Encontrar casa perto do local de trabalho tornou-se, para muitos, um verdadeiro quebra-cabeças. Em Portugal – sobretudo em cidades como Lisboa e Porto –, o aumento dos preços da habitação têm afastado trabalhadores dos centros urbanos, obrigando-os a percorrer longas distâncias diariamente simplesmente para trabalhar. Mas o mesmo acontece lá fora.
Uma dessas histórias é a de María Fernández, uma jovem espanhola de 28 anos que em vez de apanhar o metro ou o autocarro, apanha um avião frequentemente para ir trabalhar.
María vive em Sevilha, mas trabalha em Barcelona, a mais de 800 quilómetros de distância. O seu dia começa antes das cinco da manhã, numa corrida contra o tempo que inclui um voo matinal para chegar ao emprego. “Nem sempre é fácil, mas sei que o que faço me aproxima dos objetivos que quero cumprir”, relata no TikTok.
Com uma deficiência visual de 75%, a jovem enfrenta desafios adicionais numa rotina já exigente. Ainda antes de o sol nascer, despede-se da sua cidade e segue para o aeroporto. À chegada a Barcelona, recorre ao serviço de assistência para pessoas com mobilidade reduzida, que a ajuda a deslocar-se dentro da infraestrutura.
A viagem não termina no aeroporto. Segue-se o autocarro até ao local de trabalho, numa sequência de transportes que exige organização. Pelo meio, um pequeno-almoço rápido e sempre igual: uma sandes de tortilla com maionese, que lhe garante energia para enfrentar o resto do dia.
O seu trabalho, curiosamente, está ligado ao sector imobiliário (precisamente aquele que está na origem desta rotina invulgar) e todos os dias é uma nova luta. “Chego a casa exausta, ainda com as malas às costas, só a pensar em ir para a cama”, descreve.
Apesar da intensidade, María não faz este trajeto todos os dias. Faz a viagem até Barcelona uma vez por semana e regressa a Sevilha ao fim de semana para estar com a família. Ainda assim, a sua história ilustra uma tendência crescente: a de trabalhadores que vivem numa cidade e trabalham noutra.
Segundo dados do Centro de Investigaciones Sociológicas, cerca de 73% dos jovens espanhóis considera o preço da habitação a sua principal preocupação, uma realidade que ecoa também em Portugal, onde muitos trabalhadores enfrentam escolhas semelhantes.
Se estiveres prestes a comprar casa na periferia ou no centro de qualquer cidade europeia, deixamos algumas sugestões na galeria de imagens para que a possas decorar.
