Estas são as únicas mulheres com mãos de ouro que moldam 10 mil tortas por dia
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Rafaela Simões
- 8 ago, 05:35
"O segredo não está nas máquinas, mas nas mãos das nossas trabalhadoras", mãos essas que são raras de encontrar. Eis o segredo das tortas Inés Rosales.
As tortas e doces Inés Rosales
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Apesar da crescente automatização da indústria, há tarefas nas fábricas que resistem à tecnologia e em muitas linhas de produção os movimentos repetem-se milhares de vezes por turno, exigindo resistência física, concentração e uma destreza que só anos de prática conseguem aperfeiçoar.
É precisamente essa realidade que continua a surpreender na fábrica de tortas de azeite Inés Rosales, em Huévar del Aljarafe, nos arredores de Sevilha. Ali, um dos processos mais importantes da produção permanece inteiramente artesanal, desde o início, em 1910.
Segundo explicou Juan Carlos Espinosa, diretor-geral da empresa, ao ABC Sevilla, cada uma das trabalhadoras responsáveis por moldar as tradicionais tortas de azeite consegue produzir cerca de 10 mil unidades por dia, tudo à mão e sem recorrer a moldes mecânicos.
"O segredo não está nas máquinas, mas nas mãos das nossas trabalhadoras", explicou Juan Carlos Espinosa, destacando que é precisamente o fator humano que continua a distinguir a marca, fundada há mais de um século.
Ao contrário do que muitos poderão imaginar, aprender este ofício não é uma questão de apenas algumas semanas de formação. A empresa estima que sejam necessários cerca de seis meses para formar uma nova profissional, mas nem todas chegam ao fim do processo.
"Primeiro identificamos se existe essa capacidade. Há um dom para este trabalho e nem toda a gente o consegue", afirmou. "O normal é demorarmos cerca de seis meses a formar uma profissional. Algumas evoluem mais depressa, mas outras, apesar de parecerem ter capacidade, acabam por não conseguir desenvolver a técnica e temos de interromper a formação", explicou.
Contudo, quando a aprendizagem é concluída com sucesso, o processo torna-se quase instintivo.
Mas... por que razão é este um trabalho desempenhado apenas por mulheres?
"A habilidade natural que procuramos nunca a encontrámos em nenhum homem. Essa é a razão", explica Juan Carlos Espinosa ao ABC Sevilla.
Quanto à tecnologia, embora a produção continue a depender das mãos das mulheres trabalhadoras, já desempenha um papel importante no controlo da qualidade ao captar imagens das tortas em tempo real.
"Se as tortas estiverem mais escuras é porque ficaram mais finas e caramelizaram mais. Se estiverem demasiado claras, provavelmente não foram bem estendidas. O ecrã serve precisamente para orientar esse controlo de qualidade", explicou Espinosa.
Contudo, as mãos das trabalhadoras são de ouro e jamais algumas máquina vai fazer o que estas fazem. Por isso, a Inés Rosales continua a confiar num saber-fazer transmitido ao longo de gerações.
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