideias", afirmou.
E os testes dos produtos em pessoas? Também são feitos in house
Para além de tudo isto, o campus da marca tem o seu próprio research center, onde fazem todos os testes para verificar a eficácia dos produtos criados. É um espaço clean, minimalista, como todo o campus da marca, na verdade. Lá ficamos na companhia de Elisabeth Wurzer, a responsável pelo research center da Ringana.
Existe uma pequena sala de espera, onde os voluntários — que se podem inscrever online para participar nestes estudos — aguardam durante cerca de 15 minutos e preenchem os documentos necessários.
Neste espaço, a marca controla a temperatura e a humidade para garantir que medem "apenas como os produtos afetam as pessoas", explicou.
Depois são acompanhados para uma das salas onde a sua pele é avaliada ao detalhe antes e depois de usarem os produtos em análise da Ringana.
Quando terminam preenchem um questionário sobre o produto desde os efeitos à textura e aplicação. Como a maioria dos voluntários tem de chegar com a cara lavada, a marca criou um pequeno stand, com produtos de maquilhagem para usarem antes de saírem.
Mas não ficámos por aqui...
Durante a tour descobrimos outros factos interessantes. Por exemplo, o Anti-Wrinkle Serum parece ser o produto mais vendido do momento, apesar de mudar regularmente", segundo Ulla Wannemacher. Também mencionou como sucesso de vendas d-eat, um substituto de refeição que ajuda a perder peso; o Hydro Serum; e o Skin Perfection, um produto que já testamos e sobre qual temos muito a dizer.
Que outras coisas aprendemos? Todos os produtos da marca são vegan. Por exemplo, encontraram uma alternativa para o colagénio, um ingrediente de origem animal, completamente feito com plantas. Também ficamos a saber que procuram materiais naturais de todo o mundo para usar nos seus produtos.
Para além de tudo isto, ainda descobrimos que estão prestes a lançar um novo sérum para olhos feito com um substituto de um dos ingredientes mais usados neste tipo de produtos, o esperma de salmão. Neste, será uma alternativa à base de plantas. É um lançamento para o qual estão muito entusiasmados.
Andreas considera esta novidade "revolucionária". "Os novos produtos são mesmo bons. É a primeira vez que digo isto", afirmou. Esta parte da história fica para outro dia...
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