Aos 19 anos, Martim criou uma marca inspirada num mosaico da casa da avó para fazer diferente no mundo da moda
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Rafaela Simões
- 4 ago, 19:11
Martim Campos tem 21 anos e uma marca de roupa. Quer dizer. "A Limitless representa muito mais do que roupa", afirma em entrevista à VERSA.
Limitless: a marca portuguesa que se inspira na costa portuguesa e na liberdade
Segue a tendência Sailorcore inspirado no universo marítimo
Os jovens empreendedores portugueses estão a provar que a idade já não é um obstáculo para criar projetos ambiciosos. Na moda, um dos setores mais competitivos, há quem procure destacar-se não por seguir tendências, mas por construir um conceito próprio. É o caso da Limitless, marca portuguesa fundada por Martim Campos em 2024, quando tinha apenas 19 anos.
Apaixonado por empreendedorismo e moda, o jovem sentia que faltava no mercado uma marca com a qual se identificasse verdadeiramente. Foi essa convicção que o levou a criar a Limitless, um projeto inspirado no estilo de vida da costa portuguesa, no verão e nos momentos partilhados entre amigos.
Um ano depois, decidiu reinventar completamente a marca e elevou a aposta na qualidade das peças. Hoje, a Limitless procura afirmar-se como mais do que uma marca de roupa: quer criar uma comunidade e representar um estilo de vida.
Mas como nasceu esta transformação e quais são os planos para o futuro? É isso que Martim Campos, agora com 21 anos, nos vai contar.
Criaste a Limitless aos 19 anos. O que te levou a avançar numa área tão competitiva como a moda?
Desde muito novo que tenho interesse por negócios e pelo empreendedorismo. Sempre gostei de ter ideias, de criar projetos meus e de tentar perceber como é que uma ideia pode tornar-se em algo real.
Ao mesmo tempo, sempre gostei de roupa e de moda. Gostava de observar a forma como as pessoas se vestiam, de encontrar peças bem desenhadas, com qualidade e com uma identidade própria. No entanto, sentia que me faltava encontrar uma marca com a qual me identificasse verdadeiramente. Parecia que grande parte do mercado estava a seguir a mesma estética e a apresentar propostas muito semelhantes.
Foi precisamente aí que encontrei espaço para a Limitless. Quis criar aquilo que eu próprio sentia que faltava: uma marca diferente, com personalidade, ligada ao nosso estilo de vida e capaz de representar muito mais do que apenas roupa. A competição nunca me afastou da ideia. Pelo contrário, deu-me ainda mais vontade de construir algo que tivesse realmente uma razão para existir.
Sendo um empreendedor tão jovem, quais foram os maiores desafios que enfrentaste?
O primeiro grande desafio foi começar. Existe muito a ideia, sobretudo nas redes sociais, de que é possível criar um negócio e alcançar o sucesso de um dia para o outro. Quando entramos verdadeiramente neste mundo, percebemos rapidamente que isso não existe. É necessário muito trabalho, persistência e, acima de tudo, consistência, que, muitas vezes, é a parte mais difícil de manter.
Também tive de aprender praticamente tudo desde o início. Quando pensamos em criar uma marca, começam a surgir inúmeras perguntas: como se cria uma empresa, como se desenvolve um produto, como se prepara uma campanha, como se constrói um website, como se faz uma ficha técnica ou como funciona uma linha de produção?
Passei, e continuo a passar, muitas horas, dias e noites a aprender. Algumas coisas aprendi sozinho e outras com a ajuda de pessoas incríveis que fui encontrando pelo caminho. Mas essa aprendizagem é também uma das partes de que mais gosto. Fascina-me compreender todo o processo, desde uma primeira ideia até ao momento em que a peça chega às mãos de alguém.
Claro que existem dificuldades, mas, quando existe uma ligação verdadeira ao projeto, os desafios também tornam o percurso mais interessante. É necessário manter a cabeça clara, estar disponível para aprender e tomar decisões com calma, mesmo nos momentos de maior pressão.
Em 2025, decidiste fazer tudo de novo. O que sentias que não estava a funcionar na versão inicial da marca e o que mudou com o rebranding?
Na versão inicial, a Limitless ainda não tinha uma identidade suficientemente clara. Existia uma mensagem, mas era demasiado genérica e não estava verdadeiramente ligada àquilo que eu queria representar.
