A automatização já há algum tempo que se instalou nas caixas de supermercado em Portugal, prometendo transformar a forma como fazemos compras. Um desses exemplos é a loja Continente em Leiria, que em 2025 eliminou do processo de finalização de compra a passagem dos códigos de barras na caixa, sendo este só mais um passo do retalho para um modelo onde o tempo de espera é praticamente eliminado.
Mas nem todos os consumidores parecem convencidos. Apesar da conveniência, há quem continue a evitar as caixas automáticas, optando por filas mais longas. Será isto apenas resistência à tecnologia? Segundo a psicologia, não.
O psicólogo comportamental Nicholas Epley, da Universidad de Chicago, tem estudado aquilo a que chama “microinterações”, isto é, contatos breves, muitas vezes com desconhecidos, que têm um impacto significativo no bem-estar, segundo avança o jornal espanhol Clarín. Um simples “bom dia”, um sorriso ou uma troca de palavras com um operador de caixa podem melhorar o humor e reforçar o sentimento de pertença social, mesmo quando as pessoas acreditam que preferem evitar esse contacto.
Neste contexto, evitar as caixas automáticas deixa de ser uma questão de eficiência. Para muitos, é uma forma inconsciente de procurar interação humana num quotidiano cada vez mais mediado por máquinas.
A sociologia ajuda a explicar este comportamento através do conceito de “vínculos fracos”, desenvolvido por Mark Granovetter, tratando-se de laços que, apesar de superficiais, são essenciais para a construção de redes sociais e para a sensação de ligação ao mundo. Ao contrário das relações próximas, que oferecem apoio emocional profundo, os vínculos fracos – como o contacto com um funcionário de supermercado – contribuem para uma sensação de continuidade social.
Curiosamente, muitos consumidores não sabem explicar por que evitam o autopagamento, simplesmente fazem-no. Essa intuição pode estar ligada a uma necessidade emocional que raramente é verbalizada: a de ser visto, reconhecido, ainda que por instantes.
Num mundo onde a velocidade é valorizada, escolher a fila “humana” pode não ser uma ação contra a tecnologia, mas a favor de algo mais básico: o contacto humano sem propósito produtivo.
Da próxima vez que fores ao supermercado, coloca no carrinho as sugestões que deixamos na galeria de imagens. O tipo de caixa de pagameto fica ao teu critério.
