SUD Lisboa: a maturidade de uma visão
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Redação
- 23 jul, 10:28
Ao celebrar nove anos, o SUD Lisboa revisita o percurso que o transformou numa das mais reconhecidas expressões da hospitalidade contemporânea em Lisboa. Para Salomé Gorgiladze, este não é apenas um momento de balanço, mas a confirmação de uma visão construída com tempo, consistência e a convicção de que as grandes marcas não vivem da novidade, mas da capacidade de permanecerem relevantes.
Ao longo da última década, Lisboa afirmou-se como uma das cidades mais estimulantes da Europa para a hotelaria, a gastronomia e o lifestyle. A chegada de investimento internacional, a abertura de novas unidades hoteleiras e restaurantes de autor, bem como a consolidação de um mercado high-end cada vez mais sofisticado, transformaram profundamente a forma como a capital é vivida e percecionada. Num contexto onde novos conceitos surgem com frequência e a novidade parece dominar o discurso, a verdadeira diferenciação deixou de depender apenas do impacto inicial. Hoje, o desafio passa por construir projetos capazes de permanecer relevantes, coerentes e desejados ao longo do tempo.
É precisamente essa perspetiva que marca a conversa com Salomé Gorgiladze, administradora do SUD Lisboa, quando se assinala o seu nono aniversário. Em vez de revisitar o percurso através de datas ou marcos, prefere refletir sobre a consistência de uma ideia que continua a orientar o projeto desde a sua inauguração. Ao longo da conversa, torna-se evidente que vê este aniversário "menos como uma celebração e mais como um momento de confirmação. A confirmação de que uma marca só adquire verdadeiro significado quando consegue evoluir sem perder a sua identidade" explica.
A conversa regressa frequentemente às equipas, aos clientes, à responsabilidade de preservar uma cultura de hospitalidade e à importância de nunca perder a capacidade de escutar. Existe uma serenidade pouco comum na forma como descreve o projeto, como se soubesse que as marcas mais consistentes raramente precisam de se explicar em excesso. Preferem afirmar-se através daquilo que fazem, todos os dias.
Quando o SUD Lisboa abriu portas, a 11 de julho de 2017, o objetivo nunca passou por criar apenas mais um restaurante ou um novo ponto de encontro da cidade. "A ambição era construir um conceito onde gastronomia, hospitalidade, entretenimento, lifestyle e eventos coexistissem numa linguagem comum, refletindo uma Lisboa cosmopolita, aberta ao mundo, mas profundamente ligada à sua identidade". Nove anos depois, essa visão continua presente, embora enriquecida pela experiência, pela evolução do mercado e pelas expectativas de um público cada vez mais informado, mais cosmopolita e mais exigente.
Essa evolução nunca significou romper com o passado. Pelo contrário. Salomé Gorgiladze acredita que crescer implica, antes de mais, saber interpretar o tempo. "Adaptar uma marca não significa seguir todas as tendências, mas compreender aquilo que realmente mudou na forma como as pessoas vivem, trabalham, viajam e celebram. Foi essa leitura permanente que levou o SUD Lisboa a aprofundar a sua proposta gastronómica, a investir numa programação de entretenimento com identidade própria e a desenvolver uma oferta capaz de acompanhar diferentes momentos do dia, das estações e da própria cidade" acrescenta a administradora.
Há uma palavra que regressa várias vezes durante a conversa: cuidado. Cuidado na escolha de uma equipa, na construção de uma carta, na preparação de um grande evento, na seleção da música certa para um determinado momento ou na forma como cada cliente é recebido. Para Salomé Gorgiladze, a hospitalidade não se resume à eficiência de um serviço. É uma sucessão de gestos discretos que raramente se anunciam, mas que acabam por definir silenciosamente o carácter de um espaço
É talvez aí que começa verdadeiramente uma marca.
Essa forma de pensar encontra expressão natural nos diferentes espaços que hoje compõem o universo SUD Lisboa. O Terrazza continua a afirmar-se como o coração gastronómico do projeto, onde a cozinha de inspiração mediterrânica dialoga permanentemente com a paisagem do Tejo. O Pool Lounge consolidou-se como um dos cenários mais reconhecidos da capital, transformando os finais de tarde numa assinatura da marca, onde a piscina infinita, a música, o lifestyle e a luz constroem uma atmosfera descontraída, mas cuidadosamente pensada. Já o SUD Lisboa Hall representa a expressão mais versátil desta visão. É um espaço que muda de identidade sem nunca perder personalidade, acolhendo jantares de gala, casamentos, lançamentos internacionais, encontros corporativos e celebrações privadas. A arquitetura deixa de procurar protagonismo para permitir que cada evento escreva a sua própria narrativa.
Essa complementaridade permitiu ao SUD Lisboa ultrapassar há muito a ideia de um espaço exclusivamente associado ao verão ou à restauração. Ao longo destes nove anos, acolheu algumas das mais relevantes celebrações privadas, eventos institucionais e encontros empresariais realizados em Lisboa, acompanhando igualmente a crescente internacionalização da cidade. Ainda assim, Salomé Gorgiladze evita destacar um momento específico. Considera que "o verdadeiro reconhecimento não reside na dimensão de um evento, mas na confiança de quem regressa. É essa continuidade que melhor traduz a relação construída com clientes, parceiros e empresas que continuam a escolher o SUD Lisboa para assinalar alguns dos momentos mais importantes das suas vidas e da sua atividade".
Ao aproximar-se da sua primeira década, essa maturidade abre naturalmente espaço para um novo ciclo. Sem revelar demasiados detalhes, Salomé Gorgiladze confirma que a marca prepara um projeto anual de assinatura própria, concebido para reforçar a sua identidade e criar um novo momento de encontro entre diferentes universos ligados à gastronomia, à criatividade, à cultura, ao design e ao lifestyle contemporâneo. Mais do que acrescentar um novo evento ao calendário da cidade, a ambição passa por desenvolver uma plataforma que reflita a visão do SUD Lisboa enquanto espaço de encontro, de partilha e de inspiração. Os detalhes permanecem, para já, reservados. Não por estratégia, mas porque acredita que algumas ideias merecem ser descobertas sem excesso de antecipação.
Num segmento high-end em permanente transformação, onde a concorrência se intensifica e as expectativas dos clientes evoluem constantemente, manter uma marca relevante exige muito mais do que capacidade de inovação. Exige disciplina, visão de longo prazo e uma atenção permanente às pessoas. Para Salomé Gorgiladze, esse continuará a ser o maior compromisso do SUD Lisboa: "investir nas equipas, preservar uma cultura de exigência, acompanhar a evolução da cidade e continuar a surpreender sem nunca comprometer a autenticidade que definiu o projeto desde o primeiro dia".
Celebrar nove anos representa, por isso, muito mais do que assinalar um percurso. Representa a confirmação de uma forma de estar na hospitalidade que valoriza a consistência acima da urgência, o conteúdo acima do ruído e a construção paciente de uma identidade acima da procura permanente da novidade.
Talvez seja essa a maior conquista do SUD Lisboa ao fim de quase uma década. Não apenas ter acompanhado a evolução de Lisboa, mas ter conquistado um lugar na forma como a cidade recebe, celebra e se relaciona com quem a visita. Porque as tendências mudam, os mercados evoluem e os conceitos transformam-se. Mas há espaços que conseguem algo mais raro: permanecem relevantes porque nunca deixam de cuidar daquilo que verdadeiramente importa: as pessoas.
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Inês Teixeira
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