A tensão pré-menstrual (TPM), a que os médicos chamam síndrome pré-menstrual, corresponde a um complexo de sintomas físicos e emocionais suficientemente intensos que interferem nas tarefas da vida diária das mulheres. São sintomas cíclicos, diretamente relacionados com as alterações cíclicas do aparelho reprodutor feminino.
Simplificando, pode dizer-se que o ciclo reprodutivo feminino ocorre em duas fases distintas. Uma primeira fase de recrutamento dos ovócitos, na qual o ovário sintetiza maioritariamente estrogénios, e uma segunda, pós-ovulatória, com predomínio sintético de progesterona.
Embora os mecanismos desta síndrome não estejam completamente compreendidos, acredita-se que são os metabolitos da progesterona que interagem ao nível do sistema nervoso central, diminuindo os níveis de uma hormona que se chama serotonina. Alguns estudos científicos envolvem um gene nas alterações observadas dos recetores de serotonina e dopamina.
Pode manifestar-se em formas de menor intensidade e noutras mais graves, apelidadas de perturbação disfórica pré-menstrual.
Estão então envolvidos nesta síndrome os sistemas endócrino/metabólico, o sistema nervoso central e o aparelho reprodutor.
Afeta entre 20 a 30% das mulheres nas suas formas ligeiras e entre 1,2 a 6,4% nas suas formas mais graves. A prevalência, nalgumas estatísticas, das formas graves pode atingir os 18%.
Os sintomas ocorrem geralmente uma semana antes do início do fluxo menstrual, melhoram nos primeiros dias da menstruação e são mínimos ou ausentes nas semanas seguintes. O sintoma mais frequente é a irritabilidade. Estão muitas vezes outros sintomas presentes, como: estado depressivo, desespero, ansiedade acentuada, menor motivação, perda de autoconfiança, agressividade que aumenta conflitos interpessoais, dificuldades de autocontrolo, dificuldades de concentração, insónias, aumento do apetite e fadiga extrema.
Nos casos extremos, existe um risco acrescido de exaustão psíquica extrema (“Burnout”) e risco de suicídio. Existem também sintomas físicos como inchaço abdominal, dores de cabeça, cólicas abdominais, dores mamárias, obstipação e diarreia.
Estes sintomas afetam de forma mensurável a atividade profissional nas suas diversas vertentes: cognitiva, psicoafetiva e relacional. Originam menor participação em trabalhos de equipa e diminuição da criatividade. Aumentam também o absentismo laboral e o presenteísmo (estar no trabalho mas com desempenho reduzido).
Recomenda-se, assim, que as empresas e empregadores reconheçam as dificuldades destas mulheres e as ajudem, ajustando as suas tarefas ao ciclo reprodutivo menstrual. As tarefas cognitivas complexas podem dividir-se em várias tarefas menores. Devem privilegiar-se tarefas cognitivas curtas (25-30 minutos). As tarefas críticas deverão ser antecipadas e programadas para fora dos períodos críticos. Programar as tarefas mais simples e menos complexas para os dias críticos são decisões acertadas.
As empresas devem permitir horários flexíveis e culturas de empresa compreensíveis que não culpabilizem ou criem discriminação. A permissão de trabalho remoto pode, também, ser considerada.
Finalmente, recomenda-se acompanhamento médico profissionalizado destas mulheres, com planos terapêuticos farmacológicos e não farmacológicos. Recomendam-se dietas adequadas, com preferência por alimentos com elevado teor de hidratos de carbono complexos, como fruta, vegetais e cereais integrais. Deve limitar-se o consumo de sal e de alimentos salgados para reduzir a retenção hídrica.
Devem incluir-se alimentos ricos em cálcio. Muitas doentes encontram melhorias com suplementos alimentares como o Primrose Oil vendido em estabelecimentos de produtos naturais.
Recomenda-se abstinência de tabaco e álcool e planos de exercício físico adequados.
A terapêutica medicamentosa mais usada é a fluoxetina. Ela deve ser prescrita, ajustada e calibrada em consultas médicas especializadas. Os casos mais complexos necessitam abordagem multidisciplinar (intervenção conjunta de várias especialidades). Neles pode estar indicada terapêutica cognitivo-comportamental.
