Anjuna
Evasão

“Where is my f*cking yacht?”

No Anjuna no final da noite não são poucos os que saem de lá sem saber onde nasceram.

Se há coisa pela qual o sul de França é popular, é pelos seus animados e sofisticados clubes de praia. Desenganem-se aqueles que pensam que estes se limitam a Saint Tropez ou a Cannes, até porque se avançarem na costa em direção a Itália, e a apenas 10 minutos do Mónaco, vão chegar a Eze-sur-mer, uma pequena vila costeira onde a água é turquesa e cristalina.

Aqui fica a espetacular casa de praia do Bono Vox dos U2, bem como um dos clubes mais animados da Côte Azur: o Anjuna. Não é de espantar que ali se apinhem tantos iates no Verão. Um espaço cujos tons da decoração balinesa combinam com o do mar aos seus pés. No seu interior, e num espaço totalmente aberto, esculturas asiáticas misturam-se com as inúmeras flores que dão vida ao lugar; numa verdadeira homenagem ao mar, todas as cadeiras e mesas existentes foram feitos com a madeira de antigos barcos de pescadores e claro, o peixe fresco é um dos pratos principais. Se o local lhes parece demasiado chill à primeira vista, esperem para ver o que acontece ao fim-de-semana, quando o restaurante enche: festa total. Quando digo isto, falo de festa num nível de animação que raramente se encontra por aí.

Ao longo de uma tarde, por exemplo, o espaço tanto pode ser invadido por “índios”, como por “polícias”, “motards” ou “surfistas” que fazem a festa. Se for o seu aniversário é possível que seja convidado a chegar ao seu lugar como pendura numa Harley Davidson que atravessa o espaço, não como se estivesse entre mesas, mas como se pisasse alcatrão. Mas pode também acontecer de chegar à sua mesa deitado numa prancha de surfe carregada por índios. Ou quem sabe não acaba algemado por algum agente da lei sexy ao som de um DJ da moda? Não espanta que rapidamente os frequentadores deste clube fiquem ao rubro e acabem em cima das mesas, ou pendurados nas vigas de madeira que sustêm o espaço.

E se pensam que estou a falar de jovenzinhos de vinte anos, não estou. Não há limite de idade para se ser feliz no Anjuna, nem para perder o barco com o apagão que o excesso de festa pode causar nos mais incautos. Não é à toa que o claim do Anjuna é: “Where is my f*cking yacht?”, frase que pode encontrar estampada nas inúmeras t-shirts e chapéus à venda na lojinha da entrada. Porque não são poucos os que saem de lá sem saber onde nasceram. E sim, há quem já tenha perdido o barco assim.

Ainda na mesma praia, mas num registo totalmente diferente, podem ainda conhecer o recém-aberto clube Da Rossana alla Spiagia. A proprietária dá o nome ao espaço que, como já devem desconfiar, é de origem italiana, tal como os pratos que servem. Um dos grandes fãs da sua comida é o vizinho Bono Vox, que já frequentava o seu restaurante original (Da Rossana) antes mesmo de ser “do bairro”. Aqui todos se sentem parte da família, até porque como os dois filhos da Rossana (Andrea e Melania) trabalham com a mãe, um deles está sempre lá para receber quem chega.

Adoro as noites aqui, sobretudo as de lua cheia, onde a proximidade com o mar, que mais lembra um espelho nas noites calmas, nos faz ter a sensação de estar a jantar em alto mar. É o setting ideal para um jantar a dois. Foi numa noite perfeita dessas que aconteceu a abertura deste espaço e posso dizer que foi único estar ali a assistir a um concerto do badalado Alessandro Ristori, grande showman que canta hits italianos dos anos 60 e 70 e que atua nos melhores clubes do Monaco (Twigga), Dubai (Billionaire Mansion) e Londres (Annabel’s), conhecido pela sua “ginga” de anca, mas também pelo seu guarda-roupa vintage, fornecido em exclusivo pela Gucci. O cantor foi ali de propósito para celebrar o momento com a sua amiga Rossana e os seus convidados ao som da sua música.

Se quiserem imaginar como foi, ponham Pensiero Estupendo, do Alessandro, no vosso Spotify e sonhem com uma noite perfeita de Verão.

Maria João Costa (@mjcarioca) • Instagram photos and videos

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