"Nunca lançamos produtos simplesmente porque são populares": os segredos da Ringana, explicados pelo CEO
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Margarida Ribeiro
- 27 jul, 13:39
Estivemos na Áustria para conhecer os segredos da Ringana e aproveitámos para falar com Andreas Wannemacher, co-fundador e CEO, sobre o que a distingue das restantes e o que podemos esperar para o futuro.
No passado mês de junho, estivemos na Áustria, mais especificamente em St. Johann in der Haide, num cenário de montanhas verdes parecido com o de um filme, o Música no Coração, a explorar o Campus Ringana. É lá que nascem todos os produtos de bem-estar e cosmética natural da marca.
Durante a nossa visita, recebemos uma tour bem detalhada feita por Ulla Wannemacher, co-fundadora da Ringana, onde descobrimos várias coisas interessantes sobre a marca, incluindo o que motivou a sua criação. Tudo começou com uma pasta de dentes que o filho de Ulla e do seu co-fundador, Andreas Wannemacher, recebeu na escola. Tinha uma lista de ingredientes extensa que os fez questionar a necessidade de certas substâncias e, eventualmente, criaram a Ringana, como uma forma de oferecer alternativas mais naturais para a rotina diária.
Para além disto, assistimos a diferentes talks sobre temas importantes para a área dos cosméticos, como tendências, sustentabilidade e longevidade, entre as quais uma liderada por Wannemacher, sobre o que torna a Ringana numa marca única.
E, como não podia deixar de ser, a VERSA aproveitou o momento para falar com o CEO sobre as origens da marca e os planos para o futuro, mas também para esclarecer algumas dúvidas relacionadas com os ingredientes usados, os produtos e as novidades entusiasmantes que estão para chegar.
Sabemos que a ideia de criar a marca surgiu devido ao incidente da pasta de dentes. Já eram uma família consciente antes disso? Já se interessavam por sustentabilidade e por produtos naturais?
Sem dúvida. O incidente da pasta de dentes foi o gatilho, mas não o início da nossa mentalidade. A saúde e um estilo de vida consciente sempre desempenharam um papel importante nas nossas vidas. O meu pai foi um dos pioneiros do movimento de saúde na Áustria, por isso cresci rodeado de discussões sobre nutrição, ingredientes naturais e bem-estar holístico. Isso moldou certamente a minha forma de pensar desde muito cedo.
A Ulla e eu sempre quisemos compreender o que estávamos a aplicar na nossa pele e a introduzir no nosso corpo. A sustentabilidade não era uma tendência naquela altura — era simplesmente senso comum para nós. Esta convicção pessoal tornou-se a base da Ringana.
Quando finalmente criaram a Ringana, quais eram as vossas expectativas?
Para ser sincero, não tínhamos um grande plano de negócios para construir uma empresa internacional. O nosso objetivo era muito mais simples: criar produtos nos quais acreditássemos verdadeiramente e que nós próprios usaríamos. Se os clientes os apreciassem tanto quanto nós, sabíamos que estávamos no caminho certo. Tudo o que se seguiu foi construído passo a passo.
Quando fizemos a tour pelo espaço, a Ulla contou que um produto para o cuidado da pele foi a primeira aposta da Ringana. O que o levou a querer começar por aí?
A pele é o nosso maior órgão e a primeira linha de contacto com o mundo exterior. Acreditávamos que a frescura e os ingredientes vegetais altamente ativos poderiam fazer uma diferença real no cuidado da pele. Além disso, isso refletia na perfeição a nossa filosofia de utilizar o mínimo possível de aditivos desnecessários.
Qual foi o produto mais complexo ou difícil de criar ao longo destes 30 anos?
É difícil destacar apenas um, porque cada produto verdadeiramente inovador apresenta novos desafios. Os nossos produtos de proteção solar, por exemplo, são altamente complexos, pois têm de combinar proteção UV eficaz, compatibilidade com a pele, sustentabilidade e a nossa filosofia de frescura. Adoramos este tipo de desafios, porque impulsionam a inovação.
