Quem é Staale Solbakken, o ex-jogador que foi declarado morto em campo e hoje lidera a seleção da Noruega?
Quem é Staale Solbakken, o ex-jogador que foi declarado morto em campo e hoje lidera a seleção da Noruega? |

Fotografia: Patrick Smith - FIFA/FIFA via Getty Images

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O coração parou durante 7 minutos, mas sobreviveu e levou a seleção do seu país ao Mundial

Há 25 anos, a vida de Ståle Solbakken parou, literalmente. É, hoje, um sobrevivente, que agita os corações de quem acompanha a seleção da Noruega no Mundial 2026.

Ståle Solbakken e uma carreira fora das quatro linhas depois de quase morrer

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Há jogadores que monopolizam os holofotes e, neste Mundial, Erling Haaland é um deles, assim como Cristiano Ronaldo, que se despediu este ano da maior competição do futebol. Mas uma das figuras mais improváveis do Mundial nem sequer entra em campo. Está no banco da Noruega, de braços cruzados, olhar sereno e uma história de vida que parece saída de um filme. Falamos de Ståle Solbakken.

Hoje, aos 58 anos, Ståle conduz a geração mais talentosa da história do futebol norueguês até aos quartos de final do Mundial, depois de uma vitória histórica sobre o Brasil. Mas, há 25 anos, ninguém diria que Ståle Solbakken estaria onde está hoje.

A 13 de março de 2001, quando Solbakken tinha 33 anos e era médio do FC Copenhaga, encontrava-se num treino aparentemente normal quando, depois do aquecimento, caiu inanimado no relvado. O coração deixara de bater durante uns longos sete minutos. 

Os médicos iniciaram de imediato as manobras de reanimação e chegaram mesmo a temer o pior. Ståle Solbakken recuperou os sinais vitais, mas permaneceu cerca de 30 horas em coma nos cuidados intensivos. Durante esse período, a mulher, Anniken, que tinha apenas 23 anos na altura, ficou sozinha a cuidar dos dois filhos pequenos enquanto o marido lutava pela vida no hospital.

E, felizmente, sobreviveu, embora a carreira de futebolista tenha terminado naquele relvado, por recomendação médica.

Foi um fim abrupto para um jogador que tinha representado a Noruega durante mais de uma década e integrara o grupo que disputou o Mundial de 1998, precisamente a última participação do país na competição antes desta edição. Mas também foi o início de outra carreira.

Sem poder continuar dentro das quatro linhas, o antigo médio do FC Copenhaga decidiu ser treinador. Começou no HamKam, regressou ao FC Copenhaga e transformou-se num dos treinadores mais bem-sucedidos da história do clube dinamarquês, conquistando campeonatos, presenças regulares na Liga dos Campeões e o respeito no futebol europeu. Passou ainda pelo FC Colónia e pelo Wolverhampton, antes de assumir, em 2020, o comando técnico da seleção da Noruega.

A missão era clara: devolver a Noruega aos grandes palcos. Durante quase três décadas, o país vivera da nostalgia da geração de Ole Gunnar Solskjær, Tore André Flo ou John Carew. Entretanto nasceram Erling Haaland, Martin Ødegaard, Alexander Sørloth e uma nova vaga de talento que parecia demasiado boa para continuar ausente das grandes competições. E é precisamente a capacidade coletiva que tem levado a equipa a bom porto. 

"Este é um excelente grupo. Gostam de estar juntos, treinam bem, ajudam-se mutuamente e protegem-se uns aos outros. Temos uma cultura forte e damos às pessoas a oportunidade de serem elas próprias e de dizerem aquilo que pensam. Isso é muito importante, tanto quando as coisas correm bem como quando não correm", afirmou Ståle Solbakken depois da vitória dos noruegueses contra o Brasil, segundo o The Guardian

O resultado da partida teve um gosto especialmente doce para o selecionador, uma vez que em 1998 também tinha vivido uma vitória histórica sobre o país da América do Sul.  

Agora ambiciona mais vitórias para levar a Noruega à final do Mundial, sendo que depois de derrotar a Costa do Marfim e o Brasil, seguem-se o México ou a Inglaterra. Mas, quer vença ou perca, a primeira pessoa a quem se dirige não é da equipa: é, sim, a mulher Anniken, por ter estado a seu lado no momento mais difícil da sua vida.

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