Fotografia: reprodução do filme "Tár"
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Fome real ou emocional? Nutricionista explica as diferenças

Sentes vontade de comer quando estás triste? Pode ser fome emocional e não fisiológica. Beatriz Vieira, uma nutricionista, assina este artigo educativo para esclarecer as diferenças.

Beatriz Vieira, nutricionista coordenadora da unidade de nutrição clínica do Hospital Lusíadas Amador | Fotografia: D.R.

A fome emocional é diferente da fome fisiológica, na medida em que existe um desejo por alimentos específicos, aparece de uma forma súbita e urgente, surge em resposta a emoções e suscita muitas vezes uma sensação de culpa após a ingestão desses mesmo alimentos.

As emoções interferem com a alimentação que adotamos e daí o conceito de alimentação ou fome emocional. A fome emocional refere-se à ingestão de alimentos em resposta a emoções, em particular às mais negativas como o stress, ansiedade, depressão, tristeza e solidão.

Contudo, vários estudos referem que emoções positivas podem igualmente desencadear episódios de ingestão alimentar.

Fome fisiológica e fome emocional

A fome fisiológica é baseada na ausência prolongada da ingestão de alimentos, que nos fornecem calorias e nutrientes essenciais para o desempenho das funções do nosso organismo. Este tipo de fome pode ser acompanhado por uma sensação de fraqueza, dificuldade em manter a concentração e tonturas.

No entanto, a alimentação não se limita à satisfação das nossas necessidades fisiológicas, podendo também estar associada à satisfação de necessidades emocionais.

A fome emocional é diferente da fome fisiológica, na medida em que existe um desejo por alimentos específicos, aparece de uma forma súbita e urgente, surge em resposta a emoções e suscita muitas vezes uma sensação de culpa após a ingestão desses mesmo alimentos.

Além disso, a fome emocional tem sido associada a uma perda de controlo sobre a alimentação e a perturbações do comportamento alimentar, nomeadamente ao transtorno de compulsão alimentar.

Como distinguir a fome emocional da fome fisiológica?

Atualmente, já existem vários questionários validados cientificamente e que a população portuguesa pode utilizar para avaliar a alimentação emocional, nomeadamente o Emotional Eating Questionnaire. Estes questionários são ferramentas que nos fornecem dados objetivos e nos permitem comparar diferentes etapas e/ou diferentes grupos de indivíduos.

Em âmbito de consulta, uma anamnese alimentar (história alimentar detalhada e completa) permite identificar a existência de emoções/sentimentos que potenciam a ingestão alimentar.

Como evitar comer emocionalmente?

Para controlar a ingestão alimentar em resposta às emoções, o acompanhamento e o apoio de um nutricionista é imprescindível pois promove uma alimentação equilibrada, completa e variada e fornece estratégias para lidar com a fome emocional.

No entanto, é fundamental não abordar com insistência o tema da dieta. É crucial não encorajar dietas demasiado restritivas, explicando os perigos associados a esse tipo de atitude com a alimentação.

É essencial promover uma reeducação alimentar, utilizando também técnicas de controlo de estímulos e de prevenção de recaídas e resolução de problemas. É importante também desmitificar ideias e/ou pensamentos pré-concebidos sem qualquer tipo de evidência científica.

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