Qual é a matéria-prima mais difícil de obter?
Os ingredientes mais difíceis de obter são, normalmente, aqueles que apresentam os requisitos de qualidade mais elevados. Adquirimos muitos extratos vegetais cuja disponibilidade depende das condições de colheita, do clima e da disponibilidade. Preferimos adiar a produção a comprometer a qualidade.
Ser uma marca vegana sempre foi algo importante?
Sim. Desde o início que queríamos desenvolver produtos baseados inteiramente em ingredientes vegetais. Isso reflete os nossos valores, a nossa responsabilidade ambiental e a nossa convicção de que a natureza oferece soluções excecionais quando combinada com a ciência moderna.
"Poupar energia, reduzir o desperdício, otimizar a logística e conceber melhores processos de produção são medidas que beneficiam tanto o ambiente como a empresa."
Que ingredientes nunca seriam usados num produto da Ringana?
Nunca encontrará óleos minerais, silicones, conservantes sintéticos, fragrâncias sintéticas, corantes sintéticos, PEGs ou microplásticos nas nossas fórmulas. Também evitamos enchimentos desnecessários e ingredientes que não contribuem para o desempenho do produto.
Cada ingrediente tem de justificar a sua presença, proporcionando um benefício real para a pele ou para o corpo. Se não acrescentar valor, não tem lugar num produto Ringana.
Então, na sua opinião, quais são os principais sinais de alerta num rótulo de produtos cosméticos?
Quando as listas de ingredientes são desnecessariamente longas, contêm muitos aditivos sintéticos ou fazem promessas exageradas sem transparência. Os consumidores devem compreender o que estão a comprar e por que razão cada ingrediente está presente.
Durante a visita ao campus, referiu que ser sustentável pode ser dispendioso. Mas será que, de alguma forma, também pode ser mais rentável?
Sem dúvida. A mentalidade sustentável exige, muitas vezes, investimentos iniciais mais elevados, mas, a longo prazo, gera eficiência. Poupar energia, reduzir o desperdício, otimizar a logística e conceber melhores processos de produção são medidas que beneficiam tanto o ambiente como a empresa. A sustentabilidade e o sucesso económico não são opostos — quando bem aplicados, reforçam-se mutuamente.
Já sabemos que a frescura é um dos aspetos mais importantes para a Ringana. Como garantem a qualidade dos produtos quando são transportados para destinos mais longe da Áustria, como a América do Sul e até mesmo Portugal?
A frescura é a razão pela qual construímos toda a nossa empresa de forma diferente. Produzimos de forma contínua, em vez de em grandes lotes, e dispomos de uma logística altamente otimizada. Os produtos saem da nossa unidade de produção pouco tempo depois de serem fabricados e chegam aos clientes muito rapidamente. À medida que nos expandimos internacionalmente, também adaptamos a nossa logística — e é exatamente por isso que estamos agora a investir na produção local nos Estados Unidos (EUA).
"Os consumidores portugueses valorizam a autenticidade, a transparência e os produtos com uma filosofia clara."
Por falar em Portugal, o que o levou a querer trazer os produtos da Ringana para cá?
Portugal é um mercado muito dinâmico, com consumidores que valorizam cada vez mais a saúde, a qualidade e a sustentabilidade. Vimos pessoas que apreciam a autenticidade e os produtos de alta qualidade com uma filosofia clara, o que se encaixa na perfeição com a Ringana.
Como descreveria o mercado português e os portugueses?
Muito abertos, acolhedores e exigentes em termos de qualidade. Os consumidores portugueses valorizam a autenticidade, a transparência e os produtos com uma filosofia clara. Observamos um interesse crescente por soluções de alta qualidade à base de plantas que combinem eficácia com sustentabilidade.
Quais são os best-sellers em Portugal?
Os produtos mais vendidos em Portugal são, neste momento, o sérum antirrugas FRESH, o desodorizante FRESH e o produto de limpeza FRESH.
