Conheces alguém que se identifica como animal? Devemos preocupar-nos? Psiquiatra revela os "sinais de alerta"
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Dra. Maria Moreno
- 6 jun, 00:54
Muitos já devem ter ouvido (ou lido) a palavra therian e não sabem bem do que se trata. Maria Moreno, médica psiquiatra, assina este artigo em que esclarece todas as dúvidas.
Uma das maiores confusões actuais é achar que tudo o que é estranho ou fora da caixa é doença — ou, no extremo oposto, achar que nada é patológico porque tudo “é só expressão pessoal”. A verdade está quase sempre no meio – como dita o (tão desvalorizado) senso comum.
Na Psiquiatria não nos assusta a diferença. O que nos preocupa é a angústia e o sofrimento. O problema não é alguém usar uma cauda. O problema é quando deixa de conseguir ir à escola, relacionar-se, funcionar ou distinguir fantasia de realidade.
Na prática clínica vemos muitos jovens profundamente perdidos na construção da própria identidade. Jovens que não sabem quem são, onde pertencem ou como se relacionar. E a internet oferece algo extremamente poderoso: uma comunidade pronta a acolher, validar e dar linguagem a esse desconforto.
O problema é que o cérebro adolescente é muito sensível à validação social. E quanto mais frágil emocionalmente alguém está, maior a probabilidade de transformar uma identidade grupal num refúgio único e absoluto.
Uma pessoa identificar-se como therian, gostar da estética, sentir uma conexão simbólica com um animal ou integrar uma comunidade online não é, por si só, uma perturbação psiquiátrica. Pode ser apenas uma forma de identidade, pertença ou exploração pessoal — sobretudo em adolescentes, que vivem naturalmente fases de experimentação intensa. Mas há sinais de alerta que merecem atenção e temos de nos focar nisso. Porque às vezes aquilo que parece “uma moda estranha” é apenas a ponta visível de um enorme iceberg.
Por isso, mais importante do que gozar, dramatizar ou entrar em pânico, é perceber: esta pessoa está apenas a apenas a experimentar uma moda ou está a desaparecer dentro desta nova identidade? Esta é a verdadeira pergunta clínica.
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