Costuma dizer-se que os maiores arrependimentos na vida de uma pessoa derivam de algo que ela não fez enquanto podia ter feito. Na minha consulta de Medicina Integrativa e Funcional / Modulação Hormonal — que engloba áreas como a alimentação e saúde intestinal, atividade ou exercício físico, hábitos e estilo de vida, suplementação, gestão das emoções e do stress e equilíbrio hormonal —, tenho constatado isso mesmo: o maior arrependimento que vejo nas pessoas depois de atingirem os 65 anos, ou até mais cedo, particularmente nas mulheres, é o tempo que não dedicaram a cuidar delas mesmas. Felizmente, acredito que raramente é tarde demais.
É neste contexto que escrevo este artigo, de forma a ajudar todos os leitores a perceber onde devem atuar, de forma a poderem eficazmente cuidar de si mesmos e atingirem os objetivos que têm em termos de saúde. Lembra-te sempre que a melhor forma de lidar com uma doença é nunca a ter! Irás evitar todo o sofrimento que dela deriva. Nunca ninguém se arrependeu de cuidar de si mesmo e de se sentir pleno, com energia, vitalidade e saúde.
O autocuidado refere-se a ações intencionais que uma pessoa realiza de forma a promover e manter o seu próprio bem-estar físico, mental e emocional. Assenta em seis pilares fundamentais: alimentação, atividade/exercício físico, bons hábitos e estilo de vida, suplementação alimentar, regulação da mente e emoções e modulação/equilíbrio hormonal. É nestes pilares que devemos focar a nossa atenção, se queremos gradualmente atingir os nossos objetivos de saúde e bem-estar.
A alimentação é a base de saúde de qualquer pessoa. Hipócrates já dizia: “Que o remédio seja o seu alimento e que o alimento seja o seu remédio”. Não é possível ter uma saúde forte sem uma alimentação nutritiva, variada e o mais possível livre de tóxicos. Muitos dos produtos que existem no supermercado não deveriam ser consumidos pelo Ser Humano. Alguns nem deveriam ser chamados de alimentos. O primeiro passo para renovar a tua saúde é o de escolher, ativamente, respeitar o teu corpo com o que comes. Se desejas longevidade com qualidade, opta por fazer as mudanças alimentares necessárias para atingir o bem-estar que mereces.
Começa por evitar alimentos que diariamente destroem a nossa saúde, como açúcar refinado, hidratos de carbono como pão e massa (regra geral, não são saudáveis), alimentos processados com corantes, conservantes e adoçantes artificiais (aspartame, sucralose, acessulfame k) e óleos vegetais como o de girassol, palma e colza. Introduz vegetais, fruta, sementes, cogumelos, gorduras saudáveis como o azeite virgem extra e abacate na tua vida. Planeia, ativamente, as tuas refeições. Posso mesmo dizer que acaba por ser transversal a experiência que as pessoas têm quando realmente mudam a alimentação: mais energia, mais vitalidade, melhorias francas a nível intestinal e de outros sistemas, uma melhoria da qualidade de vida em geral.
A atividade/exercício físico é fundamental para ter qualidade de vida. Contribui para melhorar o sistema cardiovascular e sistema respiratório, fortalece os músculos, ajuda a controlar o peso e previne doenças crónicas. O exercício físico liberta, pela contração muscular, substâncias que elevam o bem-estar e permitem ajudar a resolver problemas como depressão e ansiedade. O exercício físico conduz também a um maior equilíbrio hormonal, o que ajuda a manter o organismo saudável. Por outro lado, o facto de suar durante o exercício permite libertar toxinas cuja única forma de abandonar o corpo é precisamente o suor. Manter a mobilidade em idade mais avançada é tanto mais possível quanto mais uma pessoa se exercita. De facto, um grande preditor de qualidade de vida no idoso é a massa muscular nas pernas. Além disso, melhora o humor, reduz o stress e até influencia a qualidade do sono. Começa por caminhar 30 a 60 minutos por dia, pelo menos 5 dias por semana. Já obterás um ganho em saúde positivo e significativo. O treino de força é também importante na nossa rotina. Procura atingir o objetivo mínimo de 2 treinos por semana, obviamente que de acordo com as tuas capacidades.