E agora que estão a entrar no mercado dos EUA. Quais são as expectativas? Que aspetos da mentalidade americana gostariam de mudar?
Os Estados Unidos são um dos mercados mais empolgantes do mundo no que diz respeito à saúde e ao bem-estar. Não queremos mudar a mentalidade americana. Queremos oferecer uma alternativa, uma nova perspetiva sobre cosméticos e suplementos baseada na transparência, na qualidade e na inovação responsável. Se conseguirmos inspirar as pessoas a prestarem mais atenção aos ingredientes e à frescura dos produtos, já teremos alcançado muito.
Está nos vossos planos abrir lojas da Ringana? E, num mundo ideal, como gostariam que fossem?
Temos uma única loja, no Campus Ringana, e estamos muito satisfeitos com ela, porque permite aos visitantes conhecerem a nossa marca e a nossa filosofia em primeira mão.
No entanto, em geral, o conceito de frescura não é compatível com uma loja de retalho tradicional. Os nossos produtos são fabricados em pequenos lotes e entregues o mais frescos possível. É por isso que abrir uma rede de lojas nunca fez parte da nossa estratégia. Preferimos investir em manter os nossos produtos o mais frescos possível do que em colocá-los nas prateleiras durante longos períodos de tempo.
Tem falado sobre o quanto estão entusiasmados com os novos produtos para os olhos. O que vos deixa tão entusiasmados?
A zona dos olhos é uma das áreas mais exigentes dos cuidados com a pele. Conseguimos desenvolver uma fórmula excecionalmente concentrada que combina a investigação de ponta sobre ingredientes com a nossa filosofia de frescura. O resultado é um produto que oferece resultados visíveis e que entusiasma verdadeiramente os nossos clientes.
A ideia de os criar surgiu da sua experiência pessoal?
Tal como muitas das nossas inovações, tudo começou por perguntarmos, tanto aos nossos clientes como a nós próprios, que tipo de produto gostaríamos realmente de utilizar. Desenvolvemos produtos para satisfazer necessidades reais, não para seguir tendências efémeras. É assim que garantimos que as nossas inovações proporcionam um valor duradouro, em vez de um entusiasmo passageiro.
Nunca lançamos produtos simplesmente porque são populares ou porque são esperados."
Hoje em dia, a Ringana já abrange todas as áreas do bem-estar. Alguma vez pensariam em expandir o catálogo para além disso? Por exemplo, as fragrâncias seriam um mundo que gostariam de explorar?
Perguntam-nos frequentemente se iremos expandir-nos para categorias como os cosméticos decorativos ou as fragrâncias. Embora sejam mercados aliciantes, não se enquadram na nossa filosofia de frescura.
A nossa abordagem sempre foi desenvolver produtos em que a frescura crie um verdadeiro valor acrescentado. Os cosméticos decorativos e as fragrâncias seguem princípios muito diferentes e, por isso, não seriam uma extensão natural do que a RINGANA representa hoje.
Nunca lançamos produtos simplesmente porque são populares ou porque são esperados. Cada nova categoria tem de ser fiel à nossa filosofia e oferecer algo genuinamente diferente. Se não for esse o caso, preferimos manter-nos focados naquilo que fazemos melhor.
Se fundassem a Ringana agora, fariam alguma coisa de forma diferente?
A tecnologia mudou imenso, por isso, naturalmente, aproveitaríamos desde o início as possibilidades que temos hoje. Mas a ideia central continuaria exatamente a mesma: frescura, eficácia, sustentabilidade e a coragem de desafiar o status quo.
O que destacaria dos últimos 30 anos?
Não um único produto ou marco, mas o facto de nunca termos deixado de nos questionar. Melhorámos continuamente os nossos produtos, investimos em investigação, expandimo-nos internacionalmente e mantivemo-nos fiéis à nossa filosofia. Essa consistência é, provavelmente, a nossa maior conquista.
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