O ritual é simples: quem se senta à mesa do Tascardoso, em Lisboa, recebe um babete, seja para comer Arroz de Camarão ou um peixe grelhado. Só assim é possível desfrutar a 100% da refeição, sem preocupações, sem cerimónias, porque se à cabeça do camarão queremos tirar os sucos, então que assim seja.
O Tascardoso, situado na Rua de O Século, no Príncipe Real, voltou a abrir portas no início deste ano, recuperando uma casa que há décadas faz parte do mapa das tascas tradicionais de Lisboa. A reabertura foi recebida como se recebem os lugares que já pertencem à memória de um bairro: com vizinhos à porta, amigos, família, clientes antigos e curiosos a querer perceber o que mudou — e, sobretudo, o que ficou.
Tem uma história longa, aquele número 242, com duas entradas, uma virada para a Rua d'O Século e outra para a Rua Dom Pedro V. Registos empresariais disponíveis para o endereço identificam atividade de restauração desde 1980 e o nome Tascardoso está documentado pelo menos desde 2014. Ao longo dos anos, foi sendo reconhecido como uma daquelas tascas portuguesas que resistem enquanto a cidade à volta se transforma.
O restaurante recebeu este ano um Solete pelo Guia Repsol, reconhecimento do trabalho daqueles que renovaram a tasca tradicional com décadas de história sem lhe tirar a essência.
É precisamente aí que está o conceito desta nova fase: reabrir sem apagar a memória.
O Tascardoso continua a ser uma tasca portuguesa, descontraída e sem cerimónias, feita para comer bem, beber um copo e ficar à conversa. Há cozinha de tacho, peixe e marisco, pratos portugueses reconhecíveis e uma atmosfera que não tenta transformar a tasca em restaurante de autor. É comida para partilhar, para molhar pão no molho e, em determinados casos, para aceitar que a toalha talvez não chegue intacta ao fim da refeição.
Mas voltemos ao babete
O Arroz de Camarão é o prato que melhor resume a ideia desta reabertura: comer sem medo de sujar as mãos. Já a camisa, essa, é salva pelo babete, que já faz parte da experiência. Mas há tantas outras propostas para os comensais se lambuzarem.
Bacalhau à Lagareiro, Cozido à Portuguesa (todas as quartas-feiras), Jardineira, Arroz de Cabidela, Ovas de Pescada, Bife de Atum e Bacalhau à Brás são apenas alguns dos exemplos de uma comida que não pretende ser fotogénica à força. Pretende, acima de tudo, satisfazer. E, quando um prato pede um babete, talvez seja melhor aceitar (depois não digas que não foste avisado).
O restaurante fechou para férias de verão a 17 de agosto, mas volta já no início de setembro.