Como bons hábitos e estilo de vida deve entender-se evitar tabaco, álcool, drogas e evitar beber mais do que 1 café por dia. Dormir a tempo e horas é fundamental: não existe melhor remédio do que uma boa noite de sono! O melhor horário para dormir é das 22 horas às 6 da manhã. Deves dormir num quarto escuro ao ponto de não ver a palma da tua mão a cerca de 20 cm dos teus olhos. Evita passar demasiado tempo à frente do telemóvel, particularmente, na última hora antes de ires dormir: prejudica francamente a tua saúde. Desconecta do “online” e vive a tua vida. Não deixes o telemóvel a carregar ao teu lado enquanto dormes. Integra no teu quotidiano atividades prazerosas, como passear na natureza e meditar (começa com 5 minutos por dia, antes de ir para a cama). Foca-te naquilo que tens de bom na sta vida, rodeia-te de pessoas de quem gostas e te querem bem e, acima de tudo, ri muito. Rir é terapia!
Atualmente, por múltiplas razões, a comida que ingerimos é cada vez mais pobre em nutrientes e apresenta cada vez mais produtos tóxicos. A suplementação da alimentação tornou-se desta forma essencial para suprir as carências nutricionais que todos temos. Tem em conta que a suplementação alimentar é o quarto pilar. Não substitui nem pretende substituir os três primeiros. Surge como um complemento fundamental para os três primeiros pilares e ajudará a levar o teu bem-estar e saúde mais longe. A suplementação alimentar deve ser personalizada a cada pessoa e não deves tomar suplementos alimentares sem aconselhamento de um profissional de saúde.
A regulação da mente e das emoções surge em quinto lugar porque, se fizeres bem os primeiros quatro pilares, já terás feito muito trabalho. Não subestimes o poder e impacto que a tua forma de pensar e consequentemente as tuas emoções têm na sua saúde. Fortalecer a mente e harmonizar as emoções torna-se então essencial para que o teu corpo lhe dê o bem-estar que tanto almeja. O stress emocional é dos principais causadores de problemas de saúde da nossa sociedade!
O equilíbrio hormonal acaba por ser uma consequência da soma de tudo o que referi anteriormente, mas não só. A disrupção endócrina (processo de destruição e desregulação do nosso equilíbrio hormonal) é um conceito que deves dominar para perceber o quão afeta a tua saúde. É algo que ocorre diariamente no nosso corpo e que pode conduzir a determinados sintomas e até mesmo a doença. Deve-se essencialmente a agentes tóxicos que estão presentes nos alimentos, nos produtos que colocamos na pele e até no ar que respiramos. Não conseguiremos fugir de todos estes tóxicos, obviamente. Mas poderemos minimizar ao máximo a exposição que temos para com os mesmos. É de salientar que o stress emocional assume também um papel crítico na destruição do equilíbrio hormonal. Os primeiros cinco pilares bem cimentados permitem, regra geral, harmonizar as nossas hormonas e conduzem a um estado de saúde e bem-estar.
É muito importante referir que, para que tudo o que referi seja eficaz, não deve ser algo pontual ou esporádico. Deve ser algo que vamos gradualmente implementando no nosso dia-a-dia. Cuidar de nós deve ser uma prioridade. Deve ser incluído na rotina diária e ser respeitado, tal como respeitamos o nosso horário de trabalho. É importante sermos realistas e não querermos fazer tudo ao mesmo tempo. Devemos introduzir as mudanças gradualmente na nossa rotina. Não necessitas de mudar drasticamente a gestão do teu dia. No entanto, deves ter em conta que cuidar de ti requer disciplina. É fundamental não desistir. Não sejas irrealista ao pensar que os resultados surgem de imediato. Mas tem em conta que verás resultados se fores consistente.
É de facto difícil ter a disciplina para seguir uma vida um pouco mais regrada. No entanto, é também difícil sentires-se mal todos os dias da tua vida ou estar doente e limitado. Escolhe o teu difícil! Sócrates já dizia “que desgraça é para o homem envelhecer sem nunca ver a beleza e força que o seu corpo é capaz”. Nunca te esqueças que mereces ser a melhor versão de ti mesmo. Para a atingir, não existe outro caminho que não a responsabilização pela tua própria saúde. Respeita-te e valoriza-te ao ponto de fazer as mudanças necessárias para atingir os teus objetivos em saúde.
