Rosalía, a artista catalã que revolucionou o flamenco com eletrónica e pop, regressa com Lux, o seu quarto álbum de estúdio e, talvez, o mais ambicioso até agora. Cansada de um panorama musical centrado em intrigas de celebridades e dramas de bastidores, Rosalía vira-se para algo bem mais elevado: a espiritualidade, o misticismo feminino e as histórias de santas que desafiaram o mundo terreno.
"Estou cansada de ver pessoas a falar de celebridades e celebridades a falar de outras celebridades", diz a cantora, citada pelo The Guardian. "O que me entusiasma mesmo são as santas", afirmou ainda. Lux é uma viagem pelas vidas de dezenas de mulheres canonizadas, mártires e visionárias, figuras que, entre o sagrado e o profano, encontraram redenção através da rebeldia, da arte e da fé.
O primeiro grande destaque de Lux é Berghain, uma homenagem à lendária discoteca de Berlim que dá nome ao tema. Mas, como é típico em Rosalía, o título é apenas o ponto de partida para algo mais profundo. A canção, gótica e operática, inspira-se na vida de Hildegard von Bingen, uma abadessa alemã do século XII conhecida pelas suas visões místicas e composições que ainda hoje ecoam na música experimental.
Em Berghain, Rosalía mistura esse imaginário medieval com o pulso moderno do techno berlinense, sendo o resultado uma peça hipnótica, cantada em espanhol, alemão e inglês, que atravessa fronteiras sonoras e linguísticas com a mesma naturalidade com que Rosalía atravessa géneros.
O videoclipe, realizado por Nicolas Méndez, é uma obra surreal, na qual vemos Rosalía a passar a ferro perante uma orquestra e, mais à frente, transforma-se numa Branca de Neve rodeada de animais ─ uma visão quase litúrgica, entre o conto de fadas e a alucinação pop. Entre os convidados especiais estão Björk e Yves Tumor, dois artistas que partilham com Rosalía o gosto por explorar territórios musicais inclassificáveis.
Este novo álbum, Lux, confirma, mais uma vez, que Rosalía continua a reinventar o pop à sua imagem.