No início, a marca tinha uma abordagem muito mais próxima daquilo que várias outras marcas estavam a fazer naquele momento. A moda estava bastante concentrada em determinadas estéticas e começava a existir uma grande saturação: muitas marcas pareciam semelhantes e, enquanto consumidor, sentia frequentemente que estava sempre a comprar no mesmo lugar.
Quando comecei a encarar a Limitless como um projeto realmente sério, percebi que a marca não estava alinhada comigo. Parei e pensei: “Isto ainda não é aquilo que quero construir.” Foi nesse momento que se tornou urgente redefinir a identidade, a mensagem, o produto e toda a direção criativa.
O rebranding não foi apenas uma alteração visual. Foi uma transformação completa na forma de pensar a marca. A coleção Modern Royalty marcou essa transição entre a antiga e a nova Limitless, preservando parte da história, mas apresentando uma identidade muito mais definida.
O próprio produto evoluiu. Passámos de peças estampadas para peças 100% algodão e totalmente bordadas, com uma maior atenção à qualidade, aos detalhes e à forma como cada elemento comunica a identidade da marca.
Hoje sinto que a Limitless está finalmente alinhada com aquilo que quero transmitir: Portugal, a costa, a música house, os finais de tarde, o verão e os momentos partilhados com amigos.
De que forma o verão e a costa portuguesa transitam para as coleções da marca?
A resposta mais simples é que fazem parte do nosso estilo de vida. Por vezes, gosto de definir a identidade da Limitless como uma espécie de costa urbana: a transição entre a vida na cidade e a liberdade da praia, do verão e dos momentos vividos junto ao mar.
Essa identidade aparece nas peças através das cores, das referências visuais, das histórias por detrás de cada design e até dos próprios nomes das peças. O azul representa o mar e a costa portuguesa. O branco está presente na luz, no sol, na arquitetura e em muitas das paisagens do nosso país.
Uma das referências mais importantes surgiu de uma forma muito pessoal. Estava em casa da minha avó quando reparei num mosaico e pensei que aquele elemento poderia resultar muito bem numa peça. A partir daí, comecei a desenvolver vários conceitos e passei dias e noites a trabalhar até chegar ao design final.
Quando vi as peças concluídas, senti que tinha encontrado aquilo que procurava. Não era apenas um elemento visual bonito: era uma referência a Portugal, à minha história e à identidade que queria construir para a Limitless.
O que distingue a Limitless de tantas outras marcas que surgem nas redes sociais?
Acredito que a principal diferença é não querermos ser apenas mais uma versão daquilo que já existe. Durante algum tempo, muitas marcas fecharam-se dentro de conceitos e estéticas muito semelhantes. Surgiam novas marcas, mas, muitas vezes, a sensação era a de estarmos sempre a ver ou a comprar a mesma coisa.
A Limitless procura ocupar um espaço diferente. A nossa identidade cruza a cidade com a costa, a moda com a música, e as peças com os momentos em que são usadas. Não queremos limitar-nos a uma categoria rígida nem seguir uma tendência apenas porque está a funcionar naquele momento.
Existe uma ligação muito forte a Portugal, ao verão, à house music, aos sunsets, à praia e aos momentos com amigos. Essa combinação faz parte da nossa personalidade e está presente tanto nas peças como nas campanhas, nos eventos e na comunicação.
Mais do que vender roupa, queremos construir um universo reconhecível. O objetivo é que alguém veja uma imagem, uma campanha ou um design e consiga sentir que pertence à Limitless, mesmo antes de encontrar o nome ou o logótipo.
Até que ponto plataformas como o Instagram e o TikTok são determinantes para o sucesso da tua marca?
Atualmente, são absolutamente determinantes. É muito difícil imaginar a criação e o crescimento de uma marca sem redes sociais. São a principal forma de apresentarmos as peças, contarmos a nossa história e chegarmos a pessoas que, de outra maneira, provavelmente nunca conheceriam a Limitless.
Ao mesmo tempo, existe uma concorrência enorme. Todos os dias surgem novas marcas, novos conteúdos e milhares de estímulos, por isso conseguir captar a atenção e transmitir confiança não é simples. No comércio online, essa confiança é especialmente importante, porque muitas pessoas ainda se sentem mais confortáveis a comprar presencialmente.
Ainda assim, acredito que o comércio eletrónico vai continuar a crescer. É uma consequência natural da evolução da tecnologia e da forma como os nossos hábitos de consumo estão a mudar.
