Há praias interditas no Algarve. Conheces todas?
Este verão não te faltam praias para visitar
A resposta é simples: sim, um tsunami pode acontecer em Portugal. Mas isso não significa que exista um perigo iminente.
Muitos portugueses devem questionar os riscos de algo acontecer em território nacional. Segundo o Centro Europeu de Riscos Urbanos (CERU), "estudos recentes mostram que existe uma probabilidade de 100% de que as costas de Portugal Continental, Açores e Madeira, assim como os países vizinhos, sejam afetadas por um tsunami com uma altura de pelo menos um metro num tempo de exposição de 500 anos". Mas importa entender o perigo para não existirem preocupações desmedidas.
Foi precisamente esta a mensagem deixada pelo especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Rachid Omira, em declarações à agência Lusa. Segundo o investigador, não é correto dizer que o risco de tsunami em Portugal é baixo. O que é reduzida é a perigosidade, ou seja, a frequência com que ocorrem sismos suficientemente fortes para gerar um tsunami.
O Japão já vive esta realidade há décadas
Enquanto em Portugal o tema surge sobretudo após um grande sismo ou uma notícia, no Japão os tsunamis fazem parte do planeamento diário.
Depois do devastador tsunami de 2011, as autoridades japonesas concluíram que a tecnologia, por si só, não salva vidas. O fator decisivo é aquilo a que chamam "evacuação imediata".
A Agência Meteorológica do Japão e a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres repetem a mesma mensagem em praticamente todas as campanhas de sensibilização:
Se sentir um sismo forte ou prolongado junto ao mar, não espere por um alerta oficial. Evacue imediatamente para uma zona elevada.
Esta recomendação existe porque, em muitos casos, as primeiras ondas podem chegar poucos minutos depois do terramoto.
Uma das maiores lições retiradas pelos japoneses é que muitas vítimas decidiram: esperar por um aviso oficial; observar o mar; voltar atrás para recolher bens; ou regressar para ajudar familiares sem antes garantir a própria segurança.
Por isso, as autoridades japonesas defendem uma regra muito simples: Fugir primeiro. Confirmar depois.
E em Portugal?
Portugal possui um Centro Nacional de Alerta de Tsunamis, operado pelo IPMA e integrado na rede internacional coordenada pela UNESCO. O sistema monitoriza continuamente a atividade sísmica do Atlântico Nordeste e pode emitir avisos poucos minutos após um grande sismo.
O que faria um japonês se estivesse numa praia portuguesa?
Provavelmente seguiria cinco regras muito simples:
- Se sentir um sismo forte, abandona imediatamente a praia.
- Dirige-se para terrenos elevados ou para o interior.
- Não espera por mensagens nas redes sociais ou pela confirmação de terceiros.
- Não regressa para observar o mar.
- Só volta quando as autoridades confirmarem que o perigo terminou.
Pode parecer um comportamento excessivamente cauteloso, mas foi precisamente esta cultura de preparação que permitiu ao Japão reduzir significativamente o número de vítimas em vários tsunamis ocorridos após 2011.
Não há motivo para alarme, mas há motivo para preparação
As notícias recentes não significam que exista um tsunami previsto para breve em Portugal. O que significam é que a comunidade científica continua a recordar uma realidade conhecida há muito tempo: Portugal está localizado numa região onde grandes sismos e tsunamis são possíveis, embora raros.
E talvez a maior lição venha precisamente do Japão: quando o fenómeno é raro, a preparação torna-se ainda mais importante do que a previsão.
Porque, como repetem frequentemente as autoridades japonesas, não é possível impedir um tsunami. Mas é possível impedir que ele se transforme numa tragédia.
Não é só o preço que importa: 87% dos portugueses já procuram casas por estas condições
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Margarida Ribeiro
- 20 jul, 18:12
