A tecnologia já não vive só nos nossos bolsos ou secretárias. Está na roupa que vestimos, nos relógios que usamos… e, agora, até no prato. Temos alguns exemplos, como a carne cultivada em laboratório, mas passamos agora para um novo patamar, com utensílios inteligentes que prometem mudar a forma como sentimos o sabor da comida. A ideia é da marca japonesa SpoonTEK, que lançou uma colher que parece saída de um filme de ficção científica, mas que já é bem real.
A SpoonTEK utiliza aquilo a que chama ion sensory technology, uma tecnologia sensorial iónica que está a ser aplicada, pela primeira vez, a um utensílio de refeição. Traduzindo isto para linguagem simples: a colher usa uma estimulação eléctrica muito suave para interagir diretamente com as papilas gustativas.
À primeira vista pode parecer tecnologia complicada, mas o princípio da SpoonTEK é surpreendentemente simples. Usa-se como uma colher normal, sem mudar hábitos à mesa. A diferença está no que acontece quando começamos a comer.
Ao segurar esta colher, o dedo toca naturalmente num pequeno eléctrodo embutido no cabo. Ao mesmo tempo, a comida entra em contacto com outro eléctrodo localizado na parte côncava da colher. Quando estes dois pontos são ativados em simultâneo, forma-se um circuito elétrico muito suave e seguro.
Um pequeno LED acende-se para confirmar que o sistema está ligado. A partir desse momento, uma corrente elétrica quase impercetível atravessa a comida e chega à língua, estimulando as papilas gustativas. Essa estimulação não “muda” a comida, mas altera a forma como o cérebro interpreta o sabor, intensificando ou ajustando certas sensações — como o salgado ou unami — sem necessidade de adicionar ingredientes.
Não, não se sente choque nenhum; não, não há formigueiros ou sensações estranhas.
Assim, uma sopa sem sal pode parecer mais saborosa e um prato com menos gordura continua a ser guloso. Para quem precisa, ou simplesmente quer, reduzir o consumo destes ingredientes por razões de saúde, esta colher pode fazer toda a diferença.
Parece que talvez o futuro da alimentação não passa apenas por novos ingredientes, como os insetos ou as proteínas vegetais, mas também por novas ferramentas. Mostramos de seguida como esta funciona.
