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Quando a minha avó diz que seria capaz de usar os meus ténis estilo retro... é porque acertei

Quem vos escreve não resiste a roubar peças ao guarda-roupa da avó e por isso acredita que a moda é tão melhor quando pede emprestada a beleza do passado do que quando quer inventar o futuro... O que tem isto a ver com estes novos ténis? Tudo, diria...

Cateyes, os novos ténis VEJA

57 ténis tendência para te inspirares e escolheres os que te vão acompanhar este verão

Há um teste de validação infalível no mundo da moda. Esqueçam os likes no Instagram, os vídeos de "Get Ready With Me" ou a aprovação da vossa amiga obcecada por mudar de estilo consoante ditam as tendências. O verdadeiro selo de qualidade (e atrevo-me a dizer de bom gosto) acontece quando a minha avó — uma senhora incapaz de não estar sempre no seu melhor e que há muito sabe o que nos fica bem — olha para os meus ténis e comenta: "Esses... até eu usava".

Numa vibe vintage, senti que o novo modelo da VEJA acertou no design. E, sim, também dizem que é tendência, mas acreditem que esta moda merecia ser eterna, tal como a minha avó.

A obsessão pelos ténis monstruosos, com solas que pareciam pequenas plataformas arquitetónicas, está oficialmente a perder fôlego. Depois de anos a viver sob a sombra dos dad sneakers, da estética Balenciaga e da corrida ao volume, a moda voltou a fazer aquilo que faz melhor: mudar de ideias. Agora, quanto mais discretos, mais interessantes. Quanto mais próximos de um arquivo esquecido dos anos 70 ou 80, melhor.

É precisamente neste momento que a insígnia francesa lança os Cateyes. E, desta vez, a marca parece menos preocupada em criar o próximo bestseller sustentável e mais interessada em desenhar um objeto de desejo (ainda que mantenha os seus valores no sítio certo).

A inspiração vem das sapatilhas de bailarina, mas felizmente evita o lado demasiado literal do balletcore que rapidamente se tornou uniforme no TikTok. Em vez de laços, romantismos excessivos ou referências óbvias à dança, os Cateyes trabalham a ideia de leveza através da proporção. A silhueta é estreita, ao estilo slim, a sola quase desaparece visualmente e a frente arredondada quebra a rigidez típica dos ténis minimalistas.

Há qualquer coisa de Miu Miu, um ligeiro eco da Prada dos anos 90 e até uma certa elegância francesa que a VEJA (e a minha avó) conhecem tão bem.

Os detalhes são onde a história realmente acontece. A costura aparente, o acabamento em borda crua, os atacadores azuis para contrastar com o castanho... Existe para ser descoberto. E essa é talvez a maior diferença entre um produto pensado para durar uma estação e um produto pensado para durar no guarda-roupa.

Porque a moda é tão melhor quando não precisa de gritar.

Até no universo dos ténis, podemos falar no tom do "quiet luxury", considerando que este modelo parece ser mais silencioso, mais elegante, contrastando com modelos de outras marcas, como Nike, Puma, Onitsuka, Buffalo...

Claro que a sustentabilidade continua lá. Couro orgânico, materiais reciclados, componentes de origem biológica. Tudo faz parte do ADN da VEJA e continua a ser relevante. Mas há uma mudança subtil nesta conversa. O consumidor não compra um par de ténis apenas porque é mais responsável, mas também porque quer que seja bonito. O design voltou a liderar a discussão. Felizmente.

No fundo, os Cateyes representam uma tendência maior do que qualquer marca. Estamos a assistir ao regresso das sapatilhas que não querem parecer equipamento de corrida, nem esculturas futuristas. Querem apenas complementar a roupa. E isso é muito mais difícil de conseguir do que parece.

É curioso pensar que, depois de tantos anos a procurar o próximo grande objeto de desejo, acabámos exatamente onde as nossas avós começaram. Silhuetas simples. Materiais honestos. Linhas elegantes. A diferença é que agora chamamos-lhe "minimalismo sofisticado" ou "estes parecem vintage".

E, convenhamos, as avós já sabiam disso muito antes de nós.

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