Já ouviste falar de Roselyn Silva? É melhor decorares o nome desta designer de moda. Nasceu em São Tomé e Príncipe, mas, com apenas quatro anos, mudou-se para o nosso país à beira mar plantado.
Nunca esqueceu as suas raízes e, em meados de 2015, ao criar a sua própria marca decidiu apostar (algo que continua a fazer) em criações que destacam os prints e tecidos de inspiração africana, conjugando-os com a energia cosmopolita de Lisboa.
E, agora, no ano em que celebra o seu 10.º aniversário, integra, pela primeira vez, o calendário da ModaLisboa. Nas vésperas da sua grande estreia, marcada para quinta-feira, 2 de outubro, a VERSA esteve à conversa com a designer sobre as suas origens, a nova coleção e o futuro.
Como começou o teu caminho no design de moda?
Começou com a paixão pelos tecidos, pelas cores, pelos padrões que me ligam às minhas raízes africanas. Com o tempo, esse impulso inicial transformou-se numa linguagem própria que hoje define o ADN da Roselyn Silva.
O que sentes ao viver a tua primeira experiência na ModaLisboa?
Sinto-me muito grata e emocionada. Este é o palco certo para celebrar uma década de percurso e mostrar ao público como a marca cresceu, amadureceu e continua a reinventar-se.
O que significa este momento para ti, a nível pessoal e profissional?
É uma consagração. Pessoalmente é um orgulho trazer a minha identidade africana e lusófona para um evento de referência em Portugal. Profissionalmente, é um passo que marca esta nova fase da marca, em que celebramos 10 anos de história com uma coleção que olha para o futuro.
Gosto de criar esse diálogo entre tradição e inovação, entre identidade e sofisticação contemporânea."
O que podemos esperar do desfile? Estás a preparar algo especial?
Podem esperar uma celebração. É a primeira vez que a marca está na ModaLisboa, e para mim é simbólico que aconteça no ano em que celebramos 10 anos de história. O público vai ver dez coordenados que transitam entre ousadia e sofisticação, sempre com o ADN da marca presente.
Mas o especial estará no diálogo que criei: peças statement em afro e clássicos em tecidos lisos. É esse jogo inesperado que quero partilhar - tradição e inovação lado a lado, como um reflexo da minha própria jornada.
Que referências mais te marcam no teu trabalho?
A cultura africana é a minha base, mas também Lisboa, a sua energia cosmopolita e a ligação entre mundos. Gosto de criar esse diálogo entre tradição e inovação, entre identidade e sofisticação contemporânea.
Podes contar-nos um pouco sobre esta coleção?
Chama-se "Legacy Part II". É a continuidade de um percurso que revisita best-sellers da marca, dando-lhes novas proporções, volumes e tecidos. Trabalhei pele, veludo e novas texturas de seda, sem nunca deixar de lado o ADN da marca.
A marca é feita de identidade, mas também de evolução constante."
Porque sentiste a necessidade de dar continuidade a esta coleção, a Legacy, e não em começar uma nova e diferente? Que best-sellers vamos (re)encontrar nesta Part II?
A "Legacy Part II" nasce de uma vontade de revisitar o caminho feito. Legacy representa maturidade, crescimento, transformação. Mais do que lançar algo totalmente novo, senti que era o momento de olhar para trás e reinterpretar best-sellers que marcaram a identidade da marca nestes 10 anos. Peças icónicas surgem agora com novas proporções, volumes e materiais. É uma forma de honrar o passado e ao mesmo tempo apontar para o futuro.
Que tipo de tecidos e técnicas usas para as tuas criações? Alguma coisa que destaques neste processo?
Nesta coleção trabalhei materiais que trazem novas linguagens - pele, veludo e diferentes texturas de seda. Eles convivem com os prints e tecidos de inspiração africana que são a essência da marca.
Gosto de pensar no processo como uma fusão: técnicas de alfaiataria cuidadosa, que dão estrutura e elegância, misturadas com a ousadia dos padrões e a fluidez das texturas.
O que esperas que o público leve consigo depois de ver o desfile?
Espero que sintam a força de uma mulher cosmopolita e internacional que pode usar estas peças em qualquer latitude. E que percebam que a marca é feita de identidade, mas também de evolução constante.
ModaLisboa é apenas o início de uma nova década de conquistas."
Como é ser designer em Portugal? Que oportunidades e desafios tens sentido aqui?
Portugal é fértil em criatividade e talento, mas também desafiante em termos de escala e projeção. É preciso criar oportunidades e sonhar além-fronteiras. Para mim, o desafio tornou-se motor de crescimento.
Que próximos passos imaginas para a tua carreira após esta estreia?
Quero expandir a marca internacionalmente, reforçando esta ponte entre África, Portugal e o mundo. ModaLisboa é apenas o início de uma nova década de conquistas.
