Mais de uma semana depois da 66.ª edição da ModaLisboa, conseguimos, finalmente, refletir e analisar as coleções apresentadas para perceber quais são, afinal, as tendências para o outono/inverno deste ano — e do próximo.
Mesmo os mais desatentos devem ter reparado que certos detalhes, cores ou materiais acabam por se repetir ao longo de diferentes coleções. Por isso, mais uma vez, olhámos para as coleções apresentadas e temos conclusões...
Banquete de texturas
Durante os três dias de defiles, reparámos que um detalhe parecia ser comum a quase todas as coleções apresentadas: a variedade de texturas. Gonçalo Peixoto, por exemplo, não poupou nas lantejoulas e nas penas. Luís Carvalho apostou no strass e num tecido cuja textura parece ser o resultado de pinceladas de tinta seca. Tudo uma referência ao tema da coleção: memória.
Já Ricardo Andrez decidiu criar um padrão tridimensional — que tem como base uma fotografia antiga — com plumas bordadas à mão pelo próprio, contou em entrevista à VERSA. No desfile de DrionaDream a textura ganhou forma graças a botões e no de Béhen os bordados estiveram em destaque.
Renda não é só para noivas
Por falar em texturas... Também as rendas brilharam nos desfiles da Lisboa Fashion Week, especialmente na coleção de Carlos Gil, assim como na de Gonçalo Peixoto que quis realçar a importância, assim como a beleza do trabalho manual que continua a ser uma das melhores mais-valias da indústria da moda no nosso país.
Claro, a renda também apareceu em múltiplos coordenados de Nuno Baltazar porque o designer apresentou, pela primeira vez, a sua coleção de vestidos de noiva.
"Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão"
Já dizia Fafá de Belém: "meu coração é vermelho" — e, aparentemente, muitos designers partilham o sentimento. Entre as cores em destaque nesta ModaLisboa o vermelho conseguiu ser uma das estrelas.
Foi usado por Gonçalo Peixoto, Carlos Gil, Çal Pfungst e Luís Carvalho que escolheu usar um tom de vermelho forte para "contrastar" com os cinzentos e pretos da sua coleção, contou à VERSA. Para além disto, o vermelho também apareceu em alguns detalhes das coleções de Francisca Nabinho e Dino Alves.
Há alguma coisa melhor do que um fato?
É sabido que nos últimos anos, a alfaiataria tem estado em altas e, tal como não poderia deixar de ser, os fatos estiveram em destaque na mais recente coleção de Luís Carvalho, mas, atenção, as silhuetas mais clássicas foram trocadas por outras com cinturas marcadas e ombros mais largos, uma referência ao tema e aos anos 50.
Carlos Gil, Kolovrat, Roselyn Silva e Gonçalo Peixoto também apresentaram as suas propostas, compostas por calças e blazers, alguns mais originais do que outros.
É ainda de realçar que os blazers, estruturados e bem construídos, apareceram em várias coleções, o que solidifica o seu estatuto como peça must-have em qualquer guarda-roupa ou estação do ano.
Riscas, riscas e mais riscas
Pensavas mesmo que as riscas iam desaparecer do nosso guarda-roupa? Continuam a ser um dos estampados tendência dos últimos anos e prometem não ir a lado nenhum na estação fria, com a ajuda de criadores portugueses como Kolovrat, Francisca Nabinho, Dino Alves e Luís Carvalho.
Flores? Para o outono/inverno? "Inovador"
Sim, estamos a citar O Diabo Veste Prada — com uma pequena alteração, claro. Que as riscas não iam a lado nenhum era fácil de prever, mas que os padrões floridos iam estar em altas no próximo outono/inverno já é outra conversa.
No que depender de criadores como Béhen, Ricardo Andrez, Be@t, Francisca Nabinho e DrionaDream, as flores vão aparecer no teu guarda-roupa de outono/inverno de várias formas desde estampados discretos a outros mais coloridos.
Xadrez também não vai a lado algum
É verdade, um clássico estampado xadrez pode muito bem ser o mais associado aos dias frios de outono e inverno. Está, aliás, entre os favoritos de caras conhecidas como Kate Middleton e, aparentemente, nos moodboards de vários designers portugueses.
Desde o xadrez usado em looks mais descontraídos e de streetwear de Bárbara Atanásio, aos coordenados preppy de Gonçalo Peixoto, não faltam opções para todos os gostos.
Azul chega às tendências antes de 2027
Sim, ainda estamos no início do ano, mas graças à WSGN — autoridade mundial em tendências de consumo e design — já sabemos que em 2027 o luminous blue, um tom muito intenso de azul, será a cor tendência.
Parece que os designers nacionais não querem esperar para 2027 e, por exemplo, Ricardo Andrez inclui o azul Klein, outro tom intenso, na sua coleção por ser "realmente interessante e rico", contou à VERSA.
Para além disto, o azul apareceu, na sua versão pastel e em tons mais claros, nos desfiles de Francisca Nabinho, Bárbara Atanásio e Dino Alves.
