As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morte nas mulheres, ultrapassando o cancro da mama, do pulmão e as doenças pulmonares crónicas combinadas. Contudo, muitas mulheres e profissionais de saúde ainda não reconhecem esta realidade, contribuindo para atrasos no diagnóstico e tratamento.
Que problemas afetam mais as mulheres?
As mulheres apresentam maior risco de enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca (especialmente o subtipo com fração de ejeção preservada) e acidente vascular cerebral quando têm diabetes, comparativamente aos homens com a mesma condição. A diabetes tipo 2 confere às mulheres um risco cardiovascular 25 a 50% superior ao dos homens diabéticos. A hipertensão arterial, embora menos prevalente nas mulheres jovens, aumenta mais rapidamente com a idade do que nos homens, invertendo-se a tendência após os 61-64 anos. Até 80% das mulheres idosas sofrem de hipertensão.
Existem ainda fatores de risco exclusivamente femininos: a pré-eclâmpsia durante a gravidez aumenta o risco de doença cardíaca isquémica (enfarte) entre duas a sete vezes; a diabetes gestacional, a endometriose e os miomas uterinos elevam igualmente o risco cardiovascular em 23 e 32%, respetivamente.
É importante salientar que, para além da doença aterosclerótica clássica, são mais frequentes nas mulheres formas particulares de doença coronária, como a disfunção microvascular, o enfarte agudo do miocárdio sem doença coronária obstrutiva e a disseção espontânea da artéria coronária.
Porquê esta diferença?
As mulheres apresentam níveis basais mais elevados de inflamação sistémica (mais obesidade) e maior prevalência de doenças autoimunes, que aceleram a aterosclerose (doença obstrutiva das artérias). As alterações hormonais como a diminuição de estrogénios, durante a menopausa, provocam aumento do colesterol LDL, da lipoproteína(a) e da pressão arterial.
Quando se manifestam?
Preocupantemente, as taxas de mortalidade por doença cardíaca isquémica (enfarte) estão a aumentar nas mulheres jovens, entre os 35 e 54 anos, enquanto diminuem nos homens. A menopausa precoce, antes dos 40 anos, aumenta o risco cardiovascular em 70%. As várias Sociedades Científicas da área cardiovascular como a Sociedade Portuguesa de Cardiologia defendem uma abordagem preventiva ao longo de toda a vida da mulher, com especial atenção às fases de transição: início precoce de fatores de risco, gravidez e transição para a menopausa.
