Antes de Roberto se tornar uma lenda, trabalhava numa fábrica de roupa com 11 anos
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Rafaela Simões
- 7 jul, 08:21
A história de Roberto Carlos é inspiradora. Começou a trabalhar aos 11 anos e acabou a ter uma carreira de sucesso no futebol. Contamos tudo sobre o brasileiro.
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As histórias mais marcantes do desporto por vezes nascem em cenários humildes, onde o talento caminha lado a lado com o sacrifício e a persistência. Cristiano Ronaldo é um desses exemplos a nível mundial, mas não o único. A vida de Roberto Carlos, antigo internacional brasileiro, é mais uma dessas histórias inspiradoras.
Numa entrevista recente no podcast El Cafelito, de Josep Pedrerol, Roberto Carlos falou da sua infância, marcada por uma rotina exigente para alguém que ainda era apenas uma criança. Aos 11 anos já trabalhava ao lado do pai numa fábrica de roupa, num horário que começava às 06h e terminava às 10h. Só depois podia dedicar-se ao futebol, o sonho que começava lentamente a ganhar forma.
A logística diária era quase uma prova de resistência. O pai levava-o de bicicleta até ao trabalho e, pelo caminho, faziam uma paragem numa padaria para comprar uma sandes que servia de pequeno-almoço e almoço improvisado. Depois do turno na fábrica, seguia-se o treino. No final da tarde, regressava a casa para voltar ao trabalho até às dez da noite. Esta rotina repetiu-se durante cerca de três anos.
Para contribuir para o sustento da família, Roberto Carlos acabou por deixar os estudos. Ainda assim, nunca abandonou o futebol. Pelo contrário, conciliou o emprego com os treinos, alimentando a esperança de que o desporto pudesse abrir-lhe portas para um futuro diferente.
A simplicidade que aprendeu em casa nunca desapareceu. O antigo jogador recorda frequentemente que foi o pai quem lhe transmitiu valores como a disciplina, a humildade e a responsabilidade. Essa educação ficou evidente quando recebeu o primeiro salário como futebolista. Em vez de gastar o dinheiro consigo próprio, decidiu comprar uma máquina de lavar roupa para a mãe, que até então lavava a roupa à mão, e uma bicicleta nova para o pai.
"Uma bicicleta, não um carro", recordou, sublinhando que esses gestos tinham muito mais significado para a família do que qualquer luxo.
Aos 13 anos, Roberto Carlos deixou a casa dos pais para integrar o União São João, onde viveu com outros jovens jogadores e, apesar da mudança precoce, nunca esqueceu as origens. Continua a recordar com nostalgia a aldeia onde cresceu, a convivência com os primos, a igreja, a praça e a avó, que desempenhou um papel importante na sua educação enquanto a mãe trabalhava.
Do União São João deu o salto para o Palmeiras, clube no qual confirmou o enorme potencial. As exibições abriram-lhe as portas da Europa, primeiro através do Inter de Milão e, pouco depois, do Real Madrid.
Foi ao serviço do clube espanhol que teve uma das fases mais brilhantes da carreira. Ao longo de 11 temporadas, disputou 527 jogos, marcou 69 golos e conquistou três Ligas dos Campeões e quatro campeonatos espanhóis, tornando-se um dos jogadores mais emblemáticos da história do clube.
Hoje em dia, Roberto Carlos continua ligado ao futebol, exercendo funções institucionais e de representação do Real Madrid. Mas, durante o Mundial da FIFA World Cup 2026, é claro que está do lado do Brasil. E, por falar em mundial, recordamos na galeria de imagens alguns dos momentos da competição.
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