Sabias que há pessoas a emoldurar este saco de supermercado? O valor que tem poucos conhecem
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Rafaela Simões
- 9 jul, 17:44
Quando usamos um saco de supermercado para carregar compras, não pensamos muito sobre ele. Mas... e se dissermos que o do Aldi tem uma longa história?
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A arte pode surgir nos lugares mais improváveis: num banco de jardim, numa estação de metro ou, até... num simples saco de supermercado. É precisamente isso que acontece com o emblemático saco às riscas diagonais do Aldi.
Quase ninguém sabe que o desenho deste saco foi assinado pelo pintor alemão Günter Fruhtrunk, uma das figuras mais importantes da abstração geométrica europeia do pós-guerra. Conhecido pelas suas composições rigorosas, construídas a partir de linhas diagonais, ritmos visuais e fortes contrastes cromáticos, Günter Fruhtrunk foi professor na Academia de Belas-Artes de Munique e expôs em algumas das mais prestigiadas instituições internacionais, incluindo a Documenta de Kassel e a Bienal de Veneza.
Em 1970, recebeu um desafio pouco habitual: criar a identidade visual dos sacos da Aldi Nord, uma das duas empresas que nasceram da divisão da cadeia alemã Aldi. O resultado foi um padrão de faixas diagonais em azul e branco, interrompidas por linhas laranja, amarelas e pretas, que rapidamente se tornou a imagem da marca.
E o resultado foi um objeto que conseguiu algo raro: ser simultaneamente funcional, reconhecível e artisticamente relevante.
Durante mais de cinco décadas, milhões de pessoas transportaram aquele padrão pelas ruas da Alemanha e de outros países europeus, mas muitos nunca souberam que carregavam consigo uma criação assinada por um artista presente nos principais circuitos da arte contemporânea. O saco chegou mesmo a ser reconhecido como um verdadeiro ícone da cultura visual do século XX e um dos exemplos mais bem-sucedidos de design aplicado ao grande consumo.
Cumprindo o seu propósito, o saco foi e ainda é reutilizado inúmeras vezes, mas há mesmo quem tenha usado a obra a seu favor. O art advisor e curador independente Gonçalo Monginho revelou no Instagram que quando vivia em Berlim, foi a casa de uns amigos que tinham o saco pendurado numa das paredes. E agora percebemos porquê.
Afinal, trata-se de uma obra de arte, que, apesar de tudo, também serve para transportar pão ou usa o saco para transportar artigos da casa para o carro ou até em mudanças. No fundo, é tal e qual o que acontece acontece com o icónico saco azul da Frakta, desenhado pelos irmãos designers Marianne Hagberg e Knut Hagberg.
O Aldi e a Ikea são assim exemplos de como um objeto banal pode ser arte, pode ser história.
Se fores, entretanto, ao Aldi, traz no saco icónico os artigos favoritos da VERSA que mostramos na galeria de imagens.
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