Sem o Instagram e o TikTok, o nosso percurso seria muito mais difícil. Mas também acredito que não basta publicar conteúdos. As redes sociais podem apresentar uma marca às pessoas, mas aquilo que as faz permanecer é a autenticidade, a qualidade do produto e a consistência da identidade.
Qual é a mensagem da Limitless?
A Limitless representa viver verdadeiramente e criar momentos que ficam connosco. Queremos incentivar as pessoas a fazerem alguma coisa com significado, a deixarem a sua marca e a não se limitarem por aquilo que os outros esperam delas.
Mas essa mensagem também está nas coisas mais simples. Uma tarde na praia com amigos, um pôr do sol, uma festa de house, um convívio em casa, um churrasco, uma tarde de piscina ou uma sessão de surf. São esses momentos que nos fazem sentir vivos e que, muitas vezes, acabam por se tornar nas nossas melhores memórias.
É isso que quero que a Limitless represente: liberdade, amizade, cultura e momentos que não se esquecem. A roupa acompanha esses momentos, mas o verdadeiro significado da marca está naquilo que vivemos enquanto a usamos.
Tenho uma ligação muito pessoal à Limitless. Criei-a aos 19 anos, acompanhei o seu crescimento e coloquei nela a minha visão, a minha personalidade e os meus valores. Por isso, vejo-a quase como um filho: é algo que nasceu de mim, que foi crescendo comigo e pelo qual sinto uma responsabilidade e uma paixão muito difíceis de explicar.
Onde imaginas a Limitless daqui a cinco anos? A ambição passa por consolidar a marca em Portugal ou a internacionalização já faz parte dos planos?
Imagino a Limitless como uma das maiores marcas portuguesas da sua geração, com uma presença forte em Portugal e, ao mesmo tempo, com reconhecimento internacional.
Quero consolidar primeiro aquilo que estamos a construir no nosso país, mas a internacionalização faz claramente parte dos planos. Gostava de ver pessoas a usar Limitless em diferentes cidades, países e culturas. Nas grandes capitais europeias no Brasil, em Cabo Verde, na Grécia, no Havai, e em muitos outros lugares pelo mundo. O mercado europeu é bastante competitivo mas oferece inúmeras oportunidades tornando-se portanto o nosso foco principal. Mesmo estando numa fase inicial já tivemos clientes, de diferentes países da Europa, a adquirirem as nossas peças.
Ainda hoje, quando encontro alguém na rua com uma peça da Limitless, sinto algo que é difícil explicar. Penso: “Eu criei aquilo, e aquela pessoa escolheu vestir a nossa marca.” É uma sensação incrível e uma das coisas que mais me motiva.
Imaginar essa sensação multiplicada por diferentes partes do mundo é um dos meus grandes objetivos. Mais do que crescer em número, quero que a Limitless tenha um impacto real na cultura e que seja reconhecida pela sua identidade, pela sua história e pelo estilo de vida que representa.
Para terminar, em que consiste a atual campanha Summer Access?
Neste momento estamos a desenvolver a campanha Summer Access, uma campanha exclusiva para o verão que inclui descontos e bundles criados para criar uma oportunidade para que mais pessoas conhecessem a Limitless e passassem a fazer parte da nossa comunidade.
No entanto, aquilo que mais nos importa é a experiência que cada pessoa tem com a marca. Acreditamos que uma compra não deve terminar quando a encomenda chega a casa. Queremos criar uma ligação verdadeira com quem escolhe vestir Limitless.
É por isso que procuramos proporcionar experiências aos nossos clientes através da nossa presença em eventos, ofertas de experiências e momentos que refletem o lifestyle da marca. Ao mesmo tempo, damos muita importância aos pequenos detalhes. Cada encomenda segue numa embalagem personalizada, acompanhada por um cartão de agradecimento, um guia de cuidados da peça e um postal exclusivo. No verso desse postal existe um QR Code que dá acesso à playlist oficial da Limitless, uma seleção de house music criada para acompanhar um pôr do sol, uma viagem, uma tarde de praia ou qualquer outro momento especial.
No fundo, queremos que vestir Limitless seja mais do que vestir uma peça de roupa. Queremos que seja fazer parte de uma marca que valoriza as pessoas, os momentos e as memórias que criamos ao longo do caminho.
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